segunda-feira, julho 25, 2011

El arte de ser Celeste

No dejen decirles que ustedes son solamente garra. No dejen decirles que ustedes no tienen grandes artistas, del tamaño de otros grandes campeones.
No dejen decirles que esa selección es solamente un equipo bien organizado, donde juegan hombres que están juntos hace mucho tiempo.
No dejen los derrotados y algunos periodistas extrangeros- que no saben ver más allá y más para dentro - intenten disminuir el valor de esa Celeste.

No dejen, porque no es verdad.
La verdad es que no hay hoy, en el Mundo, un delantero tan completo como Luisito Suárez, una tormenta para cualquier defensa adversária, un ilusionista, un inventor de espacios donde no hay, un mágico, un matador implacable frente a frente con los arqueros. En ese grande western que son los partidos de decisión, Suarez es el Clint Eastwood del gol. No duda nunca. Marca. Y, pistolero romántico (¿existe eso en las películas?), tiene el placer de dejar algunos disparos fatales para sus compañeros, como hizo en el último gol. El gol que consagró su amigo y también matador, Diego Forlán.
¿Acuerdante del arte, que empezó ese texto? Forlán es arte puro cada vez que sus piés tocan la pelota. Mirarlo es como volver en el tiempo y revivir aquellos maestros del snooker, que daban sus tacadas con una clase, estilo y fuerza mágicas. Es Forlan también un esgrimista del fútbol, haciendo siempre un gesto casi perfecto de patear la pelota. Como sí fuese un D´Artagnan del balón, no solamente pateas, mata, hace siempre un gran touché!
El destino y la poesía épica que escriben los grandes campeones no podia dejar el mosquetero sin besar las redes en esa Copa América ya mítica. Hicelo dos vezes, porque es um hombre de leyenda, y la leyenda del mayor goleador de la história de La Celeste necesitaba el número 2.
El mismo número, pero en las espaldas, lleva o Gran Capitáin, el General, Ese verdadero Rey Viking. Diego Lugano, El Thor charrúa, un monstruo, el hombre que mira altivo los exércitos enemigos y gritales con todas sus venas: NO PASARÁN! Y, caso lo casi imposible suceda, que Lugano sea derrumbado, los adversários veen El Sucesor del Furioso, veen al también hercúleo, enorme, Sebastián Coates. Solamente pueden desistir y bater en retirada. Pues los defensores uruguayos son como el Obélix de la historieta belga, conocen todo de la arte de resistir. Y tratan a todos como romanos...  (¿Suarez y sus compañeros serian un exército de Asterix???)
Ante un invasor, La Celeste tiene el espírito, el coraje y el arte de las palavras del espartano Leónidas cuando el emissario del rey Dario mandó decirle para bajar las armas, porque Persia tenia tantas flechas que cubriria el Sol. Leónidas, ese grego de alma charrúa, contestó: "Mejor, combatiremos en las sombras".
La resistencia, sin embargo, no es únicamente el arte de Lugano y Coates. Es también el poder de quitar la pelota, es el poder de anticiparse. ¿Quién es mayor, hoy, que Arévolo Ríos, en esa tarea de bravos? ¿No es arte lo que hice en el segundo gol de Uruguay, robando y después regalando su amigo Forlán???
¿No es arte la capacidad de los Pereiras de crear ataques peligrosos en las esquinas del campo?
¿No es arte esa gana de dar el sangre por una simple recuperación de la pelota, como aquella increíble carrera de Ruso para no dejar la pelota salir?
¿No es arte, enseñanza de la vida para el fútbol y para todos, el hecho de que eses jugadores celestes son también amigos, más que eso, compañeros?
¿No son arte las sonrisas del fondo del alma y los abrazos de hermanos que eses jugadores ofrecen para cada uno que viste ese manto celeste?
¿No es arte la emoción de niños que eses hombres demostran en cada partido, en cada gol?
¿No es arte, una verdadera pedagogia del fútbol más humano y bello, lo que enseña el padre de todo eso, el Maestro Óscar Tabarez?
¿No es arte todo ese proyecto que Tábarez empezó seis años atrás?
A los pobres de espírito que no veen más que la eterna vieja charrúa (si, colosal!) en ese Uruguay, no comprenderan nada. Tal vez porque, como enseñó el viejo maestro (Jackie Chan) de la película Karate Kid al hijo de Will Smith, no saben que “no basta ver, hay que sentir”.

Hay que sentir el fútbol - en la piel, en el corazón y en el alma – para aprender todas las lecciones grandiosas de los hombres de Tabárez.
Hay que amar, el fútbol y la vida, para aprovechar las maravillhosas jornadas de esa Celeste, tal vez la más bella campeona de la história de la Copa América.
La más bella porque la más humana.
Porque hecha de jugadores que son hombres nobles y apasionados.
Hombres solidários, que juegan por todo un país.
Gracias por todo eso! (y perdonánme por ese castellano lleno de errores de un brasileño).

"Aunque no sea Uruguayo 
Me emociona ese país de corazón 
Amo el fútbol de los charrúas
Su Equipo que me deja feliz 
Porque pelea con el alma 
Pelea sin temor 
Porque pelea por el País 
y lo hace con amor"  
(Versos de José Eduardo de Oliveira Costa, 76 años, mi papá)

PS - ?No es arte el gol más bonito de toda esa Copa América, el último gol de Uuguay???

quinta-feira, julho 21, 2011

Um surfista de coração

Num meio tão individualista como o surf e, sim, tão alienado (surfar é tão viciante que a maioria dos surfistas não aproveita para conhecer os lugares e povos que visitam), é bacana perceber que existem alguns caras diferentes como o australiano Joel Parkinson. Há anos ele ajuda financeiramente uma senhora sul-africana que conheceu quando ela cuidava da casa onde ele se hospedava em Jeffreys Bay, África do Sul. A senhora limpava a casa, fazia as refeições e, muito mais que isso, oferecia um carinho e uma alegria gratuita com que os australianos que lá se hospedavam não estavam acostumados.
Um dia Thelma, nome da senhora, foi violentamente ferida em um assalto, e ficou impossibilitada de trabalhar. O que fez Joel, lá em 2003? Começou a depositar dinheiro na conta dela para que mantivesse uma vida digna para sua família na favela em que vive a 10 km das ondas perfeitas de Jeffreys Bay. Um lugar chamado Oceanview, mas que não tem vista para o mar.
Além da nobreza do gesto e atitude, as palavras de Joel, explicando a razão de ajudar essa senhora há tantos anos, merecem uma reflexão de todos nós:
"Eu tenho muitos amigos que ajudo mas você não recebe um obrigado, um sorriso enorme, um abraço ou um beijo deles (as). Com ela, você sente como se desse um pouquinho e ela sente como se recebesse o mundo. O rosto dela ilumina mais que qualquer coisa que você possa imaginar e faz tudo valer a pena”, revelou Joel na reportagem do site surfline.com.
Num mundo em que poucos agradecem a ajuda, força ou conselho que recebem em algum momento importante de suas vidas, Joel e Thelma são exemplos raros.
Joel já era um dos surfistas que eu mais admirava fora d´água pela temporada em que deixou de competir em 2 eventos importantes porque sua esposa estava perto de dar à luz. E isso ele fez numa temporada em que era o líder do ranking. Abdicou da chance de vencer o mundial porque queria apoiar a esposa, o amor de sua vida.
Amor parece ser algo mesmo grande demais no peito de Joel Parkinson, um surfista e homem fora de série.
* Mais detalhes desta história no link da Surfline

quarta-feira, julho 20, 2011

A crise moral do esporte brasileiro

A vergonhosa participação da seleção brasileira na Copa América passa, muito, pela crise moral que o futebol e várias modalidades atravessam no Brasil. A crise começa no visual, com muito jogador se preocupando demais com o corte novo no cabelinho, a roupinha descolada e até o headphone mais vistoso e potente. Há também muita brincadeirinha, tiração de sarro e trotes bobos na seleção. Coisa normal, da “alegria” do jogador brasileiro? Ontem o goleiro Julio César revelou que temia pelo desempenho brasileiro nos pênaltis porque ele sabia do fraco aproveitamento nas cobranças dos seus companheiros nos treinos. Treinos de pênaltis que eram mais brincadeiras do que ensaios sérios. Treinos que Mano Menezes nem acompanhava.
O visual é um elemento banal, menor, mas já demonstra uma excessiva vaidade individual. Que Neymar use aquele moicano ridículo, vá lá porque ele se garantiu no Santos ganhando tudo assim (não na seleção...). Quando Daniel Alves imitou o penteado, deu no que deu...
Pior é a falta de uma equipe e espírito de grupo, claríssima na seleção do grupo dos veteranos liderados por Lúcio e no dos moleques, liderados por Neymar e apadrinhados pelo veterano que nunca amadureceu, Robinho. Mas não me venham falar no grupo unido do Dunga, porque grupo unido em torno de uma ideia e estilo imbecil (o tal futebol guerreiro que resultou em aberrações como Felipe Mello), não vale.
Cada vez mais nítida também a postura blasé, fria, com que os jogadores vestem a camisa da seleção. Em campo, a postura blasé vira aliada do individualismo de quererem decidir os jogos sozinhos. E voltando a respeito, eles só demonstram isso por quem lhes pagam fortunas, os seus clubes. Uhn, respeito em termos, porque é um tal de jogador quebrar contrato e fazer chantagem pra ser liberado para outros clubes... Grande parte dos jogadores de ponta brasileiros só pensam em grana, em salários maiores. Mesmo um ídolo amado de uma torcida, Kléber, anda fazendo de tudo para ir para o Flamengo. Amor da torcida? Ele não tá nem aí pra vocês, palmeirenses.
Claro que a culpa não é só dos jogadores. Há também os empresários inescrupulosos que assediam e compram os direitos dos atletas desde que são garotos. Há os dirigentes dos clubes, que não estão nem aí em acompanhar os estudos dos meninos das categorias de base. Todos só querem faturar em cima dos garotos. E não estão nem aí quando 99% deles não dão certo na bola e, como não estudaram, vão se ferrar na vida.
Há também a culpa da mídia, que exalta qualquer um com um pouquinho mais de talento, massageando o ego vazio de nossos jogadores sem a mínima formação educacional e moral.
O mais triste é que o problema não fica só no futebol. O descaso com a formação dos atletas como homens existe até no “tão organizado” vôlei, em que os melhores do país passam longas temporadas concentrados no CT de Saquarema, e a escola que se dane.
E esse desrespeito acontece em várias modalidades. Tenho um grande aluno, cabeça boa, sério, dedicado, grande coração, que simplesmente quase não esteve em sala de aula no primeiro semestre inteiro. Ou estava concentrado com a seleção, em outra cidade, ou estava disputando competições no exterior. Óbvio que os dirigentes do seu esporte não está nem aí para a formação dele num ano-chave, o último do colegial, às portas do vestibular e da escolha de uma carreira. Só querem saber das conquistas do garoto, que vem trazendo grandes resultados ao país. Planejamento da Confederação e organização para respeitar o período letivo do garoto? Zero. Qual o preço que o menino pagará, no futuro, por seu empenho no esporte?
Basquete? Talvez o caso mais claro de falta de respeito com seu país. Os mais badalados atletas brasileiros simplesmente se recusam, seguidamente, a vestirem a camisa da seleção, como fazem Leandrinho e Nenê. E ainda dão desculpas esfarrapadas para não defenderem o Brasil. Gozado que o MVP das finais da NBA, onde os brasileiros jogam (pouco, são reservas de luxo...), o alemão Dirk Nowitiki, nunca deixou de atender a uma convocação da seleção alemã. E disse uma vez que, se for preciso, ele mesmo pagaria o seguro exigido por seu clube na NBA.
Mais da crise moral? Mesmo os diferenciados jogadores de vôlei da seleção, dos quais realmente podemos sentir a paixão e orgulho com que defendem a amarelinha, mancharam suas carreiras belíssimas com aquela vergonhosa partida entregada ordenada por Bernardinho no Mundial do ano passado.
Natação? Sim, Cielo está ainda se defendendo da acusação de doping na China, mas o fato é que, neste século, adivinhem qual o país que teve mais atletas flagrados no exame anti-doping de natação em todo o mundo? Sim, Brasil.
O mesmo doping que fez um verdadeiro arrastão em muitos grandes nomes do atletismo brasileiro no ano passado, incluindo um dos mais renomados treinadores de nossa história.
Até no vôlei de praia somos pêgos agora, como ocorreu com Pedro Sohlberg, flagrado por tomar esteróides. Imagino o desgosto de sua mãe, a grande Isabel, uma das mais valentes e íntegras atletas de nossa história, uma das responsáveis por o Brasil ser hoje uma potência no vôlei feminino.
Tudo isso para dizer que há um descaso muito grande na formação dos atletas brasileiros hoje que resulta em cabeças vazias e individualistas e um vale tudo por resultados (doping, entregadas etc).
Como resolver isso? O pequeno e vizinho Uruguai dá a receita, com seu belíssimo projeto implantado por Oscar Tabarez no futebol, em que os jogadores das seleções de base estudam e são acompanhados por profissionais de várias áreas. Os frutos estão aí, com a Celeste brilhando na equipe adulta e no sub-17 (vice-mundial) e sub-20.
O problema é que basta olhar para o presidente do órgão esportivo mais poderoso do país, Ricardo Teixeira e sua CBF (sua porque ele faz dela o que bem entende) para imaginar ele refletindo sobre a formação do jogador brasileiro. Com sua linguagem chula típica (leiam a chocante, debochada e nojenta entrevista dele na revista Piauí deste mês) ele deve pensar, “que se f...”.
Pensando nas outras modalidades, o poderoso Nuzman e seu milionário Comitê Olímpico Brasileiro (sim, seu...) só trabalha pelo esporte de alto rendimento. Joga a responsabilidade do trabalho de base para o governo e para os clubes (como, se estes, com raras exceções como um Pinheiros, um Minas Tênis, só pensam no futebol?).
O futuro é negro.
PS – A razão das fotos que ilustram esse post? Reparem no uniforme sóbrio, respeitoso e padrão dos uruguaios e pensem na seleção brasileira... Ah, e eles preferem a companhia de um mate (que compartilham) que de aparelhinhos, celulares etc. A outra foto é do jovem Denílson, que volta ao São Paulo depois de anos na Europa e não se dá o trabalho de tirar o bonezinho e o óculos-escuro para posar com a bandeira do clube.
Nunca vi Raí, maior jogador da história do São Paulo, de boné ou óculos-escuro.

domingo, julho 17, 2011

Uruguay, el Pueblo del más allá

Hay algo mayor que la inmensa garra charrúa para intentar explicar lo que hice Uruguay contra Argentina.
Hay algo más grande que el corazón y liderazgo de front de guerra de Lugano.
Hay algo mayor que la valentía y entrega de sus compañeros defensores: como explicar que cualquier uno que entre en este sector juegue con la misma eficácia, como hice ese enorme Scoti ayer?
Hay algo más allá de la bravura, sangre, fortaleza mental y genuíno amor a la Pátria en eses jugadores (algo tan raro en otras selecciones y sus estrellas que no dejan la vida por una camiseta y pueblo).
Hay algo más profundo que la multiplicación de Arévolo, con su voluntad-poder de asfixiar los más talentosos jugadores adversários, de quién aún les roba la pelota con lealtad.
Hay algo más que los pulmones de los Pereiras y la claridad que consiguen sacar mismo en las zonas más peligrosas de su campo.
Hay algo más que esa técnica de artesano al pegar la pelota con arte, fuerza y pasión; y la humildad de una estrella que corre y juega por todos, Forlán.
Hay algo más que las gambetas, velocidad y las invenciones de espacios donde parecen no existir, del mago indomable, Luisito Suárez, que juega como un niño libre de los potreros.
Ese algo más que puede ser traducido, talvez, en lo heróe más determinante, Muslera. Más que su elasticidad, vuelos y atrapadas espectaculares, más que su seguranza y confianza que presentó ayer, Muslera reveló, en uno de sus milagros, el secreto de Uruguay: ocurrió en aquella pelota que explotó en su rostro. Allí, en su coraje, entrega y cuerpo desnudo (sólo un arquero-hombre sin miedo no esconde la face frente el ataque del inimigo) desnudóse la pureza del héroe, la pureza de su selección: ese Uruguay de tantos heróes es puro como aquel más allá que nos hace sermos mayores que simples cuerpos y corazones.
Un más allá llamado alma.
Hablase mucho de alma. Es algo invisible, intocable. No en ese selecionado donde podemor ver el alma en muchos gestos y acciones de sus jogadores. No en eses jogadores que ponen todo en cada jugada. No en eses hombres que transcienden el próprio concepto, origen y sentido de la garra charrúa.
La garra de Muslera, Lugano, Cáceres, Arévolo, Forlán, Suárez y cada uno de sus compañeros (realmente compañeros, que se quieren, que ayudan) es alma.
Alma blanca, pura, como la de los niños uruguayos cada vez más apasionados por un balón, un campito y ese deporte (sí, mucho más...) que eses hombres formidables de la Celeste están transformando en uno de los productos más valiosos, de nuevo, de Uruguay.
Producto? Que lástima, mis amigos, perdónanme por utilizar una palabra tan materialista, tan distinta de eses Hombres (mucho más que jugadores) que hacen todo, menos vender algo.
Los uruguayos no venden fútbol, ellos dan, oferecen, entregánse, ponen sus vidas en las partidas en que llevan el manto de la Pátria (sí, más que eso, el manto del Pueblo).
Con Alma.
Es por eso que mi Papá, maestro jubilado y poeta, casi 80 años, no si fue a dormir como de costumbre, temprano en la noche, ayer. “Su Papá no fue dormir aún?”, extranó mi Mamá. El viejo, que hace muchos años no se interesa mucho en ver su Brasil jugar (siente falta de amor verdadero en los canarinhos) contestó listo. “Por supuesto que no, hoy juega Uruguay”.
Para un poeta y maestro como mi padre, en un mundo cada vez más distante de la poesía, de los buenos valores y del amor verdadero, ver Lugano, Forlán y cia. es como vuelver a creer que sí, la poesía aún vive.
La poesía, que necesita, siempre, del amor y del alma. De otra forma, no es poesía.

Amor y alma. La Celeste. Ayer de Blanco, como los sueños y actitudes de los niños y hombres buenos.
Como la postura, las creencias y la dignidad de ese Maestro del fútbol y de la vida, Óscar Tabárez.
Como el alma de ese país pequeño pero tan apasionado, luchador y caloroso.
Gracias, de nuevo, por su juego épico, Celeste Blanca.

quinta-feira, junho 23, 2011

O resgate da arte

Não adiantou secarmos. O Santos, para o bem do futebol, é o melhor time da América de novo. 50 anos depois da máquina de Pelé, os santistas finalmente podem dizer que realmente não vivem mais do passado. E, se o espetáculo dos sonhos que era o time do Rei, não pode ser igualado, o Santos de Neymar, Ganso, Léo, Danilo, Arouca – todos esses jogaram o fino ontem – realmente tem o DNA do verdadeiro futebol brasileiro. Aquele futebol arte - bem jogado, bola de pé em pé, ousado nos dribles - que quase todos os outros times de nosso país enterraram num passado distante ou apresentam em pequenas doses.
Quando Arouca disparou fazendo fila, tabelou com Ganso e este, gênio, devolveu de calcanhar, meu coração de secador foi traído pelos olhos, rendidos à beleza estética da jogada. Rendidos pelo futebol como o futebol deveria e deve ser. O futebol de um raro volante brasileiro que sabe jogar, Arouca, avançando em ritmo alucinado e hábil até perceber esse raro caso de menino que já é um exímio finalizador, de uma calma letal, o supercraque e maior herói do Tri da liberta Santista, Neymar.
Depois, o talento decidiu de novo, com outro menino de personalidade, o tão guerreiro quanto técnico Danilo. Era quase um nocaute no Peñarol e em todos nós secadores (jamais perdoarei o time em que jogou Diego e Robinho por um dia desrespeitarem o meu São Paulo de uma forma indecente e sem caráter), mas os uruguaios ainda descontaram e nos fizeram acreditar. Até que o árbitro argentino encerrou a justíssima vitória e título de quem merecia de fato.
Até um sãopaulino (sim, rejeitado por nosso presidente e por muitos torcedores, este aqui incluído) sair correndo pelo campo, comemorando o maior título de sua vida. Falo de Muricy. Falo deste grande treinador e homem que muitos de nós execramos porque não bastou fazer o São Paulo ser campeão brasileiro três vezes. Renegamos Muricy pelas 4 Libertadores perdidas jogando feio, jogando contra o DNA do clube e futebol brasileiro. Agora a verdade fica clara: Muricy talvez apenas tenha jogado como poderia no São Paulo. Lhe deram craques e ele venceu sem grandes dificuldades e jogando bonito a Liberta. E ele ainda parece ter atenuado a marra de Neymar, que parece mais sereno fora de campo e parou com as gracinhas improdutivas debochadas no meio dos jogos. Agora só falta conseguir que ele pare de se jogar tanto fazendo teatro.
Resta parabenizar esse grande time do Santos, que é disparado o melhor do país e da América. Um time que pode, sim, peitar o time dos sonhos do Barcelona. Desde, claro, que não perca Neymar e Ganso. Se um deles partir, aí será um milagre bater a máquina de Xavi, Iniesta e Messi.
Parabéns, sobretudo a minhas queridas alunas santistas doentes que sabem que futebol e vida de verdade é ao vivo. Natália e Bárbara sabem que a beleza e a paixão mais poderosas só podem ser vividas lá nas arquibancadas onde elas estavam. Sim, torci contra seu time, mas por vocês. E admito que, para o bem desse esporte e de algo tão raro chamado “beleza na vida”, venceu quem devia vencer.
Mas agora chega, VAMO, BARÇA!!!
PS – Mais uma da lista infinita de burrices do Juvenal: Ter trocado o Arouca pelo Souto foi brincadeira!!!
PS 2 - Já está em ação o plano de nós, secadores, para o Barça ser campeão do mundo!: Borges, o Pipoca Mascarado, no lugar de Zé Inacreditável F.C. Love!
PS 3 - Pelé não se emenda mesmo. Lamentável usar um terno vermelho (???) em plena final da Liberta só pra faturar uma grana do Santander, patrocinador da Libertadores.

segunda-feira, junho 20, 2011

Marcos e Rogério - O Santo e o Milagreiro Profissional


Não existe ídolo mais humano que Marcos. Mais humano porque decente, digno, nobre, raro. Para os que amam o futebol, mas amam ainda mais o ser humano, o que ele fez ontem foi mais uma atitude que só ele parece capaz de ter no futebol brasileiro de hoje. Seu time goleava e quando surge um pênalti, o estádio inteiro, como uma homenagem ao seu ídolo máximo, pede que ele faça a cobrança para. Quase toda a nação palmeirense quer que ele faça o gol. Os torcedores querem explodir de alegria com o gol de seu Santo goleiro. Querem lhe dar um presente, sentimento também compartilhado com os próprios jogadores do Palmeiras, que vão chamar Marcos para dar o chute da glória.
Numa sociedade e mundo cada vez mais midiático e sedento de fama, o lógico seria o ídolo, anestesiado pelo clamor da massa, ir lá e chutar.
Só que a única lógica que Marcos segue é a do seu caráter e coração, dois elementos poderosos que parecem ser a mesma coisa em sua imensa dignidade. Por isso ele pensou que ir lá fazer o gol seria uma ofensa ao novo e jovem goleiro do Avaí. Tomar gol de goleiro seria duro demais para um companheiro de profissão e um time modesto que já apanhava feio.
Assim é Marcos, sinônimo de respeito e de uma das raras estrelas capaz de ter compaixão no mundo das super estrelas do esporte. Perdão, eu erro. O Marcos de tantos títulos colossais com seu Palmeiras e com a Seleção Brasileira é estrela só no currículo. Pois na verdade é um dos sujeitos mais simples que já passou pelos gramados e história desse planeta.
Simples, justo e sempre decente também é o técnico Felipão, que ficou transtornado quando seus jogadores pediram para Marcos bater o pênalti. O treinador também foi totalmente contra uma homenagem que sua sabedoria e experiência sabiam que eram uma humilhação.

O outro personagem desta bela rodada foi um amigo de Marcos, Rogério Ceni. O Rogério goleador do qual Marcos nunca teve inveja por fazer gols e ele não. Mas o mito sãopaulino é notícia de novo não por balançar as redes mas sim pela espetacular atuação de ontem. 38 anos e ele segue pegando pênaltis, fazendo grandes defesas e pelo menos um milagre: o voo inacreditável e a espalmada, braços esticados, no chute de Diguinho que ia, violentamente, para o ângulo.
Mais que as defesas, porém, Rogério brilha também pela incrível força de vontade: mesmo tendo machucado o tornozelo há algumas rodadas, ele segue atuando sem ter se recuperado totalmente. Tem jogado com uma botinha no tornozelo, por isso tem evitado bater faltas. Sim, Rogério tem sede de recordes, está buscando a marca de maior número de partidas consecutivas com a camisa tricolor (107). Já tem 102. Mas a obsessão por recordes não diminui sua raça e raríssimo amor à camisa que o faz jogar com dor, com muita dor. E ele ainda sente-se na obrigação de dar o exemplo e liderar esse São Paulo cheio de garotos.
Com um mito tão guerreiro e exemplar, os garotos têm dado o sangue por seu ídolo e capitão. Essa é uma da razões desse São Paulo líder do Brasileiro e suas 5 vitórias seguidas.
Porque Rogério é um Profissional inacreditável, que se mata em campo pelas cores do time de sua vida (assim como faz Marcos no Palmeiras, ainda jogando depois de tantas contusões, e enfrentando suas inúmeras dores todo jogo).
Por isso é tão amado pelos sãopaulinos.
Por isso que este sãopaulino que aqui escreve não aceita mais uma desculpa de um jogador que alegou dores abdominais para não encarar a longa viagem até o Ceará e depois encarar o calor e pressão infernal em Fortaleza. Gozado, né, por que será que Dagoberto se machuca ou toma o terceiro cartão amarelo sempre antes de jogos disputados nos lugares mais longínquos?
Dores abdominais??? Precaução contra uma distensão? Mas alguém aí conhece alguém que já teve uma distensão no músculo mais forte de todo o nosso corpo, o abdome???
O futebol precisa de mais Marcos e Rogérios.

segunda-feira, junho 13, 2011

A adorável menina que se importava



Acontece quando toca uma canção e a beleza e emoção é tão grande que escutamos no mesmo instante o grande álbum de nossas vidas. Mais que isso, a trilha sonora do filme da nossa história. Ou uma novela sem fim em que guardamos algumas das cenas e capítulos mais importantes de nossas vidas. Eu passava pela sala quando então a TV tocou essa canção, em homenagem à uma mulher que tanto se importou com as pessoas que mais precisavam, Oprah Winfrey. Vi pouco seus programas mas sempre pensei nela como uma grande dama que em vez de exibir banalidades, celebrava a humanidade em seus programa e atos, como no colossal movimento tocado por ela para ajudar as vítimas do Katrina.
Isn´t she lovely? Ela não é adorável?, cantou Jamie Foxx pra ela, e logo surpreendeu Oprah ainda mais quando de um truque do palco elevou-se um piano e uma lenda, Stevie Wonder, continuando a cantar essa canção maravilhosa mas modificando a letra em homenagem à Oprah.
Volto então ao início desse texto, sobre as canções que nos fazem recordar, e o nome veio instantâneo, o seu. E, não, a associação da canção com você não veio porque era uma das canções que você mais amava. Isso veio depois. O que aconteceu é que quando escutei o verso “é incrível o quanto você fez”, fui transportado para algumas cenas em que, no meio de tanta gente, foi apenas você quem se aproximou e ofereceu palavras bonitas de afeto, e um olhar vital doce, para quem tanto precisava.
Obrigado por ter sido a protagonista de pequenas cenas inesquecíveis de meu filme.
E espero que um dia alguém cante essa canção para você. Cada verso será merecido, adorável poeta de afetos, palavras (escritas com tanto capricho e sentimento naquelas folhas de papel), olhares e, ainda bem, atitudes.
A atitude de quem sabe que a vida é urgente, e um presente que não devemos guardar, apenas oferecer, e aquecer.
PS - Que falta que você faz!E vá para o 2min16s do vídeo, é lá que rola a sua canção.

domingo, maio 29, 2011

Barça – Homens que oferecem presentes

  Como um filme arrebatador que não nos deixa ir embora nem depois do seu final, um dos grandes símbolos e segredos deste Barça campeão europeu pela quarta vez ocorreu só enquanto rolavam os “créditos finais”. Quando Guardiola coloca Puyol, nos últimos minutos do jogo, ele quer é homenagear seu grande capitão e a maior força anímica e física de todo seu elenco; o Puyol que tantas vezes se sacrificou pelo time que defendeu sempre com uma garra e comando extraordinários. Guardiola faz isso para que seu Capitão tenha o prazer e orgulho de erguer a Taça. É então que percebemos o real tamanho moral e humano do Capitão. Em vez da glória eterna de erguer a Taça antes que todos, o que sempre cabe aos capitães, Carles Puyol prefere ceder a honra e a emoção incomparável àquele que enfrentou uma doença tão terrível, o câncer, e venceu. Coração gigantesco, Puyol tira a braçadeira de seu braço e entrega-a para Abidal, pois quer que o francês, o herói que sobreviveu e voltou a lutar por seu Barcelona, tenha o privilégio de fazer o gesto eterno. Aqui percebemos um pouquinho do que move Puyol e a maioria dos jogadores do Barça, algo tão raro no seleto universo das super-estrelas do esporte. Algo que não consigo nem definir direito, mas que poderia passar não só por coração mas também como caráter, altruísmo, amizade, amor.
O amor que é parte integrante, indissociável, do jogo deste Barcelona que é mesmo muito mais que um clube e um time de futebol.
O amor começa em La Masía, a escolinha-academia de futebol do Barça.
O amor pelo alicerce maior do futebol de verdade: o passe.
Amor, sim, porque Xavi, Iniesta, Messi, Piqué e cia não passam, simplesmente, a bola. Eles a oferecem aos companheiros. O passe como um presente. O passe como uma conversa. Um ato de genuíno companheirismo.
Em tempos de tantas “conversas” e presentes virtuais chamados links, vital esse Barça que nos mostra o que é conversar de verdade, bola de pé em pé com afeto e beleza como um diálogo verdadeiro, real, deve ser.
Esse bate papo com uma menina redonda aos pés é tão natural porque é muito treinado em La Masia. Treinado é pouco, os passes desses jogadores que se querem bem - tanto dentro como fora do campo – são é amados.
Amados por jogadores com alma de garotos que crescem juntos conversando à beira da calçada e da vida.
Amados por jogadores que amam passar a bola e a honra para seus companheiros, em campo e no pódio.
Amados por jogadores tão humanos como o pai que se veste de Papai Noel para entregar o presente dos sonhos de seu filho.
Sim, o presente com caixa, papel e fita que é cada troca de passes deste Barcelona que faz muito mais do que jogar futebol.
Deste Barcelona que deveria ser matéria de estudo, discussão e estudo não só nas escolinhas de futebol como nas escolas normais.
Como seria bom se nossos professores ensinassem as crianças a sonhar como faz o Barcelona tetracampeão da Europa.
    Do Mestre, com carinho

segunda-feira, maio 16, 2011

Fé de asfalto


(O videozinho eu afanei da internet só pra mostrar o pico de que falo; não tenho ideia de quem são, os caras vão mais reto, sem manobras, mas a velocidade e o espírito estão lá.)
É fácil aliviar a mente, sentir a liberdade do vento, o vento mais valioso, aquele que produzimos com nosso próprio movimento. É fácil esquecermos da opressão da cidade cada vez mais agressiva, sobretudo nos motoristas em escalada de velocidade e estupidez brutais. É fácil, por incrível que pareça, encontramos silêncio e paz em plena São Paulo. Não deu pra ir à praia? Tá cansado da mesmice do seu clube ou crowd de nossos poucos parques? Tudo o que você precisa é de um skate longboard e uma boa descida sem muito tráfego.
Sabadão cedo caí lá de novo, numa avenida recapeada há poucos anos, tapetão maravilhoso, suave como nossas ondas do mar amadas. Tá, o tráfego existe, mesmo cedo é preciso ter sorte pra descer sem um carro querendo te ultrapassar e atrapalhando as longas e relaxantes curvas, relaxantemente rápidas mas à velocidades não tão perigosas como as ladeiras mais cabreiras.
Inacreditável, porém, o egoísmo dos motoristas em suas máquinas: não podem esperar alguns segundos um skatista; não conseguem ser gentis; não querem.
Tudo bem, eles passam, nos atrapalham, mas o coração do skatista é guerreiro, sempre há uma outra descida, ou é preciso mostramos quem manda: quem vem primeiro. Por isso começo a fazer as curvas sem me importar com a pressa do animal em pleno sábado. Só estendo um braço pra trás, “espera”. Eles que engulam seu individualismo desumano. Eles que matriculem-se num curso de pilotagem ou que descarreguem suas frustrações ou nariz em pé (“sai da minha frente, vagabundo, folgado”, devem pensar em sua grandeza só de imbecilidade...) em Interlagos.
Mas tudo bem, o barato do downhill tosco, o meu, sem muita radicalidade, é que um drop, a velocidade, o vento e algumas manobras gostosas nos fazem esquecer de tudo, até das bestas “racionais”.
E há outra parte tão valiosa e gostosa quanto o voo asfalto abaixo: a subida até a plataforma de lançamento. Sim, muitos perdem essa parte, preferem pegar carona com um carro subindo. Eu, como odeio coisas não-naturais como um motor e sua fumaça quando faço esporte, prefiro subir com meus pés.
Melhor ainda, subo pela tranquila e bela, toda arborizada, avenida paralela. Tranquila porque é fechada na parte de baixo para eles, os carros. E há mais beleza ainda na radical e acentuada inclinação desta via, verdadeira montanha. A subida é então uma escalada. Dura, exige pernas, fôlego, mas a ascensão, no meio do silencio e verde, é quase espiritual. Sinto-me caminhando numa grande catedral que é toda montanha. Catedral de nossa paz interior. Uma paz que renova e nos torna melhores ao nos abrir os olhos e coração para algo tão simples e rico quanto escalar e depois descer.
Quantos têm ou agarram essa oportunidade? Descer brincando e tecendo telas imaginárias no asfalto; e depois desacelerar com a subida que é quase uma reza e um profundo disparador de reflexões?
Algo simplório demais? Exatamente. A simplicidade esconde os mais belos e profundos atos como o skate downhill. E encontram-se até brothers de session, como o Dudu, parceiro desta sábadão, outro paulistano que parou por ali para descarregar toda a tensão da semana que passou. E em dois, um descendo em seguida do outro num breve intervalo, é mais fácil fazermos os carros nos esperar pois, por mais que a imbecilidade reine por trás de um volante, eles pensam melhor: atropelar dois caras de uma só vez é algo que faz até os idiotas pensarem um pouco.
Aquele abraço e desculpas por não atualizar o blog há tanto tempo, os trabalhos não permitiram, mas vou tentar encontrar um pouquinho.
Saudações especiais ao motorista de ônibus que desceu devagarinho atrás da gente, a maior demonstração de respeito e civilidade desta session.

quinta-feira, abril 28, 2011

O coração da verdadeira América

Existem pessoas que basta vermos a primeira vez que já suspeitamos que estamos diante de alguém raro, destinado a fazer algo especial. Algumas conversas e a suspeita estava confirmada: Marta Elena Sanchez, uma argentina de coração e consciência, e praticamente também uma brasileira - na simpatia pura e calor humano – é uma daquelas pessoas que a maioria das pessoas costuma “conhecer” apenas na pele de um personagem do cinema.
Marta é quase um sinônimo de juventude, não muito a de hoje, mas a daquela que realmente sonhava e lutava por um mundo melhor. Ela é uma canção de protesto, sentimos o vento soprar mais forte que nunca quando ela fala; na verdade, brada, por dentro grita com um coração e humanidade do tamanho da verdadeira América, a Latina.
Marta condena os poderosos egoístas, os que querem perpetuar-se no poder mantendo seus privilégios e mantendo o povo enfraquecido na pobreza. 
Marta está sempre, e tão claramente, do lado da procura da verdade. Por isso ela busca esta verdade na fonte: lá fora, nas ruas e nas mesas dos pequenos bares e cafeterias; e lá dentro, nas conversas amigas em sua cozinha ou na poderosa consciência política que herdou de seus pais.
Por isso que a palavra mais importante para ela é humildade. A humildade de querer conhecer as pessoas, os povos e suas culturas e história.
A humildade, essencial mas tão esquecida hoje, de aprender com os outros, com o diferente.
Sim, Marta é mesmo uma canção, Bob Dylan deve ter imaginado uma moça como ela, buscando um mundo melhor, ao compor Blowin´the Wind.
How many roads must a man walk down,
Before you call him a man?
Quantas estradas um homem deve percorrer
Antes que possam chamá-lo de um homem?
Herdeira do espírito do jovem Che e/ou da juventude que sonhava (não apenas) dos anos 60, por isso ela resolveu mergulhar numa das palavras vitais desta canção: estrada.
Sim, tantos anos depois, Marta atravessará a América para conhecer, de verdade, o que é um latinoamericano.
Muda apenas o veículo, e aqui sacamos ainda mais a dimensão da jornada desta moça com sonhos de menina e coragem e ideais de guerreira: ela cruzará a América não com uma moto – como a lendária La Poderosa de Ernesto e Alberto.
Ela atravessará os pampas, cordilheira e planaltos; cidades, montanhas e praias de bicicleta...
Marta seguirá o vento mais poderoso, o sopro desse imenso coração do tamanho da sua Buenos Aires, Argentina e América Latina.
Marta seguirá suas palavras, que zumbem no ar feito uma pancada nas mentes anestesiadas. Lembro uma frase marcante dela, dita numa noite de verão na amizade acolhedora da cozinha de sua casa-pousada:
“Eu pergunto às pessoas se elas leem jornal, se conhecem o que estão falando ou se apenas repetem o que viram na TV”.
A frase, o questionamento dela, é ainda mais necessário se pensarmos nos que se informam ainda menos, dando apenas leves olhadelas nas páginas iniciais dos portais da internet.
Marta lê jornal, todos os dias, sobretudo o Página 12, o grande jornal humano, honesto e ético de seus país, mas lê também o Clarín, porque sabe que precisa ler o outro lado, o dos poderosos e muitas vezes, mentirosos.
Mas Marta lê-decifra mais ainda as pessoas e o mundo. Talvez por isso ela tenha decidido botar o pé na estrada e fazer a viagem da vida.
Talvez por isso ela tenha desejado transformar seu coração e consciência em memória viva.
A memória viva de quem vai poder contar para a gente o que ela viu nas esquinas e entranhas da América.
Boa sorte, guerreira, um brinde a sua garra e à sua viagem quase inacreditável nestes tempos em que muitos acham que viajar é navegar pela internet.
Saludos desde Brasil, que venham então os Diários de Bicicleta!
Aguardaremos ansiosos pelos relatos de seu olhar e coração profundos.
Boa estrada da vida, moça, pra você, seu companheiro também valente, o Julián, e o fiel e inseparável cachorro que salvou das ruas!
Que essa canção te acompanhe nessa maravilhosa aventura dentro dos corações da América, e mando ela na voz de dentro da terra do maior cantor desse planeta, o grande Bruce: