segunda-feira, maio 11, 2009

Por que o rock pode salvar vidas


Sim, o show do Oasis não foi fantástico como aquela eletrizante apresentação de três anos atrás, quando o vendaval que caiu sobre o estacionamento do Credicard Hall veio também em forma de músicas cantadas, tocadas e sentidas com emoção máxima. Mas, como um dia aprendi com minha mãe, o que vale nessa vida são os instantes. E cabe a nós experimentar com entrega total os momentos mágicos que a memória mais bela jamais nos deixará esquecer.
Instantes como o Wonderwall cantada em uníssono por 25 mil vozes enquanto amplificávamos o som com o velho e valioso recurso das mãos espalmadas em volta das orelhas.
Instantes como o rock and roll cru sem frescuras e enrolação que o Oasis sempre oferece, em canções que não duram muitos minutos mas que perduram (e como é bom não ter que aturar aqueles intermináveis solos de bateria que muitas bandas insistem em mandar enquanto o resto da banda vai descansar ou encher a cara).
Instantes como os pulos e olhos brilhando da companheira de anos e anos de shows, ela que entende que um show é muito melhor que um headphone e um aparelhinho individual e individualista que não permite as emoções compartilhadas e a emoção multiplicada por milhares de decibéis das caixas de som e fãs.

Instantes como a tempestade bizarra que nos pegou indo ao metrô, a caminho do Anhembi, mas que depois virou apenas risada porque no show mesmo só fomos inundados das emoções tão simples como belas do rock puro dos rapazes de Manchester. Instantes como aquele já esperado comentário divertido deles sobre a chuva insana que caíra antes e que virara apenas uma suportável chuva fina: “fuckin rain”, “it´s like Manchester” disse Liam.
Instantes como a balada das baladas, Don´t Look Back In Anger, cantada e sentida com uma intensidade tão grande que parecíamos estar dentro dessa canção. E isso, estar dentro de uma canção, só é possível quando a ouvimos junto da banda, ao vivo, e das milhares de pessoas que comungam sentimentos parecidos. Instantes como sabermos que um verso dessa mesma canção está errado para muita gente, “don´t put you life in the hands of a rock and roll band”, não coloque sua vida nas mãos de uma banda de rock and roll. Coloco sim, porque nos dias mais tristes e sós, ou nas comemorações mais gostosas e felizes, não conheço nada mais sinônimo de dor ou alegria que uma grande canção de rock de uma banda que amamos. Porque o rock compartilha nossas quedas, traduzindo-as em palavras e melodias e também nos faz levantar e vibrar como um canto ou riff de guitarra apaixonado.
Instantes como aquela longa caminhada de dezenas de roqueiros-amantes da vida, voltando felizes ao metrô Tietê depois de mais um simples e inesquecível show de rock. Show de vida. Show da vida porque sábado os irmãos Gallagher ajudaram de novo a erguer a cabeça e o coração de quem andava por baixo. O rock legítimo sempre consegue essa façanha.
PS - Só faltou a presença da “terceira elementa”, aquela que sabe tão bem o que é dividir emoções em instantes como esses.


A comunhão que só um grande show oferece

sábado, maio 09, 2009

Canção de Amor


The Cure - Love Song



Era uma vez uma menina que amava o mar. O mar que levava no nome e olhos profundos como onda longa que de repente se abre num paredão sem fim. O mar do qual guardava a liberdade, que sempre buscou; a imensidão, em seus sonhos; e a beleza, na sua vocação para a arte em desenhos combinados com palavras raras. Desenhos quase líquidos como os olhos dela no dia em que se despediu de uma turma especial, após uma tarde mágica num quintal farto em verde. Verde das amizades mais bonitas da juventude. As amizades que ela percebeu amar, depois que se permitiu amar um lugar e país onde não queria estar no início, o Brasil.
Quando ela aceitou amar aquele pequeno lugar e pessoas comuns mas especiais, a onda se completou. Uma onda tão azul como a beleza-sede de aprender de uma moça que um dia me disse que não queria terminar um livro porque era bonito demais. Ela não queria chegar ao fim, queria viajar, sonhar e sentir mais nas páginas do romance mais belo que conheço.
Um romance, claro, com o nome e amor dela já no título, Mar Morto, do inesquecível Jorge Amado.
Pena que um dia chegou ao final.
Pena que um dia voltou ao seu país.
Pena que a gente já sabia o que ia acontecer. Já sabíamos que o mar de sua terra não cuidaria bem dela.
Pena que ela, ainda jovem demais, não sabia que o frio das águas de sua terra não era apenas físico. Pena que o frio tenha a machucado tanto.
Era uma vez uma menina que nos mostrou uma das mais belas canções de amor da história, uma canção que transforma o afeto, carinho e querer bem em algo que podemos sentir intensamente. Uma canção que combinava com a voz doce e papo gostoso dessa menina que amava a vida.
Era uma vez uma menina que foi embora mas que nunca esquecemos. Talvez porque pensar nela é pensar no futuro e saber que um dia ela voltará para os nossos cuidados e amor. Um amor sincero daqueles que saberão abraçá-la como a melodia e palavras desta canção maravilhosa, Love song, do The Cure.
The Cure. A cura.
As canções que amamos devem ter um significado maior. Devem ter alguma relação secreta com a nossa felicidade.
Volta, moça.
Temos sal, água, azul, canções, livros, filmes e silver tape (fita adesiva) de nosso próprio coração para remendar cada pedacinho de seus sonhos partidos.
Estamos sempre prontos pra te receber como a onda que espera passear com seu surfista preferido-querido.

sexta-feira, maio 08, 2009

O respeito e a beleza tão longe de casa


Spike Lee, o cineasta da denúncia da intolerância, acertou de novo. Milagre em Santa Anna mostra o conflito entre o horror da guerra - e dos homens que a comandam - com a dignidade de alguns raros soldados, oficiais e civis que tentam lutar com decência na II Guerra Mundial. Com realismo brutal e também fé e magia-esperança infantil, Lee conta a história de um grupo de soldados negros e chicanos (descendentes de latinos) americanos em campanha contra os alemães na Itália durante a II Guerra Mundial. Negros e chicanos que ocupam a linha de frente de seus pelotões de propósito, servindo como escudos para os demais soldados, brancos, que vêm mais atrás.
Além de servirem de cobaias e escudos, esses soldados ainda são maltratados por seus superiores. O filme inicia com um ataque americano a uma posição alemã em que o pelotão de frente é abandonado por seu exército no meio do confronto. Acuados e praticamente entregues ao inimigo, esses quase suicidas (não por vontade própria) são massacrados pelos alemães. Por sorte, quatro dos soldados sobrevivem e acabam encontrando um raro vilarejo, na belíssima região da Toscana italiana, ainda não ocupado pelos homens de Hitler, que avança rapidamente pelo país.
Nesse intervalo de combate, Spike Lee inicia um misto de fábula e filme de guerra temperados com um amizade parecida com a do filme À Espera de um Milagre – em que Tom Hanks viveu um homem bom que dirige um presídio com homens condenados à morte. A amizade de Milagre em Santa Anna vem do menino órfão italiano, Ângelo, que se envolve e ganha a proteção de Train, um enorme soldado negro americano com a mesma alma pura de criança daquele imenso preso com poderes mágicos do filme de Tom Hanks.
Os 4 soldados, três negros e um filho de portorriquenhos, vão interagir com um acolhedor grupo de velhos italianos e uma bela mulher, Renata, e também com alguns homens da resistência italiana, os partisans, que vivem de emboscadas contra os alemães no meio das florestas e montanhas.
A beleza, e também descrença humana suscitada pelo filme, vem do respeito com que esses soldados são tratados pelos italianos, bem diferente do que eles recebem de seu próprio exército e país, os EUA da época em que os negros sofriam todo tipo de racismo. Junto do menino abençoado e dos moradores de uma pequena vila vizinha ao povoado de Santa Anna, os soldados vão descobrir que são gente como qualquer outra, com direito à dignidade, afeto e amor.
O problema é que os alemães estão cada vez mais próximos. Mas mesmo na situação sem saída desses 4 homens e alguns rebeldes partisans cercados pelos alemães, mesmo na impossibilidade da vitória, Milagre de Santa Anna oferece algumas cenas e atitudes de uma grandeza humana chocante. A resistência - contra o mal e a selvageria - dos 4 soldados, dos civis italianos, de alguns oficiais dos americanos e alemães, nos acompanham muito tempo depois de sairmos do cinema. Mesmo no impasse de destruição da guerra, Spike Lee mostra a bravura e beleza de alguns raros homens e mulheres decentes no meio da estupidez e maldade da guerra. O filme pode ser longo demais (mais de 2h e 30), pode ter algumas cenas dispensáveis, como a do início e do desfecho, mas ao final percebemos o valor e permanência dessa verdadeira ópera de batalhas, raiva, amor e fantasia que Spike Lee criou. Uma ópera de guerra longa mas com algumas cenas e gestos humanos inesquecíveis.

quarta-feira, maio 06, 2009

Para o futebol não morrer


O futebol quase morreu hoje em Londres, graças ao tão poderoso quanto covarde milionário time do Chelsea. Dono de um belíssimo elenco e grandes nomes como Terry, Lampard, Drogba, entre outros, o Chelsea simplesmente abdicou de jogar bola porque acreditava que só se defendendo poderia eliminar o Barcelona, time dos sonhos de qualquer verdadeiro amante da bola. Por isso, como já tinham feito na Espanha, os ingleses armaram uma retranca pesadíssima. O gol que fizeram no comecinho (um sem pulo de Essien tão sensacional quanto raro, um em um milhão) fez o Chelsea se retrair ainda mais e esperar o Barca o jogo todo. Esperar, marcar, marcar e marcar. O pequeno gênio Messi fez muito pouco durante 92 minutos (o jogo teve 93...) porque teve um homem grudado nele a partida inteira. Eto´o também foi perseguido implacavelmente em qualquer canto do campo, assim como o homem da criação inicial, Xavi. Para piorar, o pistoleiro elegante, Henri, sentiu o joelho e nem foi pro jogo. Assim foram anuladas quase todas as peças principais do Barça. Quase todas, porque havia um herói conseguindo, mesmo tão marcado, empurra seu time à frente, Iniesta.
Um herói que não era percebido na transmissão fria e calculista da ESPN, que elogiava seguidamente a marcação impecável do Chelsea: Não paravam de repetir isso: “Bacana como um time consegue se defender tão bem, com tanta organização, e como eles sabem fazer isso sem dar chutão.” O que a ESPN não dizia era como era covarde essa tática, como era o anti-futebol. Como uma eliminação do Barca seria um retrocesso para o futebol. Retrocesso porque os malas da ESPN ainda falaram o absurdo de que “é bacana ver times que sabem se defender bem, e vários estão conseguindo fazer isso”. Desculpem o palavrão, mas porra!, deveríamos é valorizar quem valoriza a bola, o ataque, a busca do gol, e não esse maldito esquema medroso.
Por não agüentar mais a ESPN, mudei para a Record, e fui surpreendido de cara por uma comentarista que apontava Iniesta como o grande nome do jogo (na TV a cabo o melhor era Essien). E ela acertou em cheio quando aos 48 minutos do 2º tempo, nos descontos (de 4 minutos), Eto´o perdeu uma bola para Essien mas este furou bisonhamente, a bola sobrou para Messi, que rolou para o canhão do grande herói Iniesta: uma paulada no ângulo que empatou o jogo e colocou o Barcelona na grande final.
Conclusão 1: Um mero marcador é um mero marcador. Essien pode ser um leão, saber apoiar com vigor o ataque, e ainda fez um golaço (não repetirá isso em anos e anos) mas no lance capital do jogo, furou uma bola ridícula, que sobrou para Messi...
Conclusão 2: Messi não ganhou quase uma bola, mas quando teve a bola 7 no taco, deixou Iniesta na boca do gol.
Conclusão 3: Mais valeu um grande jogador que não cansa de atacar que outros que preocupam-se apenas em destruir. Iniesta jamais desistiu. Por isso fez esse gol histórico. Um gol que salvou o futebol. Com tantos idiotas a defender o futebol de destruição, a maior paixão do planeta iria tender cada vez mais para os esquemas mais defensivos cada o Chelsea passasse.
“Justiça poética”, essa a expressão com que concluiu com perfeição a comentarista da Record (Milly Lacombe) o que foi esse gol e a conquista do Barça.

domingo, maio 03, 2009

Barcelona: O mais belo da história


O que eles fazem é muito mais que futebol. É arte. Todas juntas. Uma arte que brilha tanto coletivamente como individualmente. A arte que está na genética e alma do Barcelona, esse clube que sempre foi um monumento ao futebol jogado com beleza e alma a partir de sua marca maior: o toque de bola. O toque que antes brilhara ao máximo nos anos do holandês Cruyjff – como jogador e depois treinador, comandando os geniais Stoichkov e Romário; e um pouco quando Ronaldinho Gaúcho, bem ajudado por Deco, jogou com coração, e não com a vaidade que está acabando com sua carreira. Pois esse Barcelona de hoje, do corajoso treinador Pep Guardiola, ex-líbero de fino trato, supera bastante os anteriores pois já vem jogando dessa forma há quase uma temporada inteira. Jogando como se cada partida fosse um show inesquecível aos seus torcedores (não deveriam pensar assim os amantes do futebol?).
A arte começa com esse baixinho épico, Xavi. Verdadeiro homem-esquadra, que empurra seu time à frente com passes maravilhosos só capazes por craques visionários que ele é. E Xavi ainda tem uma vontade imparável, que o leva a roubar bolas e armar contra-ataques mortais, como no terceiro gol do Barca frente o Real (ah, foi a 6 a 2, em plena Madrid, contra um Real que vencera 17 das suas últimas 18 partidas...). A arte que prossegue em outro poeta do passe, Iniesta. Quando Xavi ou Iniesta tem a bola no meio-campo ou perto da intermediária inimiga, logo criarão passes perfeitos e rápidos, além de triangulações envolventes, que deixarão os infernais solistas e cantores do gol, Messi, Henri e Eto´o na cara do gol. E esse trio é implacável. E sabe servir um ao outro com rara solidariedade em super-craques. E preciso falar da genialidade e multiplicação em campo desse monstruoso Lionel Messi?
Há muitos e muitos anos um time não jogava com tanta beleza, arte e fúria goleadora. Uma fúria única e original como um trator passando por cima das terras adversárias com a leveza de grupo de ballet e velocidade de vídeo-game. Com a grandeza de todas as artes - poesia, música, ballet, pintura, escultura, cinema etc - juntas. Ou não é uma pintura cada trama e gol do Barça? Ou não é poesia o jeito esmerado e refinado com que eles tocam e batem na bola? Ou não é um teatro romântico a conversa que eles fazem com os pés e seus passes que aproximam os barcelonistas e iludem os rivais? Ou não é uma escultura sagrada em homenagem ao futebol arte o conjunto da obra dessa equipe a cada recital como esse 6 a 2? Ou não é um show de música, perceber tantas peças trabalhando-brilhando juntas com emoção e habilidade, vontade e amor? Ou não é um filme épico a temporada 2008/09 deste Barça insquecível?
Pensava que nunca mais iria ver um futebol tão belo como o do Flamengo de Leandro, Júnior, Andrade, Adílio, Zico, Nunes e cia; o Brasil de Telê, Cerezzo, Falcão, Sócrates, Zico, Éder e outros craques da Copa de 82 ou o São Paulo de Telê, Leonardo, Cerezzo, Cafu, Palhinha, Muller e Raí. Mas o que o Barcelona de Xavi, Iniesta, Messi, Henri e Eto´o anda fazendo o coloca definitivamente no rol das mais belas equipes da história.
Acompanhem os gols e entendam como este Barcelona é uma homenagem viva à magia e fantasia de um futebol que parecia não existir mais.

PS - Pena que tenhamos que fazer malabarismos para assisti-lo no Campeonato Espanhol (não passa nos canais normais da ESPN, que passa todos os outros jogos desse certame, e os do Barca, deixa para seu caríssimo canal na Sky, vai entender...). Mas quem quiser ver o Barça na reta final do Espanhol, é só acessar o link abaixo:

http://www.eugeniosvirtual.com/televirtual/jogos_vivo.html

sexta-feira, maio 01, 2009

15 anos sem o herói maior


“Senna era um cara especial porque tinha uma verdadeira preocupação em transmitir valores e idéias que foi forjando a partir de um universo besta e, na real, minúsculo e irrelevante, como é a F-1. É uma capacidade
admirável, essa de extrair das corridas lições e ensinamentos que valham alguma coisa fora de um autódromo.
Revi Ayrton meio por acaso e de passagem na tevê, eu estava almoçando com um olho, ajudando meu filho mais velho a fazer a lição com outro e... Ayrton dava um depoimento não sei bem com qual propósito, mas pesquei uma ou outra palavra, amor, trabalho, dedicação, luta, vencedor, e ele não falava de F-1, mas da vida. Pastores e picaretas que ganham dinheiro com auto-ajuda dizem coisas parecidas na tevê, mas,num certo momento, meu olhar cruzou com o dele na tevê, e naqueles olhos vi sinceridade e franqueza.
Ele não precisava falar isso, mas falava.”
(Flávio Gomes, Lance!, 23/10/03, citado no livro Heróis do Esporte, Heróis da Vida)

Em 1º de maio de 1994, o Brasil e o Mundo não perderam apenas um piloto e ídolo da F-1. Perderam um herói legítimo, aquele capaz de proezas extraordinárias nas pistas ao mesmo tempo em que, fora delas, demonstrava os mais nobres valores. Valores não só do super-campeão que ultrapassava todos os limites como piloto, mas de sua postura rara de ídolo que procurava ensinar algo belo ao brasileiro comum. Algo como o seu apreço à perseverança, trabalho incansável, metas bem definidas, humildade no trato com as pessoas (nunca, por exemplo, um piloto foi tão querido pelos mecânicos de uma equipe de F-1, que Senna tratava como companheiros) e, algo raro, o amor não apenas ao seu país e bandeira, mas ao seu povo. O povo brasileiro que ele ajudava (hospitais, instituições) sem propagandear, sem faturar em cima com um bom-mocismo marketeiro comum em outras grandes estrelas. Essa brasilidade verdadeira (e não só de Copa do Mundo e Carnaval) de Ayrton Senna da Silva era tão forte que, meses antes de morrer, revelou a irmã, Viviane, o desejo de fazer algo maior pelas nossas crianças e jovens.
Aquela fatídica curva de Ímola interrompeu seu sonho. Mas Viviane, uma legítima guerreira do clã dos Sennas, seis meses depois, em novembro de 1994, lançou o Instituto Ayrton Senna, que hoje é a entidade não governamental que mais atende crianças em todo o país, dando uma formação educacional, esportiva, artística e cultural a milhões de meninos e meninas nos 26 estados do país.
Hoje, 15 anos depois de sua morte, mesmo em um país sem muito apreço a memória como o nosso, Ayrton Senna ainda é o herói maior dos jovens brasileiros, à frente de Kaká e Felipe Massa, como mostra uma recente pesquisa do Ibope com jovens de 15 a 19 anos. Um herói porque Senna nunca foi apenas um gênio do esporte. Sua última atitude como o raro ser humano que foi o mundo não pôde conhecer. Descobri isso apenas ontem, na ótima coluna de Flávio Gomes, no jornal Lance. Junto ao corpo sem vida do brasileiro no autódromo de Ímola, descobriram em seu macacão de piloto uma bandeira dobradinha. Do Brasil? Não, da Áustria. Senna queria homenagear o austríaco que perdera a vida nos treinos para a corrida de Ímola e o abalara demais. Tanto que Senna pensou em não correr. Mas o destino o levaria embora, não dos corações que nunca o esqueceram ou que aprenderam a amá-lo mesmo sem viverem em sua época.
Alguns jovens que descobriram Senna depois de sua morte, ou que eram muito novos na época do acidente, coloquei em meu livro, Heróis do Esporte, Heróis da Vida. Quem quiser ler seus depoimentos sobre o valor de Senna, que estão na introdução do livro (“Um herói brasileiro”), clique no link abaixo, que também permite ver o índice e prefácio do livro.
http://tinyurl.com/d2gyu9
Quem quiser conhecer um pouco mais de Senna por ele mesmo, pode entrar em outro link, um especial do site Terra que resgatou frases históricas do herói:
http://tinyurl.com/cdf5rv

quinta-feira, abril 30, 2009

Polaroid


(Os anos inocentes. Ju, Lu, Bi. Um velho roqueiro tira a foto. Morumbi, 2007. Aerosmith)
Nesses tempos de máquinas digitais, lembrar da velha Polaroid, aquele trambolho que tirava fotos e imprimia as imagens na hora, em papel, pode parecer algo ultrapassado demais. Só que nada é ultrapassado quando há charme e beleza envolvidos. Algum nerd maluco fascinado por aquelas maquinas antigas criou um programa em que podemos transformar nossos fotos (que estão no computador) em polaroides. E tudo isso num click só. É escolher a foto, arrastar com o mouse e jogar na polaroid do PC. A preciosidade pode ser baixada e usada no site http://www.poladroid.net
A imagem que ilustra esse post foi criada com esse brinquedo. O passado parece ficar ainda mais bonito.

segunda-feira, abril 27, 2009

Gênio


Uma matada de super craque e a conclusão assassina, rápida e certeira feito matador em duelo.
O drible inesperado, de novo de super craque. A conclusão com uma técnica, habilidade e coragem dos gênios. O Ronaldo do Corinthians se reinventou. Não é mais aquele atacante explosivo, mas continua espetacularmente decisivo e implacável. O novo Ronaldo, o mestre das ressuscitações, parece cada vez mais com o bom e velho baixinho, o Romário da Copa de 94.
A camisa 9 da seleção terá um velho e genial dono.
PS - O Paulistão acabou. Que o Santos tenha pelo menos a dignidade de impedir o título invicto do Corinthians, porque aguentar a gambazada vai ser dose!

quinta-feira, abril 23, 2009

O israelense que pediu perdão


O documentário Valsa com Bashir é o “mea culpa” de um soldado israelense sobre as atrocidades cometidos por Israel e seus aliados na invasão do Líbano, nos anos 80. Feito em uma original animação, o doc. é um testemunho chocante dessa guerra e dos massacres cometidos contra refugiados palestinos civis. A história é tão chocante que o doc. nasceu da necessidade do soldado de tentar lembrar dessa matança, que ele tinha esquecido, traumatizado por tanto horror que protagonizou ou testemunhou. Filme essencial para quem deseja conhecer a falta de limites e decência dessa e de qualquer guerra.

segunda-feira, abril 20, 2009

O rei do perde-perde


Primeiro a "análise twitter", curta e grossa:
Muricy é incapaz de ganhar um mata-mata.
Muricy não sabe fazer seu time pressionar o adversário, muito menos armar jogadas ofensivas que não sejam o balão na área.
Muricy foi infantil ao apontar o São Paulo na final antes de passar pelo Corinthians. Qualquer imbecil sabe que isso motiva o adversário, demais.
O diretor Leco foi um imbecil, pra variar, ao dizer que Ronaldo era um ex-jogador. Deu no que deu. O gordinho virou até velocista e acabou com a gente.
Muricy acabou com Hernanes ao dar-lhe a 10 e avançá-lo de posição.
Hernanes, com a 10, pensa que é Zidane. Nessa posição, não engraxa nem a chuteira do grande Danilo, aquele monstro, fera do tri da Libertadores, que a "sábia" Torcida Independente expulsou do Morumbi.
Miranda é uma grande farsa. Toda decisão ele falha feio. Assim foi nas duas últimas Libertadores. Assim foi ontem, quando em cima dele os alvinegros brincaram de linha de passe no primeiro gol. Zagueiro que se acha craque nunca deu certo em decisão.
Mata-mata pede alma, o que os pontos corridos não exigem tanto.
Dos 3 atacantes ontem, só Washington lutou muito. Borges ficou naquela cabeçada na trave e Dagoberto... bom, Dagoberto voltou a ser Dagoberto...
Ainda nos atacantes, ridículo e com preço alto demais o ciuminho de Washington com Borges e vice-versa. Um simplesmente não passa para o outro quando o outro está livre e em melhores condições.
Ronaldo é Ronaldo. Decidiu.
O Corinthians foi Corinthians, contra um São Paulo que não é São Paulo faz tempo.
A Independente erra até quando acerta. Bonito cantar o nome do time ao final do jogo. Bonito e estúpido, porque torcida que se preza não bate palmas pra time que faz papelão. Torcida que se preza cobra!!! Pede um camisa 10 de verdade! Pede mais raça! Pede mais inteligência!
Não dá para perder na corrida do Ronaldo, né, Rodrigo?!
Pobre mestre Telê, o qu fizeram do futebol de arte e amor que você semeou...

Tá certo que somos agradecidos pelo tri-brasileiro, mas falemos a verdade. Não adianta. Sãopaulino que se preze (e que preze o futebol bem jogado) é viúvo. Não tem títulos brasileiros seguidos que apaguem a última vez em que jogamos bola de verdade, para a frente e com arte. Somos viúvos da última equipe que honrou mesmo as nossas tradições de belo futebol temperado com garra: o São Paulo de Paulo Autuori campeão da Libertadores e do Mundo em 2005.
Os anos Muricy são do tri brasileiro conquistado de forma pragmática, fria e calculista; ou alguém aqui consegue lembrar de um show tricolor nos últimos três anos??? Ontem nosso treinador - o rei do perde-perde nos mata-matas - mostrou de novo como é incapaz de planejar uma estratégia para apenas 2 jogos. Justo ele que disse que "time com 3 atacantes é bom só pra adversário", apostou em 3 atacantes contra o Corinthians e se deu mal. Tá, poderia ser uma boa, mas Muricy já devia saber que Dagoberto simplesmente é incapaz de jogar bem quando entra de titular. O cara só resolve - e de vez em quando... - quando entra no segundo tempo e apronta sua correria habitual. Ontem foi o velho Dagoberto de sempre, uma inutilidade. Como inútil foi Borges, outro incapaz em decisões. Tão incapaz que impediu um gol de Washington ao tentar chutar a bola que estava nos pés do artilheiro mais eficiente que ele. Bom, mais eficiente em outros jogos, não ontem, quando Washington fez o tricolor ter saudades de novo do cara que realmente se matava pelo São Paulo, Aloísio.
Voltando a Muricy, qual é a desculpa agora? O cara montou o time que ele quis esse ano e me apanha duas vezes seguidas do Corinthians? E ainda descansou os titulares (poupando-os da Libertadores) pro papelão de ontem! "Ah, ele não ganhou o camisa 10, o meia que arma a equipe"... Só que tinha um tal de Junior no elenco, e simplesment foi incapaz de perceber que Junior e seus passes maravilhosos poderia ser um belo camisa 10, como está sendo no Atlético Mineiro.
Falando em Atlético, está lá outro renegado por Muricy e pela diretoria, Diego Tardelli, um grandíssimo talento que o São Paulo não teve paciência de esperar explodir de vez. E ainda no Galo está um leão do meio-campo, um cara que se mata em campo e amava o São Paulo, Renan. Vendo o futebolzinho de passarela e salto alto de Hernanes, dá raiva não termos um guerreiro como Renan. Um guerreiro que o ótimo Jean não sabe ser, incapaz que é de jogar duro (na bola) quando necessário,uma necessidade para um volante. Aliás, voltando a Hernanes, incrível como virou vedete inútil em tão pouco tempo e como é irritante a única e mesma jogada que tenta o tempo todo: um passe enjoado em que leva o pé um pouco atrás e tenta botar um efeito na bola.
Outro defeito de Muricy é o seu medo de apostar mais nos garotos da base. Ah, mas ele lançou Hernanes e Jean... Mas temos mais talentos esperando uma oportunidade e confiança. E não falo do meia Oscar, mas sim do atacante Henrique, que é muito mais hábil e guerreiro que Borges e Dagoberto juntos. E falo do lateral esquerdo Diogo, insinuante, forte, sem medo de partir para cima, bem diferente do futebolzinho inútil que o Junior Cesar vem jogando.
Chega de covardia, chega de desvirtuar a tradição ofensiva do São Paulo tão bem moldada nos anos Cilinho e Telê Santana. Chega de ficar jogando no erro do adversário ou levantando bola na área. Chega de falsos bons jogadores. Chega de erros estúpidos como avançar um Hernanes e perder o que ele tinha de melhor, a roubada de bola em que partia de trás, de surpresa. Chega de não ousar. Chega de basear quase todas as ações em um só jogador e uma só função: Jorge Wagner e seus cruzamentos. Chega desse futebolzinho tão feio e insosso.
Libertadores? Com esse time não passamos das quartas-de-final. Talvez nem das oitavas.