domingo, junho 06, 2010
sexta-feira, fevereiro 26, 2010
O São Paulo não merece Rogério

Listo a seguir o desempenho dos carrascos de Rogério, ou melhor, traidores:
Cicinho, uma avenida maior que a Sapucaí para o Once Caldas.
Miranda, grotesco, até quando ele seguirá enganando a tantos, falhando nos jogos mais duros, como sua série sem fim de dribles levados e cabeçadas perdidas que mostra na Libertadores? Quando vocês, sãopaulinos ditos esclarecidos, perceberão que ele é bom só na antecipação? Quando perceberão sua falta de pegada e raça? Quando perceberão que homens muito mais limitados que ele, como Fabão, foram muito mais importantes para o clube?
Xandão, mais um erro decisivo, irregular demais, alterna roubadas de bola incríveis com vacilos terríveis.
Jorge Wagner, duro falar mal dele, pois esse se entrega e dá duro no campo todo, ainda mais quando há um Rick do lado, mas DE NOVO deu a bola para o adversário contra-atacar e marcar.
Richarlyson, como aguentar um cara que destrói várias jogadas nossas, incapaz de acertar um passe, de marcar com inteligência e ainda com o irritante costume de dar bicos na arquibancada quando tenta bater no gol?
Jean, um leão, mas o vacilo, DUPLO!, no gol da vitória dos gringos, foi lamentável.
Cléber Santana, erra poucos passes, tem força para chegar, mas desaparece em certos momentos e sumiu na marcação ontem. Parece achar que é mais jogador do que é, talvez pelos anos de Europa.
Paraíba, esse não pode jamais vestir nossa camisa honrada e vitoriosa, o cara desfila sua máscara sem fazer nada de produtivo, não tem garra e parece que todos esquecem que ele foi o líder de um time que caiu para a 2ª divisão do Brasileiro.
Washington, o guerreiro de sempre, mas teve só 2 chances, por que obviamente a bola não chegava, porque o São Paulo do gênio Juvenal contratou um time inteiro e NÃO TROUXE NENHUM MEIA CRIATIVO!
O último é Hernanes, tão criticado por mim, mas que ontem foi a única luz criativa do time, e ainda lutou bastante o jogo todo. Pena que não teve em Cicinho um parceiro à altura.
Tá feia a coisa! Quem quer vencer a Libertadores não pode ter zaga frágil, não pode ser desatento, né, Jorge?!, nem sofrer sem um meia criativo. Tradução: Já era. A não ser que o tal do Fernandinho seja um monstro, que Alex Silva - bom zagueiro mas metido a craque como Miranda - tenha perdido sua máscara e soberba (foi ele que perdeu todas para Washington naquela eliminação da Libertadores de 2008, vocês, que o acham um monstro, já esqueceram disso?); e que Souto dê luz criativa e alma a esse meio-campo. E que Dagoberto jogue bem os jogos decisivos, e não partidinhas que não valem nada como jogo contra nanico do Paulistinha.
Pobre Rogério!
domingo, outubro 11, 2009
Por Amor

E, diferente de muitas estrelas do futebol brasileiro - que vestem a camisa da seleção sem entrega, comprometimento e raça (Robinho?) – os argentinos defendem sua camisa celeste e branca com uma dedicação e amor sinceros. Porque os jogadores argentinos bem-sucedidos não esquecem suas origens humildes. Não esquecem que um dia foram um pibe (menino) torcendo por um ídolo, um clube e um país.
Por isso tudo, por amor ao futebol de toque e alma; à maravilhosa cultura (o tango, a literatura e jornalismo riquíssimos, o cinema do cotidiano emocionante, por J.J. Campanella e Darín), culinária (carne, alfajores!), vinhos e até cerveja (Quilmes, leve, gostosa, a única que não m dá ressaca!); por respeito à garra e consciência política e social dos hermanos, pude dormir ontem com um sorrisão enorme e coração feliz porque o amor ao futebol venceu ontem uma das partidas mais dramáticas já realizadas. Fiquem então com a narração dos gols de ontem, na voz apaixonada de um locutor local.
segunda-feira, setembro 07, 2009
19 anos e Jason renasce, de novo

19 anos de clube e ele ainda consegue ser o melhor em campo, como foi ontem, fazendo defesas difíceis e decisivas que impediram a vitória do Cruzeiro no Mineirão. Porque foi graças a ele, que barrou um Cruzeiro muito melhor na maior parte do jogo, que foi permitida uma vitória milagrosa ontem. Uma vitória realmente a la Jason, de um time que estava morto até a entrada do incendiário Marlos, aos 15 do 2o tempo. Esse é Rogério, mais da metade da sua vida de 36 anos no São Paulo e ainda fazendo defesaças como essa da foto, numa paulada atômica em cobrança de falta de Gilberto. E ainda liderando e salvando um São Paulo horroroso até o choque elétrico de Marlos (ele não pode ser reserva!). Um São Paulo que esperava os mineiros covardemente e ainda os chamou como Richarlyson, que pra variar perdeu uma bola que resultou no gol cruzeirense. Um São Paulo sem a mínima criatividade na armação das jogadas, pois Hugo não dá mais e esperar algo do ilusionista Arouca (parece que corre, parece que arma, parece que é guerreiro, parece que chuta, mas não faz bem e com raça nenhuma das altermativas) é brincadeira. Um São Paulo de novo pulverizado pelo lado de Jean, que de novo tomou um baile, como já havia tomado de Armero, contra o Palmeiras. Tá na hora do argentino jogar, Ricardo Gomes!
Graças que o treinador finalmente colocou o garoto abusado do Paraná e ele empatou o jogo em bela jogada individual. E depois, graças que o Dagoberto fez sua única jogada decente em todo o jogo: correu feito um ensandecido para salvar a bicuda tradicional do Richarlyson (pelo amor de Deus, só mesmo os idiotas da Band pra acharem que foi um lançamento a la Gérson, o canhotinha de ouro da Copa de 70!) que ia pra fora e ainda serviu Borges, que acabara de entrar, para fazer o gol da vitória.
Mas graças mesmo, antes, à segurança do maior goleiro do Brasil, São Rogério Ceni, um ídolo que tem muito o que ensinar a um Kaká, que um dia disse que era apenas um produto a defender a empresa São Paulo. O que Rogério disse, no site oficial do clube?
“O São Paulo não é apenas meu emprego, o clube onde eu jogo. Eu vivo em função do São Paulo. É minha vida. Essa identificação que tenho é muito significativa. Falar de Rogério e associar o São Paulo é uma conquista enorme, imensurável. Quero contribuir mais para o crescimento do clube, isso me orgulha, me alimenta, me motiva todos os dias”. Isso é ser ídolo!
segunda-feira, agosto 10, 2009
Voltou

O campeão voltou mas é na verdade um outro campeão, um novo São Paulo. Um time com a mesma força na marcação dos tempos de Muricy (o esquema é o mesmo, 3 zagueiros) mas muito mais envolvente. Muricy explorava seu futebol de um truque só, a bola aérea. Ricardo Gomes treina e faz seu time jogar por todos os cantos e, predominantemente, com a bola no chão. Dois gols de cabeça ontem foram detalhe, basta pensarmos nos outros gols que fizemos nas partidas anteriores.
Destaque maior ontem para dois nomes: Jorge Wagner, que armou, desarmou, deu assistência, fez gol e deu o sangue em todas as partes do campo. Foi o grande comandante da equipe. Talvez porque não tenha mais, como nos tempos de Muricy, que passar o jogo todo chuveirando na área. O outro nome é um mea culpa para todos os que o julgaram antes de começar a trabalhar: Ricardo Gomes. O cara que resgatou a tradição de toque de bola e jogadas em alta velocidade do São Paulo. O cara que fez a torcida voltar a gritar com alegria como não fazia desde os tempos da Libertadores de 2005. Porque fomos tri brasileiros com Muricy jogando feio. Agora podemos voltar a apreciar o futebol como ele sempre deveria ser: uma arte. E Ricardo ainda conseguiu tornar o São Paulo um grupo unido, superando até as desavenças entre seus atacantes ao, espertamente, titularizar Washington, mas dar um bom tempo no 2º tempo para Borges jogar e marcar. Coisas de um mestre?
domingo, junho 28, 2009
Não estamos prontos

No 2º. tempo os americanos pagaram pela covardia de tentarem segurar o Brasil lá atrás. Não se podem esperar Kaká lá atrás, pois deixá-lo arrancar é pedir para tomar gols. Depois de um giro sensacional de Luís Fabiano, em dia de Romário, no 1 a 2, foi de Kaká toda a jogada do gol de empate, marcado de novo, por LF. A virada, com os americanos seguindo na retranca, veio com justiça na cabeçada do mais obstinado jogador brasileiro, esse colosso de vontade chamado Lúcio. Brasil campeão, mas tomar sufoco do Egito, África do Sul e EUA não nos faz favorito da Copa. Por outro lado, nenhuma outra seleção de peso vem jogando alguma coisa nos últimos tempos. Sim, o Brasil de Dunga tem determinação para virar jogos, mas isso é pouco quando se fala em uma Copa. Desse jeito, acredito que a Copa do Mundo verá uma conquista inédita em 2010. Quem nunca ganhou, ganhará. Essa a aposta do Pão na Chapa hoje. Mas ainda falta um ano.
PS – Até quando Robinho seguirá fingindo que é jogador de futebol? Substituí-lo trará mais força e caráter à Seleção.
PS 2 – Creio que ainda não está pronto o companheiro de Luís Fabiano, o homem que só joga na Seleção. Talvez seja o menino Taison, do Inter. Todos os outros atacantes testados por Dunga não convenceram.
PS 3 – Precisaremos de pelo menos um volante que saiba pensar o jogo e armar. Ainda não temos, pois Hernanes parou de jogar bola faz tempo. Ramires pra mim ainda é uma incógnita.
sexta-feira, junho 19, 2009
Funeral

Borges não perdoa: Borges erra mais uma vez.
O torcedor é um órfão desgraçado e mal amado quando sabe que seu time não vale nada e mesmo assim ele vai lá esperar algum milagre. Ele vai esperar um mínimo de hombridade, vergonha na cara e dignidade. Ele quer apenas um pouco da velha raça (recuso-me a pedir “alma” desse bando de jogadores limitados no talento e coração). Ele vai lá no estádio que é sua casa porque quer apenas que esse bando resgate um pouquinho do significado da camisa brasileira que mais vezes conquistou o mais duro e sangrento campeonato do mundo, esse campeonato para valentes chamado Taça Libertadores da América.
Mas o torcedor é também um idiota passional quando sabe que seu treinador e time não merecem nada disso, e mesmo assim ele vai lá. Por isso a raiva é tão grande, durante e ao final do jogo. Poucas coisas doem mais que dar seu coração a algum clube e ver tanto descaso, tanta falta de compromisso, tanta falta de respeito e tanta grossura dentro de campo e no banco de reservas.
Nunca antes me senti tão traído como com o time do Muricy de 2009. Porque já tivemos times horríveis como nos 12 anos de fracassos continentais entre a orquestra de Telê e Raí e a esquadra guerreira de Rogério, Lugano, Luisão, Amoroso e Cia. Mas nunca tivemos um time tão sem alma como este bando que foi dominado totalmente pelo Cruzeiro nesta Libertadores. Poupemos de ontem apenas os zagueiros (André Dias, Renato Silva e incrível, até nosso odiado Richarlyson, que é fraco demais tecnicamente mas que pelo menos deu o sangue), o esforçado e limitado Zé Luís, o goleiro Denis, o incansável Jean e o menino Marlos, que tentou lançar o time ao ataque, mas ia jogar com quem, Muricy??????
Os desgraçados maiores são 5. Júnior César é um lateral que não marca ninguém e quando ataca, tem a “inteligência” de tentar cruzar com o rival a centímetros dele: bola na perna do rival, óbvio! Washington é um poste inútil, apanha da bola o jogo todo e ainda tem a postura insuportável de reclamar do juiz em todas as jogadas em que ele é dominado. Borges? Ah, o cara brilhou no Brasileirão do ano passado, é artilheiro e coisa e tal. Porra, ser artilheiro do time naquele Brasileiro sem ninguém é tão fácil que o Borges foi artilheiro do time, com um golzinho a mais que o... Hugo!!! Sempre disse: não confio em zagueiro ou atacante com cara de paisagem, cara de bunda. Sempre disse que quando a coisa aperta, o Borges - parodiando o provérbio infeliz do mito Rogério – “não perdoa: ele some”. Como é possível gostar de um cara que só tem uma jogada: receber de costas e tentar girar procurando o gol? Como gostar de um atacante que é incapaz de fazer uma tabela????? E o Hernanes, que disse na véspera do jogo de ontem que não encarava a noite de ontem como vital mas apenas mais uma, em sua “filosofia” ridícula e vazia que a mídia adora??? O máscara entrou (máscara que surgiu depois do Muricy lhe dar a 10) e foi o mesmo inútil covarde em câmera lenta de todo esse ano. Em 45 minutos não fez uma jogada decente sequer. E, o mais revoltante de sua atuação: revendo o primeiro gol do Cruzeiro pela TV, percebi o que não percebera no estádio. Lá gritei, "o cara vai chutar!" e ninguém marcou. E o homem que estava na frente do cruzeirense era Hernanes. O que ele fez? Em vez de se matar, se jogar, lutar, ele virou de costas e levantou o calcanhar. Um deboche e ausência de garra total, que é a marca de sua falta de futebol e vontade este ano. Esse tem que ir embora agora.
Pra encerrar, o que esperar de um treinador que baseia o esquema de jogo do seu time em bola na área??? O que esperar de um cara que enfrenta um jogo decisivo precisando vencer e coloca três zagueiros e dois volantes defensivos??? O que esperar de um tetraperdedor que foi batido nas últimas quatro Libertadores por clubes brasileiros??? E o que esperar de um cara que, cada vez mais “refinado”, agora não perde um jogo dos mata-matas, mas os 2, como fez com o Cruzeiro e com o Corinthians no Paulista?
Eduardo Costa? Ele e Jean ficaram sobrecarregados na marcação porque Muricy ainda não entendeu que as partidas são vencidas com o meio-campo que mais detém a bola e sabe jogar com ela. Tomou dois amarelos porque cobria o inútil Júnior César. Culpá-lo pela derrota é atenuar a covardia e burrice de Muricy.
Dagoberto? Correu muito mais que Washington e Borges juntos, têm muito mais vontade que eles, mas não é o grande jogador que acha que é. E ser parceiro de um cara incapaz de fazer um mero 1-2 como Borges ninguém merece.
Pra encerrar, nosso presidente que quer ser campeão não comprando ninguém e querendo todos os jogadores de graça. O que esperar de um presidente que não investe, que não gasta um tostão com contratações???
Parabéns, Cruzeiro, vocês pelo menos sabem fazer algo que o bando do Muricy é incapaz de fazer: tocar a bola.
Parabéns, Muricy, você e seus três brasileiros ganhos jogando feio contra ninguém acabaram de enterrar tudo o que mestre Telê criou. Toda a arte e belo jogo de Telê você acabou de enterrar ontem.
Desculpem se ofendi os idiotas, como eu, que presenciaram no Morumbi gelado ontem o funeral dessa camisa que é muito mais que nossa própria pele. Uma camisa que o Borges Samambaia vive pedindo pra deixar e o Washington Coração Insolente jamais vão entender o que significa. Uma camisa que é um dos poucos elos hoje de um pai já velhinho, boina na cabeça pra proteger do frio, andar vagaroso e seu filho que tenta vencer na vida. Um elo que estes desalmados jogadores do São Paulo 2009 não respeitam. Porque Washington, Hernanes, Borges e cia. não estão nem aí se propiciam ou não o sorriso cúmplice do pai e do filho. O sorriso do único passeio que ainda faço junto de meu pai: a ida ao Morumbi.
quarta-feira, maio 27, 2009
Campeões da Vida

Para o bem do futebol e da vida, os comentaristas estavam errados. Venceu hoje o time mais belo, corajoso e imaginativo.
domingo, maio 24, 2009
A temporada dele

Tanto atacante teve chance com Dunga, até o Afonso... Tanto cara mais badalado, como Robinho, o inútil do Manchester City ou o Luís Fabiano, aquele que vai sumir na hora h, como fazia no São Paulo quando mais precisavam dele. Falo do brasileiro que fez a temporada mais sensacional na Europa: o ágil, forte e impiedoso Grafite; ágil como uma pantera, avassalador como um tanque de guerra; preciso como um herói chamado para salvar aquelas cidadezinhas de faroeste antigo. O Grafite que fez incríveis 28 gols no Campeonato Alemão 2008/09 e que liderou o pequenino Wolfsburg no primeiro título alemão de sua história, confirmado neste sábado. O Grafite que fez até agora o gol mais bonito do ano na histórica goleada do seu time frente o poderoso Bayern de Munique. O Grafite que é o dono de Wolfsburg junto do capitão da equipe, o também brasileiro Josué. O Grafite que um dia foi alvo de racismo quando jogava pelo São Paulo e teve a coragem de denunciar seu agressor e levá-lo preso (o argentino Desábato, então jogador do Quilmes) na Libertadores de 2005. O Grafite que dava o sangue pelo São Paulo que ajudou a fazer um belo início daquela Libertadores que venceu (2005) antes de ser vendido ao exterior.
O Grafite que é herói agora no país que foi no passado um dos mais racistas da história graças àquele maluco facínora de bigodinho...
O Grafite que venceu com garra, talento e gols. Que venceu com a arte do gol antológico que reproduzo abaixo (o vídeo demora um pouquinho a rolar, mas começa):
quarta-feira, maio 13, 2009
O santo mais humano

Ontem, em plena Ilha do Retiro, Recife, a cada defesa difícil que ele fazia, atirando-se para espalmar a bola e depois caindo no chão, sua dor e sofrimento era visível. A dor de um corpo castigado por uma longa carreira e diversas fraturas no passado. Ontem essas defesas foram várias. Pelo menos três milagres no tempo normal e depois os pênaltis que defendeu (bom, esses foram mais fáceis, porque das 3 defesas, 2 vieram de jogadores do Sport que simplesmente tremeram ao ver o enorme Marcão na frente).
Marcos já podia ter parado de jogar futebol faz tempo. Campeão do mundo com a Seleção em 2002 (pegando muito em todo o Mundial, inclusive no difícil início de final contra a Alemanha). Campeão de quase tudo com o Palmeiras, incluindo uma Libertadores que ele garantiu nos pênaltis (1999, contra o Deportivo Cáli). Um campeão que depois se estourou de tudo quanto é jeito, com as fraturas. E fraturas, quando se é um atleta com mais de 30 anos, é coisa muito dura de encarar.
Mas Marcos encarou tudo e voltou a jogar em alto nível. Voltou a ser santo. E levou seu limitado Palmeiras às quartas de final do torneio mais duro do mundo, a Libertadores.
domingo, maio 03, 2009
Barcelona: O mais belo da história
O que eles fazem é muito mais que futebol. É arte. Todas juntas. Uma arte que brilha tanto coletivamente como individualmente. A arte que está na genética e alma do Barcelona, esse clube que sempre foi um monumento ao futebol jogado com beleza e alma a partir de sua marca maior: o toque de bola. O toque que antes brilhara ao máximo nos anos do holandês Cruyjff – como jogador e depois treinador, comandando os geniais Stoichkov e Romário; e um pouco quando Ronaldinho Gaúcho, bem ajudado por Deco, jogou com coração, e não com a vaidade que está acabando com sua carreira. Pois esse Barcelona de hoje, do corajoso treinador Pep Guardiola, ex-líbero de fino trato, supera bastante os anteriores pois já vem jogando dessa forma há quase uma temporada inteira. Jogando como se cada partida fosse um show inesquecível aos seus torcedores (não deveriam pensar assim os amantes do futebol?).
A arte começa com esse baixinho épico, Xavi. Verdadeiro homem-esquadra, que empurra seu time à frente com passes maravilhosos só capazes por craques visionários que ele é. E Xavi ainda tem uma vontade imparável, que o leva a roubar bolas e armar contra-ataques mortais, como no terceiro gol do Barca frente o Real (ah, foi a 6 a 2, em plena Madrid, contra um Real que vencera 17 das suas últimas 18 partidas...). A arte que prossegue em outro poeta do passe, Iniesta. Quando Xavi ou Iniesta tem a bola no meio-campo ou perto da intermediária inimiga, logo criarão passes perfeitos e rápidos, além de triangulações envolventes, que deixarão os infernais solistas e cantores do gol, Messi, Henri e Eto´o na cara do gol. E esse trio é implacável. E sabe servir um ao outro com rara solidariedade em super-craques. E preciso falar da genialidade e multiplicação em campo desse monstruoso Lionel Messi?
Há muitos e muitos anos um time não jogava com tanta beleza, arte e fúria goleadora. Uma fúria única e original como um trator passando por cima das terras adversárias com a leveza de grupo de ballet e velocidade de vídeo-game. Com a grandeza de todas as artes - poesia, música, ballet, pintura, escultura, cinema etc - juntas. Ou não é uma pintura cada trama e gol do Barça? Ou não é poesia o jeito esmerado e refinado com que eles tocam e batem na bola? Ou não é um teatro romântico a conversa que eles fazem com os pés e seus passes que aproximam os barcelonistas e iludem os rivais? Ou não é uma escultura sagrada em homenagem ao futebol arte o conjunto da obra dessa equipe a cada recital como esse 6 a 2? Ou não é um show de música, perceber tantas peças trabalhando-brilhando juntas com emoção e habilidade, vontade e amor? Ou não é um filme épico a temporada 2008/09 deste Barça insquecível?
Pensava que nunca mais iria ver um futebol tão belo como o do Flamengo de Leandro, Júnior, Andrade, Adílio, Zico, Nunes e cia; o Brasil de Telê, Cerezzo, Falcão, Sócrates, Zico, Éder e outros craques da Copa de 82 ou o São Paulo de Telê, Leonardo, Cerezzo, Cafu, Palhinha, Muller e Raí. Mas o que o Barcelona de Xavi, Iniesta, Messi, Henri e Eto´o anda fazendo o coloca definitivamente no rol das mais belas equipes da história.
Acompanhem os gols e entendam como este Barcelona é uma homenagem viva à magia e fantasia de um futebol que parecia não existir mais.
PS - Pena que tenhamos que fazer malabarismos para assisti-lo no Campeonato Espanhol (não passa nos canais normais da ESPN, que passa todos os outros jogos desse certame, e os do Barca, deixa para seu caríssimo canal na Sky, vai entender...). Mas quem quiser ver o Barça na reta final do Espanhol, é só acessar o link abaixo:
http://www.eugeniosvirtual.com/televirtual/jogos_vivo.html
segunda-feira, abril 27, 2009
Gênio

segunda-feira, abril 20, 2009
O rei do perde-perde

Primeiro a "análise twitter", curta e grossa:
Muricy é incapaz de ganhar um mata-mata.
Muricy não sabe fazer seu time pressionar o adversário, muito menos armar jogadas ofensivas que não sejam o balão na área.
Muricy foi infantil ao apontar o São Paulo na final antes de passar pelo Corinthians. Qualquer imbecil sabe que isso motiva o adversário, demais.
O diretor Leco foi um imbecil, pra variar, ao dizer que Ronaldo era um ex-jogador. Deu no que deu. O gordinho virou até velocista e acabou com a gente.
Muricy acabou com Hernanes ao dar-lhe a 10 e avançá-lo de posição.
Hernanes, com a 10, pensa que é Zidane. Nessa posição, não engraxa nem a chuteira do grande Danilo, aquele monstro, fera do tri da Libertadores, que a "sábia" Torcida Independente expulsou do Morumbi.
Miranda é uma grande farsa. Toda decisão ele falha feio. Assim foi nas duas últimas Libertadores. Assim foi ontem, quando em cima dele os alvinegros brincaram de linha de passe no primeiro gol. Zagueiro que se acha craque nunca deu certo em decisão.
Mata-mata pede alma, o que os pontos corridos não exigem tanto.
Dos 3 atacantes ontem, só Washington lutou muito. Borges ficou naquela cabeçada na trave e Dagoberto... bom, Dagoberto voltou a ser Dagoberto...
Ainda nos atacantes, ridículo e com preço alto demais o ciuminho de Washington com Borges e vice-versa. Um simplesmente não passa para o outro quando o outro está livre e em melhores condições.
Ronaldo é Ronaldo. Decidiu.
O Corinthians foi Corinthians, contra um São Paulo que não é São Paulo faz tempo.
A Independente erra até quando acerta. Bonito cantar o nome do time ao final do jogo. Bonito e estúpido, porque torcida que se preza não bate palmas pra time que faz papelão. Torcida que se preza cobra!!! Pede um camisa 10 de verdade! Pede mais raça! Pede mais inteligência!
Não dá para perder na corrida do Ronaldo, né, Rodrigo?!
Pobre mestre Telê, o qu fizeram do futebol de arte e amor que você semeou...
Tá certo que somos agradecidos pelo tri-brasileiro, mas falemos a verdade. Não adianta. Sãopaulino que se preze (e que preze o futebol bem jogado) é viúvo. Não tem títulos brasileiros seguidos que apaguem a última vez em que jogamos bola de verdade, para a frente e com arte. Somos viúvos da última equipe que honrou mesmo as nossas tradições de belo futebol temperado com garra: o São Paulo de Paulo Autuori campeão da Libertadores e do Mundo em 2005.
Os anos Muricy são do tri brasileiro conquistado de forma pragmática, fria e calculista; ou alguém aqui consegue lembrar de um show tricolor nos últimos três anos??? Ontem nosso treinador - o rei do perde-perde nos mata-matas - mostrou de novo como é incapaz de planejar uma estratégia para apenas 2 jogos. Justo ele que disse que "time com 3 atacantes é bom só pra adversário", apostou em 3 atacantes contra o Corinthians e se deu mal. Tá, poderia ser uma boa, mas Muricy já devia saber que Dagoberto simplesmente é incapaz de jogar bem quando entra de titular. O cara só resolve - e de vez em quando... - quando entra no segundo tempo e apronta sua correria habitual. Ontem foi o velho Dagoberto de sempre, uma inutilidade. Como inútil foi Borges, outro incapaz em decisões. Tão incapaz que impediu um gol de Washington ao tentar chutar a bola que estava nos pés do artilheiro mais eficiente que ele. Bom, mais eficiente em outros jogos, não ontem, quando Washington fez o tricolor ter saudades de novo do cara que realmente se matava pelo São Paulo, Aloísio.
Voltando a Muricy, qual é a desculpa agora? O cara montou o time que ele quis esse ano e me apanha duas vezes seguidas do Corinthians? E ainda descansou os titulares (poupando-os da Libertadores) pro papelão de ontem! "Ah, ele não ganhou o camisa 10, o meia que arma a equipe"... Só que tinha um tal de Junior no elenco, e simplesment foi incapaz de perceber que Junior e seus passes maravilhosos poderia ser um belo camisa 10, como está sendo no Atlético Mineiro.
Falando em Atlético, está lá outro renegado por Muricy e pela diretoria, Diego Tardelli, um grandíssimo talento que o São Paulo não teve paciência de esperar explodir de vez. E ainda no Galo está um leão do meio-campo, um cara que se mata em campo e amava o São Paulo, Renan. Vendo o futebolzinho de passarela e salto alto de Hernanes, dá raiva não termos um guerreiro como Renan. Um guerreiro que o ótimo Jean não sabe ser, incapaz que é de jogar duro (na bola) quando necessário,uma necessidade para um volante. Aliás, voltando a Hernanes, incrível como virou vedete inútil em tão pouco tempo e como é irritante a única e mesma jogada que tenta o tempo todo: um passe enjoado em que leva o pé um pouco atrás e tenta botar um efeito na bola.
Outro defeito de Muricy é o seu medo de apostar mais nos garotos da base. Ah, mas ele lançou Hernanes e Jean... Mas temos mais talentos esperando uma oportunidade e confiança. E não falo do meia Oscar, mas sim do atacante Henrique, que é muito mais hábil e guerreiro que Borges e Dagoberto juntos. E falo do lateral esquerdo Diogo, insinuante, forte, sem medo de partir para cima, bem diferente do futebolzinho inútil que o Junior Cesar vem jogando.
Chega de covardia, chega de desvirtuar a tradição ofensiva do São Paulo tão bem moldada nos anos Cilinho e Telê Santana. Chega de ficar jogando no erro do adversário ou levantando bola na área. Chega de falsos bons jogadores. Chega de erros estúpidos como avançar um Hernanes e perder o que ele tinha de melhor, a roubada de bola em que partia de trás, de surpresa. Chega de não ousar. Chega de basear quase todas as ações em um só jogador e uma só função: Jorge Wagner e seus cruzamentos. Chega desse futebolzinho tão feio e insosso.
Libertadores? Com esse time não passamos das quartas-de-final. Talvez nem das oitavas.
terça-feira, abril 14, 2009
Só um milagre agora

Só um milagre fará o São Paulo vencer - sem seu grande goleiro, líder, capitão, campeão e símbolo - o único campeonato que realmente interessa: a Libertadores. Tudo fruto da incompetência das últimas 48 horas de decisões absurdas de seu treinador e diretoria; e um pouco por culpa do próprio Rogério, que preferiu treinar em dia de folga (mas como culpá-lo, se há anos faz isso?).
O São Paulo sempre se vangloria de seu profissionalismo e planejamento diferenciados, que seriam causas importantes de muitas conquistas. Pois Muricy e cia. pisaram feio na bola duas vezes seguidas em um dia só. Primeiro no estúpido rachão que quebrou o tornozelo de Rogério. Por que o Rogério treinou em dia de folga??? “Ah, porque ele quis, é perfeccionista”, poderão dizer. Mas e o treinador? Não tem culhão pra mandar o Rogério aproveitar o dia de folga, descansar e se poupar?
Pouco depois, o planejamento e bom-senso foi pro saco de novo, com a decisão de levar um time reserva para o jogo da Libertadores na Colômbia. Péssima decisão, pois quanto menos pontos um time acumula nessa competição, mais duro será o adversário na 2ª fase e fases seguintes. A desculpa de Muricy e da diretoria é que o Paulistão agora é prioridade. Tudo culpa de outro erro, este recorrente na carreira do treinador no São Paulo: Ele é simplesmente incapaz de vencer mata-matas decisivos. Foi assim nas três últimas Libertadores. Foi assim em mais uma covarde atuação do São Paulo, ao jogar atrás quase o jogo todo contra o Corinthians, o que acabou com a justa vitória alvinegra nos descontos. Por causa do papelão domingo passado, agora se joga a campanha da Libertadores, que vinha sendo muito boa, pela janela???
Voltando a Rogério, reproduzo abaixo as palavras do colunista da ESPN Brasil, Marcelo Di Lallo, que mostra com detalhes o absurdo dos rachões:“Rogério Ceni não é a primeira vítima de um rachão, ou recreação, ou treino de reservas. Marcos já sofreu duas contusões em rachões no Palmeiras. Mas aí é que está a questão. Outros clubes, técnicos e jogadores já sofreram o mesmo problema.
Então pergunto:
- O que acrescenta o rachão?
- Por que expor Rogério Ceni, um titular, a um treino no dia seguinte de um clássico, onde falhou e com duas decisões na mesma semana?
- Por que ele não descansa? Mania de querer fazer tudo?
A verdade é que houve erro grave da comissão técnica em não poupar o jogador. Muricy Ramalho assina pela liderança do time. Errou feio! E o atleta também deveria ter a consciência de que o descanso, muitas vezes é um grande negócio, e não a constante exposição.
Os técnicos sempre reclamam do calendário e ao invés de realizaram treinos táticos para aprimorar conclusões e jogadas ensaiadas, preferem deixar o rachão rolar à vontade.
Rachão que racha! E que poderá ser fatal para o São Paulo neste primeiro semestre.
Uma dura lição!
Outro detalhe importante foi notado pelo editor do Lance, Marcelo Damato: o campo em que se joga o rachão está cheio de buracos. Portanto, mais dia menos dia, algo grave poderia acontecer ali. Marcelo lembra bem que isso jamais ocorreu nos anos Telê Santana, que fiscalizava cada campo e até tapava buracos quando os encontrava. Por que Muricy, que tanto afirma que seu nome é "trabalho, trabalho e trabalho" não se preocupa mais com os gramados do CT do São Paulo?
Só muita superação fará o São Paulo superar a perda de sua grande referência, Rogério. O problema é que, mesmo isso acontecendo, Muricy seguirá retrancando a equipe em todo jogo decisivo disputado fora de casa. E aí, meus amigos, tomaremos gols mortais no finzinho do Boca e outras fortes equipes. Os mesmos gols que já nos fizeram Grêmio e Fluminense nas últimas duas Libertadores. Caímos fora porque Muricy recuou demais o time e permitiu a pressão e classificação dos adversários.
domingo, abril 05, 2009
Quando a bola salva
domingo, março 29, 2009
O vencedor covarde

(O Coração Valente não tem a nada a ver com o medo de seu treinador)
Péssimo o futebol do clássico, de ambos os lados. Triste a covardia do São Paulo, que após fazer 1 a 0 em dois minutos, logo defendeu, linha por linha, a cartilha retranqueira de Muricy. Equipe muito mais encorpada e experiente, além de ter um meio-campo tremendamente superior, o São Paulo limitou-se, especialmente em todo o 2º tempo, a se defender, esperando o Palmeiras. É a tal da “eficiência”, palavrinha adorada por seu treinador. Por que não agredir o adversário se temos volantes que sabem jogar, como Jean, Arouca e, sobretudo, Hernanes? Por que, de novo, tanta covardia, como colocar depois mais um zagueiro, se o Palmeiras era incapaz de provocar perigo à meta de Rogério? Assim o São Paulo vai vencendo, com um futebol burocrático e frio que desonra a memória da antiga escola de futebol arte lapidada por mestre Telê. Desonra muito bem exposta hoje pelo editor do Lance, Marcelo Damato, ao atacar a covardia de Muricy e dizer que tudo o que Telê fez pelo belo futebol no clube, Muricy está fazendo o contrário, preocupando-se muito mais em se defender do que em atacar e jogar bola.
Ah, mas Muricy é tricampeão brasileiro... É, com um futebol do qual nenhum sãopaulino esclarecido se orgulha. Se alguém lembrar, por exemplo, alguma atuação maravilhosa do São Paulo de Muricy, estará mentindo.
As últimas grandes partidas do tricolor foram com Paulo Autuori, que fazia a equipe buscar o gol nas incisivas jogadas pela direita com Cicinho ou pela esquerda com as tabelas entre Danilo e Júnior.
Já o São Paulo de Muricy, com exceção dos lampejos de Hernanes, baseia-se no insuportável chuveirinho na área. O time é tão previsível que até o ofensivo Junior César, em vez de tentar mais os dribles, como na meia lua que deu ontem num palmeirense em direção da área, prefere mandar balão na área.
Sim, o gol ontem saiu de um cruzamento de Hernanes para a cabeça de Washington (bom esse não tem nada a ver com o medo de seu treinador, por isso, quando recebe um bom passe, coisa rara, guarda). E depois? Alguém se lembra do Marcos fazer uma defesa sequer???
Na Libertadores, o medo de Muricy será mortal, de novo. Qualquer time um pouquinho melhor que o Palmeiras (Claiton Xavier na seleção só poderia ser comentário do Caio na Globo, lamentável) teria não só empatado como virado o jogo ontem. Porque futebol não é paredão de tênis. Quem só rebate tem muito mais chances de tomar gols.
Quem tem medo pode ganhar seguidos Brasileiros de nível técnico cada vez piores. Mas não ganha, nem a pau, um campeonato muito mais duro (e mais técnico, sim senhor) como a Libertadores, que ainda envolve o “fator campo”. Imagina o Muricy retrancando o time no 2º tempo numa Bombonera, por exemplo: quantos minutos vocês acham que o Riquelme levará para encontrar alguém na cara do gol? E não precisa nem ser o Boca, pois jogar tão atrás não serve pra encarar também a correria da LDU (bem armada pelo bom meia argentino Manso) e outras equipes.
Quem quis ver bom futebol ontem só viu na bela apresentação da seleção argentina, um show do monstro Messi, bem apoiado por Maxi Rodriguez, Aguero e Tevez. Ou vocês acham que Don Diego Maradona ia botar sua equipe para jogar por resultado em casa? Ah, lembrando: o São Paulo jogava em casa, em seu estádio, com maioria de sua torcida.
sexta-feira, março 20, 2009
Folhetim (por Antero Greco *)

Vinha ontem pra cá disposto a falar de Neymar, a mais recente boa notícia de nosso esporte. Pensava também em fazer algumas divagações em torno da seleção e do frescor e da qualidade da safra que Dunga tem à disposição, se for ousado. Mudei de ideia ao ver na Globo, e em seguida ao ler no Estado, reportagens sobre Pedro Rocha. Sucintas, diretas e comoventes.
Antes de mais nada, você que é jovem me diga: sabe quem é Pedro Rocha? Se sabe, parabéns. Se ignora a importância de El Verdugo, me desculpe, mas vagueia pelas trevas futebolísticas. Mais ou menos como o Bruno, goleiro do Flamengo.
Pedro Virgilio Rocha Franchetti namorou a bola como poucos. Entre os anos 60 até o despontar da década de 80 desfilou sua elegância em gramados do mundo todo. Arrasou no Peñarol, seu berço em Montevidéu, depois na seleção uruguaia. Viveu o auge da carreira no São Paulo dos anos 70.
Pedro Rocha sempre foi o 10 por definição - e numa época em que usavam essa camisa mística craques da estirpe de Pelé, Dirceu Lopes, Rivellino, Ademir da Guia, para ficar em alguns exemplos domésticos. Refinado, dentro e fora de campo. Anos atrás, conversava com ele e o assunto chegou à Copa de 74. O tempo não fez diminuir a admiração pela seleção da Holanda, adversária na primeira fase. "Parecia que eles jogavam com 12, com 14", recordava. "Não víamos a cor da bola." O Carrossel ganhou por 2 a 0.
Rocha aos 66 anos enfrenta problemas provocados pela erosão que a idade provoca em nosso corpo vulnerável. As imagens da tevê que mostram o senhor de hoje são apenas um registro do tempo. Fiquei emocionado, mesmo, ao rever breves lances da magia que eram seus toques, dribles, passes e gols.
O presente de Rocha não difere muito daquele de tantos ex-jogadores. Nostalgia de outras eras, contatos com poucos amigos boleiros (Muricy e Terto são os mais próximos) e ver futebol pela tevê como passatempo. Aposentadoria precoce, depois de aventuras como técnico.
Para a minha geração - sim, lembro da conquista do tri em 70 -, Rocha é um símbolo, um mito, um monstro sagrado, um astro e outros adjetivos surrados mas que o tempo não corrói quando se trata de definir aqueles que de fato os merecem. Profissional já rodado e experiente, várias vezes controlei o impulso de pedir-lhe autógrafo durante uma entrevista. Cá entre nós, me arrependo...
Gente como Rocha merece respeito, porque tem lastro, estofo, acumulou tesouros esportivos que não somem. Só que mesmo ele corre o risco, ainda, de passar por saia-justa como ocorreu com Andrade. Lembra? Na semana passada, após bate-boca banal de fim de treino, na Gávea, o goleiro Bruno saiu de campo vociferando contra o auxiliar de Cuca: "Você não ganhou nada como treinador". Assim, como se falasse com um zé-ninguém. Não imaginava a repercussão negativa de seu destempero, por ignorar o meia que, nos anos 80, formou um dos maiores esquadrões do futebol e que venceu tudo com o Fla. Bruno admite até ir embora, espera avidamente convites e fala-se que o Benfica será seu destino. Sorte sua, se isso ocorrer.
Mas a atitude de Bruno não surpreende em um país em que não se respeitam os mais velhos, em que se diz, como se fosse gracinha inteligente, que quem gosta de passado é museu. Não é por acaso que muitas vezes os Rochas e Andrades que nos alegraram são tratados com desdém, o que me remete a Chico Buarque, em seu Folhetim: "Mas na manhã seguinte/Não conta até vinte/Te afasta de mim/Pois já não vales nada/És página virada/Descartada do meu folhetim".
* Publicado em O Estado de S. Paulo (20/03/09)
PS - Para ilustrar este belo texto de Antero Greco, procurei por fotos de Rocha com a camisa uruguaia, seleção que representou com alma e arte em Copas do Mundo, mas só encontrei esta foto pequenina. Tristes tempos em que deuses da bola como ele são praticamente esquecidos. Graças que existe o Youtube e torcedores-homens apaixonados que sabem o valor do passado, como essa belíssima homenagem que encontrei e posto abaixo:
domingo, março 08, 2009
SobR9enatural
Mais uma vez ele calou todos os seus críticos e suas próprias bobagens extra-campo. Mais uma vez ele provou o que não devíamos esquecer jamais: que ele é um dos maiores atacantes de todos os tempos e um dos monstros sagrados da história do futebol. Sim, não achava que sua terceira volta à bola renderia dias como esse. “Devia ter se aposentado faz tempo”, eu disse a minha mãe esta semana. Sábia e sensível, ela me mostrou, mais uma vez, a verdade: “Aposentar como? É o que ele sabe fazer, é o que ele mais ama nessa vida. Imagine se você nunca mais pudesse escrever...” sentenciou, definitiva, dona Vera Aguiar.
Sim, Ronaldo, mega milionário e sobrevivente de três dramáticas cirurgias, já podia ter parado faz muito tempo. Ainda bem que não o fez. Todos que não agüentavam mais o exagero da cobertura da mídia em sua passagem pelo Corinthians ficaram felizes com o gol redentor e com sua tão humana explosão na comemoração junto do alambrado. Lembrei de minha mãe, que infelizmente não pode ver isso ao vivo (justo ela que me ensinou que a vida é ao vivo; justo ela que não acha a menor graça em ver as coisas depois de que aconteceram). Mas fique sabendo, mãe, que seu filho que cismou tanto com esse Fenômeno, não conseguiu esconder a alegria em ver não só o gol, aos 45 do 2º tempo!, mas o êxtase de alegria com que ele festejou mais um cala-boca naqueles que adoram meter o pau antes da hora. Naqueles que esquecem rápido, como eu e muitos fizeram.
Perdão, Ronaldo. E obrigado, além do gol, pelos belos e insinuantes lances que você criou nessa meia hora mágica, com direito a giros, cortes secos, um chute sensacional de longe no travessão (uma pancada com a marca dos craques, colocada) e um drible seguido de cruzamento perfeito para a cabeça de um companheiro que não soube fazer o gol.
Nesse futebol tão pobre do Paulistinha, você faz mesmo a diferença, mesmo ainda gordo e lento, mas só físico. Porque a mente e seus gestos continuam com a marca dos grandes nomes da história.
Que você brilhe ainda mais, que recupere a forma e que nos ensine o que é resistir. O que é renascer. Na verdade, não precisaria fazer mais nada, porque o que fez hoje já entrou definitivamente para a história das voltas por cima mais incríveis do esporte mundial. De novo.
De novo!
A se lamentar apenas a falta de nobreza, mais uma vez, de Wanderley Luxemburgo. Em vez de aceitar a obra do Fenômeno, ficou dando xilique com a arbitragem na hora do apito final. Em vez de entender a beleza do futebol, preferiu a covarde atitude dos que não sabem perder.
Valeu, ex-Fenômeno, agora, legítimo Senhor Sobrenatural!
sábado, janeiro 17, 2009
A dor do Brasil

Milar morreu como centroavante
Por DAVI COIMBRA
segunda-feira, dezembro 22, 2008
O Herói da LDU

Não me apaixona um time que conquista o mundo e não dá a mínima para isso, talvez porque o Mundial dê muito menos dinheiro do que a Champions League ou o Campeonato Inglês. Não me encanta um super astro que joga muito (mas bem menos que o verdadeiro melhor do mundo, Lionel Messi) mas que é arrogante dentro e fora de campo e ainda ostenta aquele sorrisinho besta a cada falta que acha que sofreu.
Os verdadeiros heróis para mim foram os homens que colocaram a pequena LDU no mapa mundi da bola. Depois da épica conquista da Libertadores em pleno Maracanã, contra o Fluminense, primeiro troféu internacional de uma equipe do Equador em toda a história, Cevallos, Mansio, Bolaños e cia venderam caro a derrota para o super time inglês. Sim, perderam, mas o que ficará de mais bonito nesta final para mim não será a jogada envolvente que resultou no gol de Rooney. Será a imagem do goleiro Cevallos imobilizado junto da trave do gol que defendia, do gol que não conseguiu defender do chute mortal de Rooney. Só, com sua dor, Cevallos ficou minutos encostado à trave. Os minutos que simbolizaram o fim do seu sonho mais bonito. Do sonho mais bonito não só dele mas de todo um país para quem o futebol é uma das poucas alegrias. Assim é em todo país sul-americano pobre.
As lágrimas de Cevallos são também as lágrimas de quem ama o futebol, de quem faz daquele palco verde uma razão de sentir, existir e sonhar.
Cevallos venceu o destino mesmo já um veterano, quando superou os críticos que o davam como acabado e velho antes da Libertadores deste ano para ser o grande herói na conquista da América, pegando três pênaltis naquela final. Hoje ele fez um verdadeiro milagre numa cabeçada de cima para baixo de Tevez e fechava o gol até o chute mortal de Rooney. Era o fim. Espero que no gol, o comentarista da ESPN Brasil, não tenha dito a mesma maldade que disse logo no começo da partida. Após fazer aquela defesaça testada de Tévez, o comentarista disse que ele “não é um mal goleiro”. Poucas frases poderiam ser mais depreciativas como essa. Falta a esses homens da TV que babam o ovo em qualquer jogadorzinho que atue no milionário futebol europeu a humildade, decência e espelho de olharem com respeito para os pequenos grandes jogadores do mundo fora da Europa. Cevallos é sim um grande goleiro, o mais importante da história em seu país. Um dos mais heróicos e inacreditáveis da história do torneio mais duro do mundo, a Libertadores. Por isso suas lágrimas emocionaram quem ainda ama o futebol. Quem ainda acredita que a fórmula milhões + craques sem pátria ainda podem perder para a raça e amor dos pequenos.