segunda-feira, dezembro 27, 2010

A trilha de 2011


Final de ano é sempre um parto. Exaustos, só pensamos nas férias, numa praia ou qualquer lugar distante da neurose, barulho e suor do trabalho e vida cotidiana. Os que ainda não conseguiram partir se viram largados no sofá vendo filmes até tarde, lendo um bom livro ou escutando belas canções. Quem prefere a última opção, melhor ainda se puder curtir um som junto de sua companheira. Pra vocês então, acessem esse fantástico blog feito para uma noite daquelas... O nome do blog já diz tudo, Sex Music... É só apertar o play que o set list gigantesco começa a tocar e bandas famosas como The Killers e outras desconhecidas, como a ótima Iron & Wine, só querem que vocês tenham uma noite inesquecível.Cliquem em

quarta-feira, dezembro 15, 2010

Dreams

(Pessoas que são canções)

We'll get higher and higher
Straight up we'll climb

Era a mais livre das meninas. Queria voar. E voava. Mais louco ainda, queria viver disso. A ginástica olímpica era seu sonho de vida. Passeávamos na praia e de repente ela dava paradas de mão, fazia estrelas e detonava a ignição daquela louca manobra. Um salto mortal para trás. Um voo tão bacana e alegre que sempre desconfiei que foi um desses que fez meu melhor amigo se apaixonar por ela.
Paty via o mundo de ponta cabeça, ao contrário. Ela fazia muitas coisas ao contrário. Numa época meio certinha e careta, o início dos anos 90, ela era uma legítima roqueira que ia no quarto dos amigos escutar o bom e velho rock and roll, especialmente a banda de seu coração, Van Halen. E era também uma guardiã dos sentimentos mais belos do passado, as amizades verdadeiras que geralmente são mais criadas quando somos ainda tão jovens.
O tempo correu demais. Enquanto seu amigo aqui - que sempre desejou ser, mais que amigo, irmão - andou em círculos e algumas ladeiras vida afora, Paty seguiu voando alto direto para os seus sonhos. Como um avião de caça, ela foi lá pra cima feito essa canção que é a cara e alma dela. Dreams. Do seu Van Halen.
O comecinho da música já é ela: o teclado clássico e belo é igual à olhada profunda que ela dá na gente com seus olhos pequenos mas intensos; e, quando ao teclado junta-se a bateria, e depois a guitarra e o canto, é hora dela falar com a gente com a mesma alegria e garra de viver que ela teve ontem, hoje e sempre.
O único problema é o tempo e a distância. Paty é treinadora lá no Qatar e por isso não a via há 3 anos e meio, desde o Pan do Rio quando ela veio, do Japão onde vivia, ser árbitra de ginástica.
Ela não sabe como os anos sem poder conversar com ela, cara a cara, fizeram falta.
Faz falta demais aquela com quem dividi alguns dos anos e momentos mais bonitos e intensos da minha vida.
Aquela que um dia percebi irmã talvez naquele show dos Stones em que tomamos 7 horas de chuva seguidas nos Pacaembu mas nos emocionamos juntos com a garra imortal de Mick Jagger, uma garra tão parecida com a dela.
Mas ontem a vi de novo, e no bar em que fomos, rolava, claro, rock. Scorpions, outra banda que participou um pouco de nossa história e juventude.
Ontem ela pôde me dar uma atenção de novo, pois, eu, egoísta, queria mais isso até do que saber do primeiro filho dela. Desculpa, irmã, mas era muito tempo sem te ver e sem contar com a sua força.
Mas saiba que de alguma forma me ajudou. Porque você, mesmo agora uma mãe, ainda possui aquele mesmo brilho, melodia e versos que só a sua banda conseguia mesclar com tanta perfeição. Por isso, de algum jeito aproveitei algumas coisas que me falou. Porque você segue sendo a Van Halen girl, por isso
we'll get higher and higher, leave it all behind. (vamos chegar alto, alto, deixe isso pra trás...vou tentar...

we'll get higher and higher, who knows what we'll find? Vamos chegar alto, alto, quem sabe o que vamos encontrar?

Obrigado por me fazer olhar pra cima de novo.
E vê se não demora tanto a voltar.

quarta-feira, dezembro 08, 2010

Paul - O homem que cantou nossas vidas

You and I have memories
Longer than the road that
stretches out ahead


Você e eu temos memórias
Mais longas que                 
a estrada que se estica adiante

Morumbi, 22/11/2010. Aquilo não foi um mero show, foi sim um encontro, foi história. Ali não estava um profissional entregando um serviço (coisa que Bono, infelizmente, vem fazendo há anos) e sim um músico oferecendo sua arte. Sim, havia um set list, mas a lista era na verdade uma retrospectiva de nossas próprias vidas, pois cada canção mexia com um sentimento especial de cada privilegiado (a) que esteve no Morumbi naquela 2ª feira inesquecível. Sim, claro que Paul é também um profissional, mas a alma do antigo menino de Liverpool ainda está lá, e quando ela está, cada nota, melodia e palavra nos envolve. Envolve-nos como um amigo do peito nos dizendo verdades, como uma mãe tentando nos aconselhar pela última vez (when i find myself in times of trouble, mother Mary comes to me speaking words of wisdom, let it be...), uma paixão nos assaltando de novo (close your eyes and i kiss you, tomoroy i´ll miss you... all my loving i´ll send to you) ou o próprio tempo e algum acontecimento em especial que resolve se revelar de novo, yesterday all my problems seemed so far away... , enquanto Paul canta algum dos hinos dos Beatles.
Enquanto Paul canta algum hino da maior banda de todos os tempos, canções que elevam ao máximo nossos corações e lembranças. Incrível como cada canção, para os que já viveram um bocado, resgatava um momento de nossas vidas.
Tudo começou quando ele sentou-se ao piano pela primeira vez, tocando notas que não eram meras notas mas as suas veias, as nossas próprias veias, ao cantar que a vida é uma the long and winding road, uma longa e larga estrada. Sim, a canção é de um amor partido, mas como em tudo dos Beatles, é tão bela nas melodias e palavras que sua dor, you left me standing here, a long, long time ago..., você me deixou esperando aqui, há muito, muito tempo atrás  é pulverizada pela beleza.
Pela beleza de um cara e uma banda que interpretaram e traduziram os sentimentos mais simples e verdadeiros com uma precisão poucas vezes equiparada por uma banda de rock, talvez porque poucas vozes soam tão cristalinas e naturalmente belas, sem gritos fora de tom, como as de Paul.
Por isso Paul foi especial, por isso que ouvi-lo naquela noite, e agora, nos vídeos deste show postados no youtube, de novo emociona, arrepia, pode até botar a emoção para fora numa lágrima que não é qualquer
E numa alegria que não é qualquer, porque, reafirmo, suas canções mais tristes são tão belas que nos elevam. Pelo poder da canção, pelo poder da música, pelo poder incomparável de Paul e de toda a mágica que ele um dia criou e entregou com seus três companheiros daquele grupo que era a vida traduzida em canto, guitarra, baixo, bateria e piano.
Pelo poder desse mago Paul, que conseguiu transformar a tristeza numa alegria inesquecível, como em Hey Jude: take a sad song and make it better, pegue uma canção triste e faça-a (torne-a) melhor. Faça-a feliz.
Quisera ser possível que pudéssemos escutar essas canções todos os dias, assim não deixaríamos de acreditar na esperança de cada canção dessa.
De cada emoção entregada por Paul, e pelas milhares de vozes que comungaram desses sentimentos juntas, naquela noite mais que memorável. Naquela noite fundamental. Portanto, vocês que estiveram lá, tentem lembrar do que viveram e sentiram. Os céticos dirão que foi apenas um show. Jamais entenderão o que foi aquele imensa verdade e beleza coletiva de milhares de pessoas, entre estranhos, amigos e amores, recebendo e devolvendo o mesmo amor pela música e pela vida.
Pela vida que é música. Que deveria ser sempre musica.
A síntese de tudo o que Paul nos proporcionou foi talvez esse par de versos dizendo que existirá uma resposta para nossos medos, sonhos e dores,
there will be answer
Let it be
Vai existir uma resposta, deixe rolar....
Sim, muitas vezes não há saída, e nos perguntamos
Why she had to go, i don´t know.
Now i need a place to hide away

Quando os amigos já não estão presentes, ou dispostos a nos escutar ou procurar, só contamos com nós mesmos, com o pai e com o maior amor do mundo, que é sempre o da nossa boa e velha mãe.
Podemos contar também com a força de Paul, de sua antiga banda e suas canções.
E contamos com a sabedoria e conselhos desta amiga que estará sempre lá, pronta para nos abraçar:
a música.
Blackbird singing in the dead of night
Take these broken wings and learn to fly
Pegue essas asas quebradas e aprenda a voar.
All your life...

PS - Lá em cima, que John siga descansando em paz, 30 anos depois.

segunda-feira, dezembro 06, 2010

Muricy - O homem reto

Ele nem precisava provar mais nada de seu caráter depois de recusar a seleção brasileira porque seu clube e patrão não aceitou liberá-lo. “Não quebro meus contratos”, afirmou na época Muricy. Ninguém do mundo sujo da bola o criticou publicamente por isso mas muitos o julgaram tolo por essa recusa.
O tempo e talvez a justiça divina o premiaram com o título brasileiro mais sofrido de sua carreira, este, com o seu Fluminense. Com um time que sofreu tanto com contusões ao longo de todo o Brasileirão – Fred, Emerson Sheik jogaram muito pouco, Deco também ficou bastante tempo fora, o goleiro titular também e Muricy descobriu Ricardo Berna.
Para suprir a ausência de suas estrelas, o treinador soube formar um time de guerreiros mas que jogaram um bom futebol graças à regência e toque de bola deste gigante armador baixinho chamado Conca. O argentino foi o toque de classe deste Flu bicampeão brasileiro.
 Mas falemos do mais importante, porque quando se fala em Muricy a bola vira vida.
Vida porque diferente da maioria dos personagens no futebol brasileiro de hoje, promessas, estrelas e celebridades vazias e vaidosas, Muricy, ao falar de futebol, fala de coisas maiores.
E isso, num país tão cheio de malandros que usam todo artifício para obter vantagens, é importante demais. Enquanto a CBF e a FIFA, por exemplo, semeiam barbaridades atrás de barbaridades (Copa no Qatar é brincadeira, um “tô nem aí pro futebol!, quero é grana!”), Muricy, o homem reto, semeia nobres valores.
Reto da retidão não só de suas palavras como de suas atitudes.
“Agora é trabalho”, ele dizia no São Paulo, com a simplicidade sábia e digna de Rocky Balboa dizendo aquele “lutadores lutam”. E ontem, foi mais uma lição de vida escutar algumas de suas frases. Uma delas escutei na rádio ESPN Brasil. Enquanto falava de sua relação com seus jogadores, ele explicava que não faz diferença entre as estrelas e os jogadores menos badalados. Não concede privilégios, e isso é vital para ter um grupo unido. Muricy sintetizou isso então ao dizer que “não sou simpático, mas sou correto com os jogadores”.
Correto. Quantos se preocupam com isso hoje? Pior, quantos não dizem que ser correto é ser um tolo, um babaca?
Graças que Muricy se preocupa e talvez por isso o Mestre e Homem maior da história de nosso futebol tenha aparecido para ele em sonho, na véspera da decisão para o Flu: Sim, só mesmo Muricy para ser agraciado com a presença de Mestre Telê Santana em seu devaneio tão real antes da consagração de ontem.
Lá vai então Muricy Ramalho, conquistando com correção, caráter e dignidade o que muitos, neste país, só obtêm com tramoias, acordos, subornos e outras sacanagens: a vitória.
O Mestre está orgulhoso lá em cima.

sexta-feira, dezembro 03, 2010

Val(h)a-me, Deus!

Plena 5ª. feira, enquanto a galera de Sampa fritava em trabalhos insuportáveis (é sempre insuportável trabalhar em dezembro, ninguém aguenta mais) eu ria feito bobo pelo privilégio de ser um freelancer e poder entrar no mar. Era muita sorte eu ter marcado uma entrevista com um mito do surf brasileiro na praia justo neste dia, mas antes eu iria surfar. A previsão acertara em cheio: o único dia com chances de algumas boas valinhas era esse. Melhor ainda que o vento não dera as caras e as meninas azuis-esverdeadas estavam lisinhas como pele de mulher gostosa que se cuida (é o verão hehe). Por isso que gritei sozinho, ao olhar as valas, “Vala-me Deus!”
Logo curtia uma session em solitário, o que é comum durante a semana neste pico incrustrado em um condomínio gigante.
Logo uma de minhas pranchas mágicas, uma Evolution vampiresca (agarra as paredes como uma vampira metendo os dentes no pescoço de sua vítima) feita pelo grande Kareca da Shine surfboards, me levava a passear em alta velocidade. Não tem erro, quando o mar diminui de tamanho essa menina sedenta me deixa em condições de surfar qualquer coisa minimamente surfável.
Depois de uma session rápida, 90 minutinhos, a cabeça tava feita. Bora trabalhar no litoral norte. Na volta ao meu pico, o vento fizera sua caca, mas mesmo assim entrei, torcendo pra chuva que pintava alisar as meninas.
“Vai, Santo Pedro!, manda a bala, beija as meninas com vontade!”, eu gritava, mas o Santo só mandou uma chuvinha leve. Raras merrecas (é, o tamanho diminuiu ainda mais) deram uma ajeitada. E aí, meus camaradas, as poucas valinhas que acertaram, junto com a chuvinha gostosa batendo no rosto, aí o sorrisão invadiu o rosto. Lá fora, com o oceano preenchendo o coração vazio, a felicidade, mesmo tão breve, renova a vontade de viver.
O surf sempre renova, qualquer surf.

segunda-feira, novembro 29, 2010

Mais um recital histórico

Todos os detalhes da magistral apresentação do Barcelona de Xavi, Iniesta, Messi e cia contra o Real Madrid, 5 a 0, fora o baile, você lê aqui

quinta-feira, novembro 25, 2010

A última canção


   Todos os dias quando acordo
   Não tenho mais
   O tempo que passou


A última canção e as últimas perguntas são sempre as mais duras.
Partir, para eles, é sempre duro.
Ficar, para mim, é sempre duro.
Sim, fico feliz por perceber como eles e elas cresceram. E como ganharão o mundo. Mas a gente, o suposto adulto mais maduro, não está preparado para certas perguntas:
“Como será a minha vida a partir do ano que vem, sem suas músicas, seus textos, suas palavras e abraços?”, assim ela perguntou na última redação.
Não sei.
Não sei, sobretudo, como será a minha vida sem seu sorriso preguiçoso das 7 da manhã. Sem seu olhar indecifrável (nunca descobri se era sono, um “não tô entendendo nada” ou “pode falar que eu tô pensando fundo” hehe).
Sem seu abraço, tão forte e sincero, que reunia cada pedacinho dolorido e colava o mais partido dos homens.

De repente estavam todos vocês escrevendo.
De repente eu queria que suas folhas de papel não terminassem nunca.
De repente acabou.
De repente eu li:
“Você me ajudou a melhorar, a mudar”

Vai, garoto, sempre em frente!

De repente minha cachorrinha cega largou o sofá lá de baixo e apareceu aqui em cima pra ficar comigo. A mesma cachorrinha do notebook com que eu tocava as canções pra vocês.
Não sei o que a Capitu quis me dizer. Só sei que existirá um dia um avanço tão grande nas comunicações e no coração humano que antigos alunos que quiserem ver seu antigo professor poderão simplesmente pensar e aparecer. E o professor simplesmente sentará no chão com eles, baterá aquele papo, tentará dar algumas indicações e tocará mais alguma canções.
E o professor ainda dirá: “pega uma folha de papel...”. E o antigo aluno ou aluna simplesmente começará a escrever no caderninho que trouxe da nova vida de onde veio.

Só sei que não haverá mais
a menina tímida e guerreira tentando se expressar e mostrar o quanto gosta da gente, mesmo se eu a zoasse sempre com a mesma tolice da mostarda e tirando onda da sua paixão pelos mangás;
o moleque meio grosso e metido a durão, que na verdade era um ser tão leal quanto a própria definição de lealdade, por isso ele tentou dizer tanto no último dia, ele não queria que acabasse;
a pequenina mais tímida ainda, que lá do seu silêncio recebia cada texto, filme e música com um grito interior; o grito de sua vontade de viver após encarar tantas adversidades;
o garoto contestador de tudo que um dia começou apenas a dialogar e ajudar a acordar uma turma toda com sua atitude;
a menina-âncora que não saía do lugar e não parava de falar enquanto semeava alegria e esquentava nosso corpo e alma com o mate quentinho que trazia de seu povo e coração;
a doce menina recém-chegada que tinha medo de mostrar a verdade de seu coração e um dia descobriu que “tenho certeza que não vim parar à toa aqui. Existia algum propósito...”;
o menino preguiçoso que várias vezes se transformava num mini rocky balboa pelo tamanho, enorme, de seu coração; o porão, o porão... já dizia o grande Rocky.
o moleque que mergulhava em cada debate com a mesma vontade e paixão que despejava no tatame de seus sonhos, e esse moleque ainda sabia, muitas vezes, me mostrar como essa aula era importante;
a menina mais sofrida, e mais valente, aquela que um dia teve a coragem de expor sua história de vida na frente de todos, porque seu professor debiloide que não tinha preparado aquela aula inventou de pedir para cada um contar a sua história, e ela seguiu tendo coragem de falar as coisas mais importantes;
A menina ex-emburrada que cada vez mais ia deixando a birra por aquele rosto sublime de quem olha com amor e recebe com amor. A menina que um dia lhe disse que tinha letra feia de homem e quase a perdi por isso. Sorte que naquele tempo ainda tínhamos aquela canção:
Temos muito tempo
temos todo o tempo do mundo


Sorte que um dia ela começou a escrever com uma beleza rara, mesmo com aqueles garranchos (haha, brincadeira!).
Sorte que um dia ela, que odiava ver meus vídeos, me disse que agora amava ver filmes, e teve questão de me dizer isso com uma gratidão no tom de voz e olhos que dizia tudo.

Não foi tempo perdido.
Nunca era com vocês.

“A próxima vez que te ver quero vê-lo muito muito feliz... espero poder ouvir você contar que ensinou surf para sua filha”, disse a guerreira da mostarda.

Sim, sonho com isso. Mas hoje, mesmo triste demais pela partida de vocês, sinto-me muito feliz por ter ensinado alguma coisa e, sobretudo, aprendido tanto, com vocês.

Então me abraça forte
E diz mais uma vez...

Obrigado por essas aulas-encontros-terapias inesquecíveis.
Obrigado por terem tornado essas aulas em experiências de aprendizados e amor.
Obrigado por tanta força e afeto sincero por seu professor.
Obrigado por suas últimas redações.
Obrigado por sua última frase, mas não sei respondê-la, minha querida:
“Vou sentir sua falta... e agora “quem é que vai nos proteger?”

PS – Esse texto é também para todos os outros que começaram o ano junto com a gente.
Para a menina que participava tanto e olhava como o coração tão transparente que ela tinha, e ainda tinha aquele maravilhoso sotaque engraçado.
Para a moça que mesmo tão bela tinha ainda mais bonito o olhar e suas palavras doces como música
Para a nossa querida ex-mais briguenta que um dia se transformou na mais meiga, e ainda tinha a coragem de torcer pela gente e dizer isso para nos animar
Para o cara que parecia ser mais reservado mas que um dia, após aquele filme do Che, percebi ser um grande coração sonhando com um mundo melhor, para todos
Para o mais vagabundo mas um vagabundo como Carlitos – humano, querido, engraçado e afetuoso como um filho.
PS 2 - O texto é também para todos os moleques e meninas especiais que um dia tiveram a honra de estudar, aprender e viver com essas pessoas inesquecíveis.

domingo, novembro 14, 2010

Faltou pouco

Gamova pulveriza o bloqueio triplo brasileiro
Após uma monumental virada na semifinal contra o Japão - de ataque muito rápido e uma defesa fantástica das nipônicas - um dramático 3 x 2 após perdermos os dois primeiro sets, com uma dura perda de 35 a 33 no 2º set, não deu para vencer o poderoso ataque e bloqueio das russas lideradas por essa implacável Gamova, a gigante no tamanho e técnica, 33 pontos na decisão. Sim, perdemos de novo um jogo decisivo para as russas no tie-break, como acontece em Atenas´2004 e no Mundial de 2006. Mas pelo menos agora os idiotas não poderão dizer que “as meninas amarelaram de novo”. Não poderão dizer isso porque vencemos as russas na semifinal de Pequim´2008 e depois as meninas trouxeram o ouro.
Não vencemos hoje por alguns motivos-chave: a levantadora Fabíola tentou, mas substituir a mágica e fria levantadora Fofão, é impossível. Falta a Fabíola a velocidade que a veterana imprimia e uma maior versatilidade na hora de distribuir. Ou seja, Fofão era genial, Fabíola apenas uma boa levantadora.
Outro problema de ausência: duas campeãs olímpicas em Pequim, a titular Mari, nossa atacante mais fria, e a sempre importante Paula Pequeno, outra atacante poderosa, não estiveram no Mundial por se recuperarem de cirurgias.
Na decisão de hoje as brasileiras não conseguiram parar a impressionante Gamova e faltou mais calma para vencer o bloqueio russo. Apenas Sheila, em maior escala, e depois Natália, conseguiram virar mais bolas, mas a jovem Natália pecou em alguns momentos por tentar furar a muralha adversária em vez de explorar o bloqueio, como sempre pedia nos tempos o treinador Zé Roberto. Nossa outra atacante, Jaqueline, teve altos e baixos, e cometeu o mesmo erro de Naty em alguns lances decisivos.
Nossas meios de rede, Thaísa e Fabiana, foram bem no ataque, mas poderiam ter sido mais acionadas por Fabíola, e poderiam ter rendido bem mais no bloqueio. E faltou a Thaísa ficar mais ligada: tomou umas três bolas de segunda da levantadora russa e ainda não colocava a mão no ângulo correto em várias tentativas de bloqueio.
Não deu. Mas no vôlei, mais importante é sempre a Olimpíada. Esperemos então estar com time completo em Londres´2012 e que Fofão, quem sabe, aceite repensar sua aposentadoria da seleção. Com ela podemos sonhar com o segundo ouro olímpico. Sem ela, ou aparece uma jovem com muito talento ou dependeremos de novo de levantadoras apenas boas, não excepcionais, como Dani Lins e Fabíola.
S - A história poderia ter sido diferente caso o árbitro coreano não tivesse mudado a marcação do bandeirinha em um momento-chave do jogo. Era o tie-break, Sheila atacou uma bola boa, era o 8 a 6 para o Brasil. O juiz principal deu a bola como fora, as russas empataram em 7 a 7 e daí pra frente comandaram o placar até vencerem o set e o jogo. Detalhe: esse juiz coreano foi o mesmo que arbitrou as outras duras derrotas polêmicas do Brasil para a Rússia, em Atenas e no Mundial passado. Zé Roberto pediu que ele não fosse escalado. A Federação não aceitou.

quinta-feira, novembro 11, 2010

Exemplares na quadra e caráter


Ah se todos os grandes atletas brasileiros fossem assim. Na madrugada de terça pra quarta, acordei para vê-las. Acabei capotando, mas acordei a tempo de vê-las dando entrevistas ao final da bela vitória contra as americanas. Quando Jaqueline surgiu, o repórter perguntou como se sentia ao ter se destacado tanto no ataque, o que não é comum já que Jaque faz mais funções defensivas e técnicas (tem o melhor passe da seleção e defende como poucas). Jaque, mesmo sendo a maior pontuadora da partida, respondeu: “Sou mais uma coadjuvante mesmo, jogo para a equipe, mas é bacana quando faço muitos pontos”.
Sim, essa formidável Jaqueline, jogadora completa (poucas no mundo defendem e atacam tão bem, e são tão técnicas), preferiu assumir sua condição de carregadora de piano do que aproveitar os louros de seus 18 pontos em partida tão dura contra as vice-campeãs olímpicas. Fiquei imaginando se algum grande nome do nosso futebol teria a humildade de mostrar a mesma opinião.
Pouco depois, outra que fez belíssima partida, a meio de rede Thaísa, começou a chorar quando a TV a colocou em contato, direto do Japão, com seus pais, que estavam no Brasil. Lembrei dos idiotas que criticavam a sensibilidade de nossas meninas do vôlei antes delas se consagrarem campeãs olímpicas em Pequim e calarem a boca dos que as acusavam de sensíveis demais.
Bela e bem-vinda, até exemplar para as crianças e jovens que dão seus primeiros passos no esporte, é o coração sensível, de quem sente demais, de nossas meninas do vôlei.
Sábado cedinho, 7 horas, tem mais. Hora da semifinal contra o Japão. E domingo, a grande final.
PS – Bem diferente do super vencedor mas histérico Bernardinho, como é bom admirar a calma e broncas nas horas certas desse excepcional treinador e ser humano, Zé Roberto Guimarães.
 
 

segunda-feira, novembro 08, 2010

O homem que amava o futebol

Nenhum outro amou – e ama - tanto o futebol como ele.
Nenhum outro precisou tanto do amor da torcida.
Nenhum outro precisou tanto escutar o seu nome gritado pelas torcidas e por todo um povo.
Leia o texto aqui