Não foi apenas um jogo memorável, foi um resgate de uma camisa tão maltratada desde que o mito Oscar se aposentou. 14 anos depois de nossa última e digna participação em um grande evento (em 1996 era a Olimpíada de Atlanta), o basquete masculino brasileiro finalmente teve uma atuação condizente com um país que já foi bicampeão mundial da modalidade (nos distantes 1959 e 63). Surpreendendo a todos os seus críticos (me incluo nessa), um possesso, valente, corajoso e líder Leandrinho, muito bem acompanhado nessa regência pelo ousado Marcelinho Huertas, comandaram a heróica partida que o Brasil fez diante dos EUA. Heróica, sim, pois perder por apenas 2 pontos dos homens da NBA é sempre uma façanha. E olha que poderíamos ter vencido caso não tivéssemos errado tanto no último quarto, com muitos erros infantis de passes e chutes de 3 precipitados, uma pane geral que assolou a seleção brazuca toda.
Mas valeu a coragem de partir pra cima dos homens da NBA e, sobretudo, a louca e infernal marcação que os brasileiros jogaram pra cima deles. Mais que uma marcação, uma entrega apaixonada que tem a mão de nosso Treinador, o argentino Ruben Magnano, um cara que simplesmente levou os hermanos ao ouro olímpico em Atenas. Treinador maiúsculo, que diferença depois de tantos treinadores medíocres, confusos e sem pulso que passaram pela seleção.
Além de Leandrinho e Huertas, foram bem também Marquinhos, Alex e Spliter, esse um pivô que não anda devendo quase nada aos melhores do mundo, faltando-lhe, porém, mais velocidade em algumas penetrações no garrafão. O problema é quando Spliter precisa descansar, pois sem Varejão, aguentar o lento e assustado JP é dose. O mesmo ocorre quando Huertas vai pro banco: Marcelinho Machado continua sendo 8 ou 80, alterna jogadas brilhantes com perdas de bola e erros bisonhos. Mas pelo menos hoje o Machado mais acertou que errou.
Bom, mas fica essa luta e belo basquete da seleção hoje, como não víamos há tanto tempo. Se jogarmos assim de novo, o sonho da medalha não será algo tão impossível. Uma medalha (bronze) que não conquistamos desde que Marcel (num time que tinha Oscar, claro) acertou aquele chute milagroso a 3 segundos do fim contra a Itália, em 1978...
PS - Só temo que a bela exibição brasileira hoje não se deva um pouco pela impressão de que essa seleção dos EUA é a mais fraca reunião de profissionais da NBA em muitos e muitos anos. Porque Kevin Durant não é esse fenômeno como o Sportv quer nos fazer crer. Porque esses americanos são uma espécie de terceiro escalão da NBA.
segunda-feira, agosto 30, 2010
segunda-feira, agosto 23, 2010
Alma vernelha
O Inter bicampeão da América é o sonho de qualquer torcedor. E não falo apenas do raro equilíbrio entre técnica e entrega, entre craques e monstros da raça, entre veteranos de outras guerras e jovens muito talentosos. O sonho começa na própria torcida, apaixonada, valente e presente durante todos os minutos que duram um jogo. Diferente de uma torcida do São Paulo - que só grita em determinados momentos, quase sempre quando o time está bem, na frente; além de não ter a mínima criatividade para criar cantos contagiantes – os colorados fazem do Beira-Rio um arrepiante inferno vermelho de apoio, amor e beleza. “Ah, eles copiaram o estilo argentino de torcer”, criticou um sãopaulino. Ainda bem, para o Inter, pensei, pois ninguém nesse mundo da bola canta e apoia mais que uma hinchada argentina.
Impossível não se emocionar com a festa colorada, especialmente com a paródia deliciosa e entusiasmante da música do Mamonas Assassinas. Imagino a descarga de adrenalina e vontade que essa canção bombada por dezenas de milhares fanáticos colorados (e sócios-torcedores do clube!, pois o Inter que é o número 1 nesse quesito no Brasil*) produz no coração dos jogadores colorados...
Jogadores, falemos então da raça e talento. A garra do gigante e capitão, Bolívar e desse monstro Guiñazu, um raro deus da raça que ainda é frio e equilibrado, o que o torna imbatível. A garra e técnica desse incansável Tinga, que vai minando o adversário com seu poder de penetração baseado tanto em sua habilidade como em sua força física. Cheguemos então mais fundo no talento, falemos no endiabrado, genial e insuportavelmente ousado para os rivais, D´Alessandro, outro que elimina o último fôlego de quem tenta marcá-lo. Habilidade marca também o futebol do velho e refinado vinho chamado Kléber, mestre de passes e cruzamentos perfeitos. Voltemos à força com o irmão que joga bola da família, Alecsandro, um tanque que também vai minando os rivais com tanta pegada.
Faltam outros elementos importantes, não conheço tão bem esse formidável bicampeão da América, mas não esqueço do talvez herói maior, de um prodígio determinado, desse garoto que mesmo sendo reserva arrebentou todas as vezes em que entrou com gols decisivos. De um menino que será um dos grandes do futebol mundial. Giuliano. O que dizer de um cara que entra na pedreira contra o Estudiantes lá na Argentina, e mesmo com aquela neblina, encontra aquele que foi talvez o gol mais sofrido e necessário do Inter nessa Libertadores? E o moleque ainda elimina o São Paulo e faz o gol do título contra o Chivas...
Melhor ainda saber que Giuliano foi oferecido ao Palmeiras há dois anos, quando ainda era do Paraná clube, e a cúpula alviverde o recusou...
Finalmente, há que se destacar um treinador, Celso Roth, que abandonou já há algum tempo seu estilo mais guerreiro (violento mesmo...) para fazer suas equipes jogarem bola e buscarem o gol sem parar. Roth já fôra assim no Atlético que liderou boa parte do Brasileirão do ano passado lotando o Mineirão com um time dedicado ao gol. Acabou naufragando, porque se sobrava técnica ao Galo, faltava a raça e alma colorada.
Não falta mais.
Não falta nada a esse poderoso Internacional. Um Inter que joga muito mais futebol que seu rival no Mundial, o time italiano pragmático de mesmo nome.
Falta pouco para os gaúchos conquistarem o Bi Mundial.
* O sócio-torcedor do Inter é muito mais bem tratado que o do São Paulo, por exemplo. O cara não precisa comprar ingresso em cada jogo no ridículo plano do tricolor. Ele vai ao estádio com seu cartão, passa seu cartão na catraca e pronto. Até nisso eles batem a gente...
Isso é torcer.
quarta-feira, agosto 11, 2010
Onde está a nossa canção?
Não consigo escrever algo relevante nesse blog há um bom tempo, talvez porque não veja há algum tempo as pessoas que gostaria de ver e, com certeza, porque tenho passado mais tempo “conversando” pela tela de um computador do que trocando ideias, gestos e olhares na vida real. Sim, algumas mensagens via micro são realmente belas e importantes, fazem um afago bom no peito, mas seriam mais fortes e marcantes ao vivo.
Não consigo escrever mas sigo lendo feito maluco e mando então um pedaço de um texto vital, do jornalista Bob Herbert, do The New York Times. O cara reflete sobre a overdose de novas tecnologias (celulares cada vez mais avançados, ipods e outros aparelhos, além do vício das redes sociais). O texto é um grande “acorda pra vida”, para que acordemos e passemos menos tempo no micro e mais tempo com as pessoas que fazem ou fizeram parte de nosso coração:
“Há um personagem em uma peça de August Wilson que diz que todo mundo tem uma canção dentro de si e que você corre risco de perder essa canção. Se você perde o contato e esquece como cantá-la, você está sujeito a ficar frustrado e insatisfeito.
Não acho que ficamos em contato com nossas canções ao tuitar ou digitar mensagens em nossos Blackberrys ou acumular amigos no Facebook. Precisamos reduzir os limites de velocidade de nossas vidas e saborear a viagem. Deixe o celular em casa de vez em quando. Tente beijar mais e tuitar menos. E pare de falar tanto.
Ouça.
As outras pessoas também têm o que dizer. Quando elas não dizem, aquele silêncio glorioso dirá mais do que você jamais imaginou. Isso é quando você começará a ouvir a sua canção. Isso é quando os seus melhores pensamentos aparecerão, e você realmente será você.”
Será que estamos escutando a nossa canção, a nossa essência, como pede o jornalista americano? Ainda conseguimos escutar as batidas do coração nesse redemoinho de centenas de músicas que entopem um ipod sem limites de espaço? Ainda conseguimos conversar de verdade com alguém enquanto disparamos mensagens sem parar no facebook? Ainda conseguimos escrever-sentir algo mais que os 140 caracteres do twitter?
Tenho namorado um livro mágico que vou lendo aos poucos, quando tenho um tempinho de sentar-me ao sol. Trata-se da história de uma menina que está procurando a canção essencial dela, que a define, e ela vai direto ao ponto, mostrando que ipods e toda a tecnologia digital não tem fim, não acabam, podem ser sempre mais e mais preenchidos. Só que a jovem Martina sabe que a vida (e nós mesmos) não é digital, é analógica: tem começo, meio e fim como os velhos discos em vinil.
Lembrem então das experiências mais marcantes de suas vidas, aposto que foram com alguém em especial, com um grupo em especial, num lugar especial, numa ocasião especial. Foram momentos com começo, meio e fim. E cada um foi UM momento, e não vários ao mesmo tempo.
Uma das grandes mágicas da internet e desses celulares cada vez mais parecidos com computadores é que permitem que façamos várias coisas ao mesmo tempo e até que conversemos com vários ao mesmo tempo. O resultado é que não fazemos nada direito ou com envolvimento e não conversamos com ninguém de verdade. Tá, escrever escutando um som é uma coisa (faço isso agora com o bom e velho Lionel Richie, Easy like sunday morning, relax puro, grande soul dos anos 70), mas escrever, escutar um som e ficar acessando as redes sociais (como eu fazia até alguns dias atrás) e email só podem causar uma coisa: falta de foco, ansiedade e produção reduzida.
E, meu Deus, se você não é um jornalista cobrindo um evento na rua, um executivo escravo de sua multinacional ou um jovem revolucionário denunciando a opressão nas ruas, qual o sentido de ter um celular com internet? Não dá pra esperar e dar uma olhadinha no micro do seu trampo ou sua casa? Será que precisa mesmo, em seu momento de paz, no almoço, ou enquanto se desloca, nas ruas, checar o email e as redes sociais?
Sai dessa. Tem pessoas que já estão ficando doentes com a síndrome de acessar emails e checar as redes sociais toda hora. Desliga um pouco, olha as pessoas, fala com elas, escuta os barulhos verdadeiros, sente as coisas pulsarem, acorda. E, por favor, escutem de novo as canções mais belas: as vozes das pessoas que vocês gostam, as vozes e toda a melodia e ritmo de seus gestos e olhares. E a vida é física, meu irmão: um aperto de mão, um abraço, um xingamento com afeto no velho amigo que reencontra, um carinho no rosto de uma garota e um beijo valem mais que duzentas mil horas passadas atrás da tela de um computador. Atrás, nunca dentro, da vida mais bela e real. Como canta o grande poeta e vivente Eddie Vedder, em Black, chame o velho amigo, chame alguém especial e take a walk outside, vá dar uma volta lá fora.
Lá fora. Dentro da emoção e paixão incomparável de realmente viver.
* O vídeo é do inesquecível show do Pearl Jam em São Paulo.
quinta-feira, agosto 05, 2010
O campeão que sairá das cordas
Porque poucos acreditam. Porque as grandes viradas nascem assim. Porque um grande no chão ainda é um grande, e pode se levantar. Porque eles perderam a chance de nocautear. Porque há ainda um último round. Uma última chance.
Porque temos um grande capitão e campeão.
Porque temos o líder da virada, que será o Fernandão um pouco mais recuado, armando, ditando o ritmo.
Porque Hernanes atuará onde rende mais, como volante, vindo detrás e tendo que marcar.
Porque Ricardo Oliveira queimará minha língua e mostrará que seu estilo e talento serão mais importantes que minhas críticas à sua frieza demais.
Porque Dagoberto deixará de lado sua óbvia jogadinha correndo da ponta pro meio e será empurrado, pela massa tricolor, para dentro da área, para decidir lá dentro.
Porque Alex Silva gritará tanto que Miranda acordará.
Porque Rodrigo Souto marcará como um possesso e cobrirá todo mundo.
Porque Cléber Santana perderá o sangue de barata com o clamor das arquibancadas e assim se encherá de brios para acertar aquele chute de longe que ainda não acertou.
Porque Júnior César voltará a voar.
Porque até Jean, que Deus nos ajude, fará uma grande partida, mordido que está por tantas críticas, justas, à sua inabilidade na lateral.
Porque somos TRICAMPEÕES. Desta América e do Mundo.
Porque hoje é dia de Rogério Ceni.
Porque hoje o verdadeiro campeão sairá das cordas e nocauteará seu rival sem dó com a experiência dos mitos e a fúria dos campeões humilhados que precisam provar, de novo, seu valor.
Porque meu irmão tricolor de tantas glórias, um louco que batizou sua filha de Luana (Lugano + Telê Santana) estará lá no glorioso Morumbi comigo e meu velho pai, que tem o mesmo sobrenome de Ricardo Oliveira.
Vamo, São Paulo!!!!
Porque temos um grande capitão e campeão.
Porque temos o líder da virada, que será o Fernandão um pouco mais recuado, armando, ditando o ritmo.
Porque Hernanes atuará onde rende mais, como volante, vindo detrás e tendo que marcar.
Porque Ricardo Oliveira queimará minha língua e mostrará que seu estilo e talento serão mais importantes que minhas críticas à sua frieza demais.
Porque Dagoberto deixará de lado sua óbvia jogadinha correndo da ponta pro meio e será empurrado, pela massa tricolor, para dentro da área, para decidir lá dentro.
Porque Alex Silva gritará tanto que Miranda acordará.
Porque Rodrigo Souto marcará como um possesso e cobrirá todo mundo.
Porque Cléber Santana perderá o sangue de barata com o clamor das arquibancadas e assim se encherá de brios para acertar aquele chute de longe que ainda não acertou.
Porque Júnior César voltará a voar.
Porque até Jean, que Deus nos ajude, fará uma grande partida, mordido que está por tantas críticas, justas, à sua inabilidade na lateral.
Porque somos TRICAMPEÕES. Desta América e do Mundo.
Porque hoje é dia de Rogério Ceni.
Porque hoje o verdadeiro campeão sairá das cordas e nocauteará seu rival sem dó com a experiência dos mitos e a fúria dos campeões humilhados que precisam provar, de novo, seu valor.
Porque meu irmão tricolor de tantas glórias, um louco que batizou sua filha de Luana (Lugano + Telê Santana) estará lá no glorioso Morumbi comigo e meu velho pai, que tem o mesmo sobrenome de Ricardo Oliveira.
Vamo, São Paulo!!!!
domingo, agosto 01, 2010
Born to Run
(Quando viver é partir)
Bruce canta toda a paixão, todos os sonhos e o maior amor do mundo, aquele que faz um cara precisar de uma mulher pra fugir dessa armadilha do cotidiano ou da pressão demais da cidade em que (sobre)vive.
I wanna know if your love is wild
Baby, I wanna know if love is real
Baby, I wanna know if love is real
“Eu quero saber se o amor é selvagem, eu quero saber se o amor é real.” Isso só será possível se nossa cara metade nos acompanhar, ou nem precisa ser já a amada, basta ser uma mulher que tenha a loucura tão sã de nos acompanhar, cheia de coragem e paixão numa corrida para algum lugar e algo melhor. Tudo isso cantado, mais que isso, entoado, por essa alma incendiária e apaixonada, pelo Grande Chefe das Canções e Histórias Tão Belas, as músicas e as narrativas que vêm da alma, que vêm do homem que ainda parece, depois de tantos anos, o mesmo jovem do subúrbio de New Jersey, vizinha a Nova York, cheio de fúria feliz pela vida, Bruce Springsteen.
We gotta get out while we're young
'Cause tramps like us, baby we were born to run
'Cause tramps like us, baby we were born to run
“Precisamos cair fora enquanto somos jovens, porque vagabundos como nós nascemos para correr.” Será que só quando se é jovem tem-se a coragem necessária para ir embora? Qual é a idade da juventude? Existe uma idade para se desistir dos sonhos? Quantas pessoas já não jovens, segundo a sociedade, não tiveram essa coragem? Quantos jovens acomodados existem por aí sem a audácia e fibra de pessoas muito mais velhas? Quantos velhos não estão por aí, na fundamental experiência das ruas e viagens, enquanto muitos jovens trancam-se em suas gaiolas tecnológicas virtuais? Quantos jovens, vagando anestesiados, cegos e surdos pelas ruas – com mp3s, iPods, celulares com som, net e TV - ainda veem, escutam e sentem o que está lá fora? Algo chamado vida.
Mas ainda há esperança para os que precisam de um empurrãozinho para escapar, ainda há alguns fugitivos para salvar as tantas Wendys da canção, presas em uma vida opaca. Há ainda há por aí esse cara que Bruce canta:
Wendy, let me in, I wanna be your friend
I wanna guard your dreams and visions
I wanna guard your dreams and visions
“Wendy, me deixe entrar, eu quero ser seu amigo, eu quero guardar seus sonhos e visões.” E que sentimento pode ser maior desse cara que gosta tanto de uma garota que quer ser também amigo dela e proteger os sonhos dela? Quantos de nós temos os ouvidos e amor necessário para pensarmos de verdade em quem gostamos e ajudarmos essa pessoa a realizar seus sonhos? Pé na estrada não é só ligar o motor, apanhar sua garota e fugir, é se preocupar com ela e junto dela lutar por tudo o que é possível. Together we could break this trap. “Juntos podemos romper essa armadilha.” Juntos. Porque para Bruce o amor será sempre Nós.
Sim, Bruce tem a coragem de admitir que o fugitivo é um Cavaleiro, mas um cavaleiro com medo, por isso pede walk with me, venha comigo.
Pausa para o solo de sax, pausa viva, pois o sax é o carro acelerando, é a coragem em ação, é a estrada, é a tentativa de mudança.
Fim do solo, o Fugitivo e Wendy tentam ir embora, mas há algo na letra que nos faz ver que talvez não dê certo, I wanna die with you Wendy on the streets tonight
In an everlasting kiss. “Quero morrer com você nas ruas esta noite em um beijo eterno”, canta Bruce, sabendo talvez que não é possível correr-fugir-encontrar. Talvez não haja gasolina suficiente, talvez não haja emprego, talvez não haja a louca coragem para partir. Volta o sax, tentemos de novo, acelera, pisa fundo, deixa a poeira pra trás como se a realidade fosse uma nuvem de pó ou esse pó seja o sonho voando a nossa frente.
In an everlasting kiss. “Quero morrer com você nas ruas esta noite em um beijo eterno”, canta Bruce, sabendo talvez que não é possível correr-fugir-encontrar. Talvez não haja gasolina suficiente, talvez não haja emprego, talvez não haja a louca coragem para partir. Volta o sax, tentemos de novo, acelera, pisa fundo, deixa a poeira pra trás como se a realidade fosse uma nuvem de pó ou esse pó seja o sonho voando a nossa frente.
Volta então a canção
Highway's jammed with broken heroes
On a last-chance power drive
Everybody's out on the road tonight but
There's no place left to hide.
On a last-chance power drive
Everybody's out on the road tonight but
There's no place left to hide.
“A estrada está cheia de heróis arrebentados numa última jornada, numa última chance, todo mundo está lá fora, não há onde se esconder.” Talvez não seja possível correr, mas Together Wendy we can live with the sadness, “juntos nós vamos viver essa loucura, Wendy”. E vêm então os versos mais belos da canção. Os versos de um coração sincero que pede confiança, um “acredite em mim”:
Someday girl I don't know when
We're gonna get to that place where really wanna go
We're gonna get to that place where really wanna go
“Algum dia, menina, eu não sei quando, nós vamos chegar naquele lugar que queríamos realmente encontrar.”
Tramps like us, baby, we are born to run, “Vagabundos como nós, querida, nós nascemos para correr.” Vagabundos é a tradução exata de Tramps, mas Bruce deve querer dizer Viajantes, Gente que procura, de verdade, viver.
PS – Poucos lugares do mundo representam tão bem a beleza, arte e chama de viver como a cidade em que Bruce deu essa apresentação, Barcelona, no coração da incendiária Catalunha.
terça-feira, julho 27, 2010
As montanhas que olham por nós
São Francisco Xavier. Uma pequena aldeia ao pé da Mantiqueira. O mar verde onipresente em qualquer canto para o qual olhamos. A beleza que não se move mas que permanecerá, sempre. Montanhas não se movem. Estão sempre lá, como a nos proteger. O verde grandioso traz calma ao olhar como a mulher que nos acolhe e entende. Que nos acolhe com aquele silêncio belo do estar juntos conversando com os olhos.
O silêncio predomina, com breves acordes do vento, grilos e pássaros. E do riozinho pequeno mas vivo e corrente que passa atrás da janela da pousada, tornando o sono um sonho líquido.
Para chegar lá, bem fácil (de carro desde São José dos Campos), a experiência torna-se completa quando os pés começam a escalar. Há algo na escalada (e não falo de alpinismo, mas de uma simples caminhada morro acima sem grandes dificuldades, na estradinha de terra, sem trilhas), há algo espiritual, que eleva. Aconteceu no entardecer em que subia sem uma alma como companhia a pequena estradinha que vai ladeando as montanhas. Acompanhado da lua, do silêncio e daquela luz tênue dourada que percebi de novo o valor de ir para o alto, pertinho de algo maior. Uma caminhada que pareceu uma lembrança de que ir para cima é preciso. Pra cima da montanha, pra cima dos sonhos e da vida nova e melhor que devemos buscar.
Chega de sonhar alto, pés à obra, subindo e subindo amparado por essas montanhas mágicas. E estimulado de alguma forma pela calma daquela gata branca, ainda filhote, que deitou-se no meio da estrada, me olhando curiosa e sem medo enquanto eu subia. Branca, pura, 7 vidas, muitas vidas, como se a filhotinha dissesse “vai, caminhante, vai buscar o topo, o cume que pode alcançar com seus sonhos e talentos mais puros”.
Vai, caminhante, viaje, escreva, canalize tudo isso e quem sabe o mundo não abraçará suas palavras e sentimentos como essas montanhas amigas de conforto, sossego e paz. Como essas montanhas e esse viajante que compartilham o mesmo olhar de romance. Sim, elas olham por nós, com seus olhos verdes na cor e no espírito, como se fossem as montanhas uma doce mulher a entregar seu olhar mais puro e verdadeiro. A mirada de quem gosta de ser olhada com os sentimentos mais sinceros, e nos devolve isso.
Que as pessoas que esquecem desse olhar redescubram isso lá na Mantiqueira, lá nessa encantadora e delicada São Chico, lá na pousada onde corre o rio atrás da janela e onde tomamos café da manhã defronte à vista das montanhas, das árvores e desses cachorros e gatos pidões dessa pousada em que fiquei, realmente um lugar que nos deixa pousar a alma.
A alma, a verdade dentro dos olhos.
sábado, julho 24, 2010
O povo que é rio e mar (*)

Uma cidade civilizada não se mede por grandes avenidas, inúmeros prédios altíssimos sendo erguidos, carros último tipo e número de shopping centers, todos acabando com qualquer harmonia urbanística, ambiental e humana. Não se mede com obras voltadas mais para os carros - e seus donos egoístas usufruírem dos confortos da modernidade – do que para os pedestres. Não, uma cidade, para mim, é feita de pessoas. Pessoas que caminham. Pessoas que podemos ver e com quem podemos conversar a qualquer momento. Civilização é esta velha, sofrida mas viva Montevidéu. A capital uruguaia onde crianças ainda brincam nas ruas, adultos sentam-se às portas ou sacada de suas casas para papear, olhar ou tomar um mate.
O mate que é um costume sem nada parecido no Brasil (com exceção dos gaúchos, que ainda o praticam, mas em menor frequência): uma cuia com a erva, uma térmica com água quente e a bombinha para sugar o chá que é passada de mão e mão, boca em boca. Mais que isso, o mate convida ao papo, convida à reflexão, é até um verdadeiro manifesto cotidiano pelo encontro e pela amizade.
A Montevidéu onde as moças sentam-se para tomar sol no gramado de seus prédios de frente para a grande Rambla que acompanha o magnífico rio que também é mar, o rio da Prata.
Civilização é sentar-se apoiado no encosto do banco ao fim de tarde, defronte ao rio com vida que funde-se ao mar, aos nossos sonhos e esperanças sem fim. É observar e deixar-se envolver por um dos mais belos entardeceres, o cair do sol de Montevidéu dentro do rio oceânico. Um crepúsculo multicolorido sobre águas profundamente azuis. Um pôr-do-sol que tranquiliza, tonifica e nos recarrega para a vida.
A vida que é completa nessa velha capital com alma de cidade do interior feita de água doce- salgada do rio que é mar e também verde. O verde onipresente de seus grandes parques e em quase toda ruazinha, como se as ruas fossem tubos verdes de árvores dos dois lados com o rio ao fundo. Como se os sábios caminhantes, fossem surfistas urbanos. Talvez sejam, sim, surfistas, todos os que preferem os pés, olhos e alma aos carros que nada veem e sentem. Todos os que surfam cada pedra e pedaço de chão em vez da comodidade em 4 rodas. Comodidade que torna-se cara em um dos únicos traços ruins dessa velha Europa ao sul do Rio Grande do Sul: os caríssimos táxis da cidade.
Mas voltemos às águas do Prata, que carregam em sua doçura ou tempero de sal o próprio povo uruguaio: educado, respeitoso, simpático, tranquilo.
Um povo que me pareceu desprovido do xenofobismo e aversão aos estrangeiros comuns em tantos outros. Uma prova disso é uma característica uruguaia bem parecida ao nosso Brasil: o país é o outra rara nação da da América do Sul que integrou os negros ex-escravos. Acho que não os perseguiu ou colocou no pelotão de frente de guerras como fizeram os argentinos, que exterminaram os negros na Guerra do Paraguai. Em que outro país senão o Brasil podem-se ver negros nas ruas ensinando percussão, soando os tambores, como nos grupos de Candomblé deles, que são versões parecidas com o nosso Olodum?
Montevidéu e seu povo de alma charrua são uma oportunidade única de conhecer uma gente que é exatamente igual à sua bandeira: azul, profundo, sensível; e branco, calmo e com um sol a brilhar. O pacífico ganha raça e vontade guerreira apenas quando a bola rola e vemos a garra e entrega dos uruguaios. Que talvez precisem escapar de um país de dimensões e economia pequena pelo sucesso que só pode ser alcançado brilhando e ganhando melhor em países mais ricos.
Mas a riqueza da bola é apenas parte da riqueza maior: a bela, nobre, fiel e amorosa alma charrua.
A alma de um pequeno grande povo e país.
(*Escrevi e publiquei esse texto em janeiro, na minha única visita ao Uruguai. Foram poucos mas inesquecíveis dias. Posto aqui de novo para homenagear o carinho enorme que tenho recebido de todo o Uruguai pelos textos sobre a seleção de Forlán, Lugano e outros heróis ).
segunda-feira, julho 19, 2010
Tributo a Guerreiros Apaixonados
Muito se falou aqui e na mídia mundial sobre a incrível valentia, dedicação e talento dos uruguaios, mas ficamos devendo uma justa homenagem à admirável entrega, emoção e luta dos paraguaios. O Paraguai que só foi batido, em jogo duríssimo, pela seleção que seria a campeã do mundo, a Espanha.
O Paraguai que não se limitou a defender contra os espanhóis, mas os pressionou de forma infernal nos primeiros 30 minutos de jogo, quando a Espanha praticamente não conseguiu sair de seu campo. O Paraguai que baseou-se, sim, em uma defesa excepcional (ótimo goleiro, Villar e uma zaga quase impecável, lembrando a inesquecível zaga comandada por Gamarra na Copa de 98), e um meio-campo aguerrido, mas que também mostrou bom toque de bola e atacou o quanto pôde. O Paraguai que podia ter, sim, eliminado os campeões, se Cardozo não perdesse aquele pênalti e se o juiz não tivesse anulado um gol legítimo de Valdés. O Paraguai que mostrou uma paixão e garra incandescente e transparente no rosto de seus jogadores-guerreiros, visível desde o emocionado canto deles na execução do hino nacional do país. O Paraguai daquelas comoventes camisas cor de amor e solidariedade – o vermelho e branco tão fiel à alma desse país pequenino mas tão grandiosamente lutador e solidário. O Paraguai sempre injustamente menosprezado pelos especialistas do mundo do futebol. O humilde Paraguai que deu uma lição nos orgulhosos e egocêntricos poderosos do mundo da bola, que caíram antes dele nesta Copa.Por tudo isso, por toda essa história de amor que os Homens de vermelho e branco semearam nos campos africanos, que uma cena simbólica marcou a queda gloriosa frente à Espanha. Cardozo, inconsolável por seu pênalti perdido, chorava copiosamente, com seu manto de amor e luta cobrindo a face, quando um grande homem e em breve, nos dias seguintes da Copa, Mito do futebol, se aproximou. Era Iker Casillas, o fenomenal goleiro e ser humano espanhol. Casillas foi lá abraçar e dizer algumas palavras de incentivo ao jogador e país que deu tanto trabalho para a Espanha, que enfrentou tão dignamente a futura campeã do mundo. Sim, a dignidade que a Holanda não teria (os laranjas apelaram à violência), os paraguaios tiveram de sobra. Pois podemos, sim, dizer que o Paraguai sempre se baseou em defesas fortes e muito coração, mas essa luta foi sempre de guerreiros que são homens, homens que jogam e lutam limpo.
Jogam limpo como um dos maiores zagueiros da história do futebol mundial e das Copas do Mundo, Gamarra. O Gamarra que tive a felicidade de assistir ao vivo no jogo de sua vida, aquele incrível Paraguai e França da Copa de 98. Aquele jogo em que ele liderou, sem fazer uma única falta!, uma das mais comoventes demonstrações de entrega da história, a entrega dos paraguaios para se defender contra aquela poderosa França de Zidane e Cia. que jogavam em casa.
Até hoje lembro daquele jogo, oitavas de final de 1998, quando sinto que estou sem forças, e que é inútil lutar contra a ausência de chances em meu mundo de trabalho, o jornalismo esportivo. Me veem então à memória aquela luta quase impossível da seleção de Gamarra e Chilavert (outro monstro na partida) durante 118 minutos (tempo normal e prorrogação, quase toda...), luta que só terminou com o gol do capitão francês, no penúltimo minuto da prorrogação. Luta interrompida de forma cruel com a mais estúpida regra da história do futebol (já banida, ainda bem), o gol de ouro, ou morte súbita. Lembro então daquelas cenas impressionantes dos paraguaios desabando no gramado, inconsoláveis. Lembro então da colossal força e hombridade de Chilavert, que aproximou-se de cada companheiro abatido e levantou-o, como se fossem bebês desprotegidos, gritando talvez palavras de coragem, respeito e amizade, dizendo o quão grande cada um tinha sido. Lembro depois do primeiro sorriso que consegui dar na saída daquele estádio: abatido por ter torcido tanto junto dos meus irmãos paraguaios na arquibancada atrás do gol, só consegui sorrir quando um nobre francês disse a frase de reconhecimento e respeito pelo que fez o Paraguai naquele jogo: “Gamarra est Beckenbauer”, Gamarra é Beckenbauer, bela comparação com o mito alemão.
Tudo isso só para dizer, meus irmãos paraguaios, que mesmo achando que o melhor para o futebol foi a taça do mundo ir para o futebol arte, pé em pé, da Espanha, vocês comoveram muitos brasileiros com sua luta limpa, coragem (que outro país teve a bravura de pressionar tanto os futuros campeões do mundo?), emoção e paixão por seu país e pelo futebol.
domingo, julho 18, 2010
O melhor vídeo da Copa
Maravilhosa essa reportagem de Régis Holsing no Esporte Espetacular de hoje, a melhor que vi sobre esse Mundial.
sexta-feira, julho 16, 2010
No coração das montanhas
Segunda-feira, o sol de inverno leve era gostoso e acolhedor como as férias devem ser. Mas fazia frio aqui dentro. A única solução era a estrada, era o calor humano, era a amizade. Nunca precisei de convites nem tive orgulho para isso. Por isso liguei pra ela e logo estava a caminho. Procurando novos caminhos, para a minha vida, e para chegar lá onde ela e seu pai se escondem (na verdade, se refugiam). Óbvio que me perdi em tudo quanto é acesso e, sorte grande, quando estava totalmente perdido na estradinha de terra sem uma alma, já de noite, um motoqueiro sem nada a ver com os psicopatas paulistanos, me indicou o rumo certo.
Enfim cheguei, só via o telhado da casa e não entendia bem, cadê a casa? Abro a porta e um cachorro me recebe com uma alegria inacreditável para com um estranho. O maluco enorme, ainda filhote, mas já grande, viralata parrudo de algum pastor alemão misturado, chegou rebolando, abanando o rabo e já dando lambidas e dando a pata. Logo o figura já deitava de costas e se estrebuchava todo brincalhão. Sim, eu estava em casa, que melhor recepção que essa? Um cachorro amigo e carinhoso, a melhor espécie que o Barbudão lá de cima colocou nesse mundo se dúvida nenhuma. Ando um pouco com o anfitrião de 4 patas e um enorme coração e grito pelos donos da casa. Nada. Ai percebo uma construção mais para baixo, chamo de novo e eis que surge ele, o velho lobo dos mares paulistanos e já legítimo senhor dessas pequenas montanhas escondidas e protegidas perto de Atibaia. Logo surge sua filha, a moça que cura, uma das filhas que a vida me deu (não fica com ciúmes, grande lobo, você sabe que o coração dela é tão grande que ajuda a muitos). Logo vem ela em seu jeito desengoçado e brincalhão, logo vem ela já tirando um sarro, já arrancando um sorriso e a vontade gostosa de lhe dar um tapa na orelha simbólico.
O cachorro, que ela batizara de Téo? Não era deles, mas vinha regularmente visitá-los. Por quê? Porque os cães sentem os lares que possuem o bem e o amor sincero.
Descemos e entramos. A casa que eu não descobrira lá de cima é um amplo espaço mágico feito com as próprias mãos do grande lobo. Uma casa com andares que se olham, em que vemos todos os ambientes, em que as pessoas só podem é ficar próximas, uma casa sem barreiras, como o outside marinho, como o horizonte para o qual olhamos e nos sentimos tão livres e amplos. Uma casa de tijolos e madeiras, quente, poderosamente acolhedora. Uma casa com história, com milhares de objetos, com a história de muitos objetos antigos imortais, um verdadeiro centro cultural e antiquário, obra do velho lobo que é um refinado restaurador de aparelhos antigos.
O que ele talvez não saiba é que é um restaurador também de gente, de corações partidos. Pouco a pouco o velho lobo vai dando conselhos, e como bom pescador, indica as linhas que os outros nos dão e as linhas que devemos lançar para buscar os peixes-sonhos de nossas vidas.
Sim, o lobo já viveu e também sofreu demais, talvez por isso sabe tanto da vida. E seus olhos fundos também revelam as suas perdas e alguns vazios profundos. Mas eis que tudo se ilumina e ele parece esquecer de tudo quando sua filha surge e mesmo ela também tão sofrida, a moça é uma fortaleza de sorrisos e brincadeiras. Isso é valentia, o resto é a fraqueza dos covardes: mesmo precisando matar vários leões por dia quando em São Paulo , essa moça dá porrada nas barreiras com suas tiradas, sarros e abraços. E ela tem uma mágica capacidade de nos deixar felizes mesmo quando nos sacaneia, mesmo quando tira a maior onda com a nossa cara.
Ei, velho lobo, grande guru, sim, as perdas são duras demais, mas pode existir alegria maior que ter uma filha como ela? Pode ter alegria maior saber que tem uma filha tão boa que é querida e amada por tanta gente? Pode ter alegria maior que saber que tem uma menina que cura os outros?
Só sei que sentia os caminhos fechados, meio que sem saída antes de chegar ali, mas depois de passar dois dias nesse refúgio espiritual divertido muita coisa mudou, e até foi clareando sozinha. Como se a energia sem fim desse lugar e de vocês dois tivessem me atraído coisas boas. E, sim, atraíram.
Vocês me mostraram novos rumos que posso tomar nas pequenas e grandes coisas. Já me ajudaram profissionalmente (ao praticarem me obrigarem a jogar fora meu celular sem recurso nenhum, para arrumar um aparelho em que eu possa criar notícias, imagens e vídeos de onde eu estiver, além de não apanhar para mandar mensagens hehe) e sobretudo aqui dentro.
Só peço desculpas a você, querida fada humorista sacana, por ter me ausentado nos últimos meses. E peço também que não ligue pra rabugice do Lobo com nosso amigo fundamental, o Grande Téo hehe, e bota ele naquele sofazinho, porque o Lobo diz que não mas adora a cara de bobão amigo do bicho.
Obrigado meus amigos. Quase não vi as montanhas, mas senti a elevação dessa casa e coração lá nas alturas de vocês dois. Mas vê se dá um tempo nas broncas na cozinha, mestre cuca sênior, porque a menina tá fazendo altos pratos deliciosos, que macarrão sensacional (no ponto!), que canapés incríveis antes do churras!
Obrigado até por me mostrarem o valor de um jornalismo que eu mal conhecia e tinha preconceitos errados, como essas denúncias sem medo do CQC e as amplas e completas reportagens de A Liga (bom, aquela repórter “pouco” gata e charmosa, e ainda gaúcha!, ajuda né hehe)
Grande abraço e valeu por aceitarem esse hóspede que se convidou na maior cara de pau.
PS – Quando encerro esse texto, o youtube bomba na minha lista aleatória uma gaita mágica e espiritual, e uma voz doce e confortante, uma energia parecida com a que eu recebi dessa casa encantada das montanhas de seus corações.
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