segunda-feira, novembro 16, 2009

O retorno do herói


Assis e Washington nos anos de glória
Ele foi um dos maiores ídolos, artilheiros (118 gols em 301 jogos) e campeões da história do Fluminense. Formou junto de Assis uma dupla inesquecível, tão marcante que foi uma das raras duplas da história da bola mundial a merecer um apelido: Casal 20, nome de um antigo seriado que mostrava um casal inseparável. Washington fez gols maravilhosos, foi bicampeão carioca com o Flu em decisões sensacionais contra o Flamengo nos anos 80 e ainda campeão brasileiro (1994) num Flu inesquecível, talvez o melhor tricolor carioca de todos os tempos. Hoje, o matador habilidoso do passado enfrenta uma grave doença degenerativa nos músculos que pode causar a sua morte, se a doença atingir o diafragma, o que impedirá a respiração.
Washington já precisa de uma cadeira de rodas. E precisa, sobretudo, de amigos e de tricolores com memória para ajudar a custear seu caríssimo tratamento. Nos últimos dias, a diretoria do clube que tanto honrou, finalmente (com atraso, segundo os críticos) abriu as portas das Laranjeiras (sede do clube) para homenageá-lo. E ontem, no Maracanã, o antigo herói foi saudado pela torcida que tanto o amou no "Washington Day"*, uma tarde em que urnas espalhadas pelo Maraca angariaram fundos para ajudar o ídolo eterno.
Mais detalhes estão nesta bela matéria do Globo Esporte carioca. Uma matéria bonita, coisa que o GE paulista não faz desde que ficou refém da vulgaridade das piadinhas de mau gosto de seu manda-chuva, o apresentador e editor Thiago Leifert.
* A campanha para ajudar Washington a se tratar não partiu da diretoria do Flu. Partiu de um torcedor, triste e chocado com a situação de seu ídolo do passado que é ídolo para sempre.

sexta-feira, novembro 13, 2009

Um pouquinho de honestidade


Bacana descobrir bandas que ainda fazem rock simples, sincero, honesto e sem apelação (sem emolices...). Tá, os caras estão na praia faz tempo, mas só resolvi procurá-los ao folhear uma velha revista de skate, a sempre inspiradora 100%. A canção chama-se Amateur (Amador). Começa só na guitarra, acordes belos a nos acordar ou transportar a algum lugar ou estado de espírito, a voz que entra lenta, cantando na medida certa, sentindo na medida certa, a batera exata, a voz que torna bonito e vital até um ú, ú, ú de coro. Versos que têm o que dizer. A história de alguém meio perdido contada-cantada com astral, como se a solução estivesse no próprio ritmo e alegria paradoxal da melodia. E a gostosa catarse final, no rolê do personagem por uma cidade vazia, com o cara finalmente descobrindo o incrível poder dos dias que temos pela frente e o desperdício de quando não percebemos ou aproveitamos isso:
Every day is new year's eve, every night is the last night (Todo dia é ano novo, toda noite é a última noite)
Every day is new year's eve, every time is the last time (Todo dia é ano novo, cada tempo é a última vez).

Quanta concisão num só verso, quanta vida!: Every time is the last time.

segunda-feira, novembro 09, 2009

E os outros muros?


20 anos depois da queda do Muro de Berlim, muitos outros muros continuam de pé ou sendo erguidos pela vontade de opressão, controle e poder de governos e/ou de seus aliados econômicos. Mais sobre isso na bela cobertura do Jornal do Brasil:

“(...) a Queda do Muro foi tanto um símbolo do que estava ocorrendo no mundo, quanto uma realidade para a população que o atingiu. E que símbolo! A euforia inicial levou muitos a comemorarem o suposto fato de que nunca mais haveria muros para separá-los de novo... Foi um mal entendido.
Hoje, vemos que a Queda do Muro não simboliza o fim de todos os muros e divisões, mas um indício de que todos os muros podem ser destruídos. Isso foi o que aconteceu depois de 1989 na África do Sul. Mas muitos muros – tanto visíveis quanto invisíveis – foram erguidos desde 1989 e ainda estão sendo erguidos.
Os muros que mantêm oprimidas a população de Cuba e Coreia do Norte, de Burma e Irã mostram rachaduras, e vão cair. Os muros nas fronteiras dos EUA e ao redor de Israel para manter as pessoas afastadas também vão desaparecer no tempo devido. As divisões ideológicas e físicas do mundo são instáveis e mudam à medida que interesses pragmáticos também mudam.
O mundo depois da Queda do Muro tornou-se um lugar muito mais desorganizado e desorientador. Mas também é um lugar onde mais pessoas são capazes de buscar o que consideram a felicidade delas. Isso é motivo para comemorar.”
(Peter C. Pfeiffer, Diretor do Centro de Estudos Europeus da Universidade de Georgetown, EUA)

“Demolido o Muro de Berlim, seria bom recrutar os amantes da liberdade do homem, que saudaram o fim da barreira, para que outras muralhas também fossem destruídas. Podemos começar pela grande muralha que separa os Estados Unidos da América Latina, na fronteira do México. Segundo cálculos das entidades que combatem o grande muro, mais de 7 mil pessoas morreram, tentando atravessá-la. Alguns pereceram de fome, de frio ou de calor, no deserto.
Outros foram abatidos a tiros, não só pelas forças norte-americanas que patrulham a fronteira mas, também, por assassinos “voluntários”, que possuem propriedades nas proximidades da linha divisória e usam rifles com mira telescópica infravermelha.
Quando os americanos propuseram ao México a associação ao Nafta, um dos argumentos era o de que o país se desenvolveria, a ponto de absorver a mão de obra desempregada que, assim, não iria disputar empregos com os norte-americanos ao Norte. Quase todas as semanas há novos mortos ao tentar o eldorado norte-americano. A imprensa já deixou de noticiar a rotina dos que tombam ao longo da muralha, feita de alambrados, de pontões de concreto, de luzes estonteantes, de câmaras infravermelhas, de helicópteros que voam, dia e noite, caçando os migrantes, como se caçam animais.
Temos também o grande muro que separa os israelenses de palestinos. Esperemos que ele também seja destruído, para que a paz retorne aos caminhos que Cristo trilhou.
(...)
Um longo muro separa o México dos Estados Unidos, e a sua construção, queiram ou não, obedece às mesmas razões pelas quais os alemães do Leste erigiram o seu. No Rio, pretendem levantar cercas, a fim de controlar as favelas. Os novos e ricos condomínios urbanos brasileiros se fazem cercar de muralhas, protegidas eletronicamente, com sentinelas atentas e armadas, de trecho a trecho, imitando a famosa Linha Maginot, que os alemães desdenharam, ao invadir a França pela Bélgica. Estamos todos cercados de muros, circulamos nas cidades dentro de veículos – que são muralhas de aço blindado. No alto dos edifícios, em seus corredores, nos elevadores, as câmaras vigiam, como as seteiras das antigas muralhas. As muralhas mais sólidas e impenetráveis são as ocultas, que separam os homens ricos dos homens pobres.
Um longo e invisível muro – semelhante à Linha de Leibniz – passa pelas ruas, penetra as igrejas e ladeia os pontos, ou seja, as pessoas, deixando, em campos separados, por mais próximos pareçam estar, uns homens e os outros.
Recentes estudos do Ipea dividem a sociedade brasileira em três classes de renda. As duas classes inferiores são tão inferiores que é um absurdo considerá-las estatisticamente.
A terceira – que segundo o Ipea é a de renda individual mais alta – começa com o salário mínimo atual. Assim, de acordo com esse critério, uma família de quatro membros com a renda total de dois mil reais se encontra na faixa mais alta de renda. Mas, não obstante a conclusão estatística, altíssimo muro as separa da minoria de renda realmente alta no país."
(Mauro Santayana, colunista do JB).

domingo, novembro 08, 2009

A moça da Uniban


Não bastou a estupidez de muitos alunos e alguns funcionários da Uniban, que perseguiram, xingaram e encurralaram a estudante de turismo que portava um minivestido na semana passada. O crime dela? Querer assistir aula com peça tão curta. Não bastou porque hoje saiu nos jornais a “brilhante” decisão da diretoria da Uniban: decidiu expulsar a jovem porque ela teria provocado a situação, por se comportar inadequadamente e por não ter acatado instruções da faculdade por vestir, em outras vezes, peças também insinuantes. Tradução? Foi dada razão a um bando de selvagens imbecis que gritavam “puta! puta!” enquanto a moça teve que se esconder numa sala e ir embora com escolta policial.
O episódio mereceu um artigo preciso de Álvaro Pereira Junior, no caderno juvenil da Folha, o Folhateen, 2ª feira passada. Álvaro ataca, além da demência dos alunos, a falência de muitas faculdades particulares que são exemplos do que NÃO é Educação. E olha que o jornalista escreveu antes do julgamento machista e fascista da Uniban:

“Não foi o vestido, afinal nem tão curto. Foi o tamanho da multidão o que mais me impressionou nos vídeos do YouTube sobre a aluna hostilizada numa universidade paulista na semana passada. Enquanto a estudante de turismo sai da faculdade escoltada por PMs, a câmera sobe e mostra uma cena dantesca: como numa arena romana, milhares de alunos berram e gesticulam.
O mundo do ensino "universitário" privado brasileiro, especialmente à noite, é um amálgama triste de circo com zoológico.
Estão lá filhinhos de papai que poderiam estudar numa faculdade melhor, mas por burrice e/ou preguiça acabaram em alguma boca de porco, período noturno. Estão lá as pessoas de classe média/média baixa que fizeram com sacrifício os ensinos básico e médio, ganharam uma formação cheia de falhas e agora veem numa faculdade de quinta categoria e chance de um diploma superior.
Estão lá também as exceções das exceções, alunos com bom potencial, que sentam na frente, estudam, tentam se motivar -mas são solapados pela mediocridade geral do ambiente e pelas necessidades imediatas da vida real.
Eu podia arriscar aqui comentários rasos sobre psicologia de massa, podia tentar falar de moralismo e de falso moralismo. Podia tentar entender por que uma aluna de vestido mais ou menos curto fez disparar tamanha reação de ódio em cadeia.
Mas prefiro focar na cena da multidão, naquele momento animalesco. Como uma universidade pode ter tantos alunos assim? Que tipo de ensino esses caras recebem? Será que dá para chamar de ensino? Um diploma obtido desse jeito, e num lugar desses, vale tanto assim?
Perto de casa, há uma universidade desse naipe. No começo e no fim das aulas, as ruas são tomadas pela horda de estudantes. Não há, literalmente, espaço para os carros passarem. Nessa universidade, minha vizinha, existe até curso de medicina. Como dizem no Twitter: #medo.”


PS – O vestidinho da moça é inadequado para uma sala de aula? Sim, cairia melhor numa festa noturna, mas o problema maior, bem captado pelo Álvaro, não é esse. O problema é o comportamento demencial e violento dos alunos. O problema é agora também essa expulsão inacreditável.

terça-feira, novembro 03, 2009

O homem do leme


É preciso perceber e querer a beleza vida com a vontade de fotografá-la na alma. Assim faz o brother que pira na varanda da praia com aquelas linhas perfeitas de ondas além dos coqueiros. Ele dispara cliques com a mesma vontade com que remará depois ao encontro das ondas.
É preciso querer a beleza. Desejar intensamente. Acordar cedo e sonhar ver pela janela as ondas de seus sonhos. O corpo cansado da lida, agito ou sessions do dia anterior não pode te impedir de querer mais.
O leito do mar será sempre mais relaxante e inspirador que a cama e sono mais gostoso. O que é a dor muscular perto da benção marinha da missa das seis?
É preciso madrugar. Pescador de vida tem que chegar cedinho no embarcadouro. Tem que embarcar. Tem que partir.
Por isso cedinho ele olha pela janela e vê o que sonhou. Mais que isso, ele enxerga.
"Deus ajuda quem cedo madruga", o provérbio é exato, por isso só havia um único surfista lá fora tão cedo. Por isso ele pôde pintar aquelas ondas inesquecíveis com os desenhos e movimentos que há um bom tempo não conseguia rabiscar. Por isso, mesmo num dia pequenino, o vento certo da primeira hora do dia ajudou a levantar paredes maiores, mais longas e mais fortes. As paredes dos horários ideais da praia que ele conhece tão bem.
É preciso encontrar a menina dos nossos sonhos na hora em que sabemos que teremos mais chance de encontrá-la. É preciso correr atrás do encontro.
A vida e as ondas não esperam.
Mas temos as canções, sempre prontas para nos guiar, na vida e na próxima queda.
Canções como a balada do rock português que nos impele ao mar, “O Homem do Leme”:
... E uma vontade de rir nasce do fundo do ser.
E uma vontade de ir, correr o mundo e partir,
a vida é sempre a perder...


Um perder que é ganhar, quando estamos lá fora.
Ao leme, homens da vida, homens do mar!

quinta-feira, outubro 29, 2009

1


Número 1
São Bosco, o goleiro mais gente fina do Brasil, salvou. Lembrou um pouquinho o épico Rodolfo Rodriguez.
Coração Valente Washington, sempre perseguido por muitos estúpidos sãopaulinos de araque (que preferem o morto, traíra, pipoca e cara de paisagem morta do Borges), fez o gol mais importante do ano. O gol que nos levou para o lugar mais alto. E acreditam que os idiotas ainda xingaram o matador o segundo tempo todo?!
Multi Homen Jorge Wagner preencheu todos os espaços do campo.
A zaga foi impecável, sobretudo porque seu inventor Miranda resolveu não fazer graça, tirando aquela jogada que nos congelou a espinha ao tirar a bola de Bosco...
Rick saiu. Um minuto depois Júnior César, que o substituiu, já fez uma boa jogada. Três minutos depois, saiu o nosso gol, em jogada iniciada por JC, que resultou no escanteio que originaria o gol. Preciso dizer algo sobre o que acontece quando Rick não joga?
A contusão de Rick salvou Ricardo Gomes, que precisou tirar Jorge Wagner da lateral esquerda e com isso, Salve Jorge pôde armar o time (já que Hernanes jogava bem menos do que os jornais mostram hoje).
Como já disse o Neto na Band, deixar o São Paulo chegar é mortal.
Líder. Por algumas horas, talvez, mas líder. E o hexa líder faz os rivais tremerem.
Nada como reencontrar o sorriso e um pouco de beleza e muita emoção nesse enorme lar chamado Morumbi.

segunda-feira, outubro 26, 2009

A música que nos desperta


Qual o som que você procura em sua vida? Qual o ritmo? Qual o estilo? Por que você precisa de música para viver? Por que a música nos ajuda a viver? Por que nos sentimos tão bem com quem compartilha os estilos que mais amamos? Por que canções são trilhas perfeitas para o amor e a amizade? Por que lembramos das pessoas que um dia amamos (algumas, seguimos amando, mesmo tanto tempo depois) e lembramos delas e de exatos momentos que as amamos embalados por uma canção em especial?
Por que a música une?
Porque há grandes artistas ou amadores com um coração enorme tentando expressar os sentimentos, mensagens e sonhos mais verdadeiros em notas, batidas e palavras tão belas quanto poderosas.
O filme “O Visitante” conta a história de Walter, um professor solitário e farsante, que dá sem a menor paixão o mesmo curso e aulas há 20 anos. Um homem incapaz de se comunicar de verdade depois de perder a esposa. A esposa artista que tocava magistralmente piano. O piano que ele tenta aprender, mesmo velho, cansado e descrente de tudo. A música que ele tenta expressar, para lembrar da alegria perdida. A música que é a única paixão que lhe restou. Por isso ele tenta, desesperadamente, aprender a tocar.
Não consegue, mas porque falta alguém certo para ensiná-lo, bem diferente dos professores de piano frios que lhe dão aulas.
A oportunidade de Walter será uma conferência que o obriga a deixar a cidade em que vive e leciona, Connecticut, para voltar à Nova York que não visita há anos. Então ele volta para lá, mas encontrará seu velho apartamento de Manhattan ocupado por imigrantes clandestinos. Após o choque inicial e a partida dos ilegais, Walter perceberá no imigrante sírio Tarek algo maior que um invasor. Logo descobrirá que Tarek é um genial tocador de tambor africano. Mais que isso, descobrirá a amizade sem preço de um homem que lhe ensinará, apenas por gratidão e pureza de espírito, como tocar um outro instrumento. E aprendendo a tocar o tambor, Walter voltará a tocar sua própria vida. Talvez uma outra vida.
O Visitante não é só uma história sobre o poder curativo da música. É também um drama sobre os imigrantes ilegais e como são tratados com frieza brutal pelas leis dos EUA. Leis ainda mais duras depois do 11 de setembro. Mas pelo menos os sonhos de Tarek e seu tambor mostram como a música e a amizade pura podem ainda salvar esse mundo tão intolerante.
Peguem esse filme (DVD) e vejam como a amizade e a arte podem superar diferenças culturais tão grandes através das iluminadas interpretações de Richard Jenkins (Walter), Haaz Sleiman (Tarek) e Hiam Abbas, que faz a valente mãe de Tarek, Mouna.
Jenkins é aquele raro ator que consegue expressar os sentimentos mais profundos com um simples inclinar da cabeça, com um rápido movimento com as mãos, com um leve abrir os olhos, quando seus olhos se abrem novamente para pessoas simples que entram de repente em sua vida. Haaz nos faz acreditar em cada sorriso, palavra e canção que toca. Nos faz acreditar até as veias no poder da música. E sua mãe, com uma força e amor sem pieguices monumental em seu desejo de ficar perto do filho, é outra atriz que faz desse filme algo tão real e inspirador.
Não contarei mais respeitando a sábia lição de um dos mais humanos críticos de cinema, o americano Roger Ebert. Vejam o filme para a descobrir a mais valiosa qualidade de uma obra de ficção séria: “mostrar as personagens mudando e como elas mudam”. E aprendam também com o grande crítico brasileiro do Estadão, Luiz Carlos Merten: "Adoro quando sou atropelado por esses pequenos filmes, que me desvendam novas janelas para a realidade."
Mais que isso, O Visitante pode mudar um pouquinho nós mesmos. Quem sabe colocando mais música e amizade em nossas vidas. E quem sabe você entenderá um dos lemas desse filme: "Em um mundo com 6 bilhões de pessoas, basta uma para mudar a sua vida".


PS - Está dando um defeito na barra de Cineminha desse blog. Sempre aparecem uns vídeos de rap. Pra sair disso, cliquem no botão atualizar (as setinhas verdes do seu navegador de internet) ou deem o enter no endereço do blog de novo. Só assim verão os vídeos que realment selecionei, que em geral tem a ver com o último post.

sexta-feira, outubro 23, 2009

Twitter faz mal para o cérebro

Um bom texto - com mais de 140 caracteres, graças a Deus e para alívio de meu cérebro - bastou para cair a ficha. Um professor universitário dos EUA matou a charada ao escrever o livro The Dumbest Generation (a geração mais burra) sobre as crianças que gastam horas na internet. Na fragmentação da internet em que elas acabam não tendo contato com o que nos faz desenvolver o pensamento: o conhecimento linear. Um conhecimento que só pode ser conquistado, por exemplos, em livros.
São tantas as informações, links, sites, bobagens e baixarias na internet ao alcance da molecada que as qualidades da grande web perdem feio para a inutilidade.
O grande vilão para o professor Mark Bauerlein é a fragmentação, esse monte de caquinhos de informação e opções que a internet traz e embaralha a mente de qualquer um.
Mas o que o Twitter tem a ver com isso? Tudo, pois traz um monte de gente postando banalidades (maioria) ou dicas legais. O problema é que se formos clicar em várias dicas, vamos ficar pingando de site em site e aí nosso tempo e leitura de qualidade, linear (do começo a fim de um texto), estimulando a reflexão (do começo ao fim), vai pro saco.
Podem ter certeza: pegar um bom jornal, revista ou livro ou ver um bom filme vai fazer muito melhor ao seu cérebro do que o massacre twitteiro.
Um massacre que só faz bem aos donos do Twitter e aos marketeiros que usam esse site para aparecerem ainda mais.
Ou você acha que um dia vai dizer para alguém: - Putz, um dia entrei num link que postaram no Twitter e aquilo contribui demais com minha vida, aprendi isso..., aquilo, mudou minha vida...
Acorda, moçada.
PS - Sim, tenho Twitter e quase nunca atualizo. E não lembro de nada do que li ali. Mas lembrarei muito tempo do texto sobre a geração digital: "Conectados, multitarefa, radicais, isolados e burros". O texto, do caderno LINK, do Estadão, está aqui:
http://www.estadao.com.br/tecnologia/link/not_tec3049,0.shtm

quarta-feira, outubro 21, 2009

O melhor e o pior do Brasil


Não admiro quem apenas critica seu país e não faz nada para melhorá-lo. Piores são os que debocham do Brasil, valorizam tudo o que é estrangeiro e menosprezam o que é nosso. Acho corajosos os que vão embora tentar a vida, por oportunidades de carreira, em outro país. Só que mais bravos ainda são os que ficam e tentam a grandiosa tarefa de trabalhar por esse país e sua gente. O país e sua cidade estão cheios de problemas? Essa gente valente não quer saber. Quer é valorizar o que há de bom. Quer é semear esperança. Quer é arregaçar as mangas e fazer alguma coisa que não seja apenas para si mesmo. Quer é ficar e lutar.
Antes de me acusarem de pequeno, nesse mundo em que muitos atacam antes de esperar o raciocínio completo, afirmo que poucas coisas me ensinaram mais que viajar. Só que tudo o que aprendi e conheci de outros povos e culturas quero é utilizar aqui. Tento utilizar aqui. Tento, por exemplo, mostrar o que vi, li, escutei e senti para meus alunos. Muitos escutam. Outros muitos preferem não sair de seus mundinhos em que não cabe nem o seu país.
Pena que muitos achem a luta em casa uma perda de tempo, pois muitos jovens valorizam mais quem consegue uma bela carreira no exterior e ganha uma bolada ao invés de quem permanece no Brasa ganhando menos e sofrendo mais.
Por isso admiro tanto os que vão e voltam. Os que voltam e trazem o que aprenderam lá fora para melhorar sua pátria, seu povo, seu lar. Assim fez Raí, que poderia, após 5 anos de Paris, ter ficado lá mesmo, assumindo um belo cargo no Paris Saint-Germain e dando uma vida segura e farta em cultura e oportunidades para suas filhas. Mas ele preferiu voltar e criar uma Fundação para dar uma chance para os que não têm quase nada. Raí, que trocou Paris por São Paulo, cabe direitinho num poema em prosa de um escritor mexicano, José Emilio Pacheco: “Não entendo suas razões para amar um lugar desesperador e sem esperança. Ou talvez exista a esperança porque você está aqui mais uma vez e enche de luz outra estação sombria.”
É muito fácil meter o pau em nossa selva neurótica, agressiva, estressante e barulhenta. Mais difícil é ajudar a humanizar São Paulo.
Muito mais fácil é meter o pau na escolha do Rio para a próxima Olimpíada e dizer que só vão roubar (como se não fossem seguir roubando sem a Olimpíada).
Mais difícil é pensar em projetos e ações para aproveitar a excepcional oportunidade de nos tornamos uma nação esportiva. Uma nação com mais atletas e, isso é quase inversamente proporcional: menos jovens marginais.
Não sei cantar o hino nacional nem admiro a maioria dos brasileiros famosos de hoje. Mas fico emocionado e feliz a cada cumprimento educado e sorriso que ganho da gente humilde que anda e luta pelas ruas. A cada pobre morador de barraco que guarda um atleta abnegado, como o Jornal Nacional mostrou hoje na bela matéria sobre o menino pernambucano de 14 anos que faz lançamento de martelo, uma prova em que o Brasil não tem nenhuma tradição. Incrível a raça, vontade, paixão e esperança desse menino e seus companheiros que treinam com tênis rasgados que precisam ser preenchidos com papelão para não rasgarem nos seus pés enquanto giram o corpo violentamente para lançar o martelo.
Esse é o Brasil de verdade. Os super-heróis do povo. Pena que sejam considerados gente menor por muitos. “Você gosta de contar essas histórias de gente humilde que sofre, dá duro e chega lá, né?”, me perguntou há pouco tempo um senhor sobre os personagens de meu livro de esportes. Na hora pensei ser um elogio mas logo percebi que ele na verdade desprezava esses que ralaram tanto. Talvez por achar o esporte e o nosso povo coisas pequenas.
Errado. A verdade é que temos um povo enorme, que só precisa é ter oportunidades. Que só precisa do apoio de brasileiros de verdade. De brasileiros que podem conhecer o mundo mas não caem nessa bobagem globalizante e consumista de que somos cidadãos globais. Somos o nosso país. Depois somos mundo. E devíamos ter consciência e orgulho disso.
Quem não tem que vá pra Miami ou não nos atrapalhe com seu derrotismo ou egoísmo.
* Rainha Marta ilustra esse texto por ser uma rara estrela bem-sucedida no exterior que veste com amor e entrega a camisa de seu país e de um clube brasileiro. E ainda luta para suas companheiras de futebol feminino terem mais chances na carreira.

domingo, outubro 18, 2009

Craque é isso


Hernanes e Diego Souza nunca foram craques como a mídia que cobre o Brasileirão ou seus empresários tentam vender. O primeiro, após um ou dois jogos depois de voltar de contusão, voltou a ser o mesmo jogador que joga muito menos do que acha. Ontem, contra o Atlético, não acertou uma jogada sequer e passou a partida toda com aquele irritante e inútil efeito que tenta dar em todas as bolas, mesmo quando o passe é para o cara ao seu lado. Parece uma bailarina, sem a garra das bailarinas...
Diego Souza vinha, sim, fazendo um belo campeonato, mas é outro que pensa ser muito mais do que é. Seu forte são os chutes, a garra e a eficiência, mas quando precisa inventar espaços ou driblar, não consegue. Quando o jogo pede um craque, ele não corresponde, pois não tem capacidade para isso. Por isso, não fez nada hoje contra o Flamengo, aliás, essa é outra característica sua, a irregularidade e os jogos em que desaparece.
O único craque do Brasileirão tem 37 anos e lidera o surpreendente Flamengo. Petkovic fez um golaço hoje. Mesmo sem velocidade, seu domínio de bola, habilidade e técnica são tão grandes ele invadiu a área do Palmeiras parecendo voar. Não estava, mas como é craque, penetrou na área, driblou e chutou rapidamente para fazer 1 a 0. Quem voa com Pet é apenas a bola... E como ela voou, cheia de veneno, no gol olímpico que Pet aprontou em cima de terrível falha da zaga verde e não de Marcos.
Falando em falha, ela surgiu também no Morumbi, ontem, quando o falso craque da zaga, Miranda, foi iludido por Diego Tardelli, logo a um minuto de jogo e deu uma voadora no excepcional atacante do Atlético. Falta que originou o gol do próprio Tardelli, em nova falha de Miranda!, e isso a um minuto de jogo! E Tardelli, que joga mais que todos os atacantes do São Paulo juntos, podia ter feito outros. Talvez tenha ficado com dó do time que o vendeu a preço de banana (1 milhão...). Santa estupidez: vender um jovem talento (rebelde, mas craque!) e ainda pedir tão pouco.
Falando em estupidez, Ricardo Gomes ouviu os pedidos da lamentável torcida sãopaulina e trocou no intervalo o grosso, mas valente Washington (que tinha chutado uma na trave e criado e perdido outras chances) pelo indolente, covarde e inútil Borges. Ele mesmo, o Borges que se esconde sempre entre os zagueiros adversários, para fugir do pau e da missão de jogar futebol, coisa que ele simplesmente não sabe fazer.
Que inveja do Flamengo e seu craque! Que inveja do futebol moderno de Tardelli!
Acorda, São Paulo, a Libertadores logo virará sonho enquanto Borges continuar a ter mais chances que o Grosso que não pipoca. Enquanto Miranda continuar a achar que é o Beckenbauer. Enquanto Rick continuar a semear seu jogo cheio de passes errados bisonhos. Enquanto Hernanes se achar Falcão, o que não é nem em sonho. Tá mais, com a sua filosofia ridícula (só o idiota do Globo Esporte pra dar moral pras besteiras que o Hernanes fala) para personagem de comédia de mau gosto.
Jason is dead. E perdão, Jason, sei que é um desrespeito tentar assustar alguém com um morto enterrado de costas como o Borges.