sexta-feira, dezembro 05, 2008
Canções da Vida
Quando tudo parece perdido, quando o queixo não quer levantar, quando a boca não fala e os olhos não brilham mais e o telefone não toca,
Quando nossa outra metade não aparece mais naquele nosso lugar mágico, silencioso [som era só o dos nossos corações],
Quando os amigos não pintam de repente, tocando a campainha, o interfone ou gritando,
Quando o mundo parece congelado numa tela triste e sombria, envolta em fantasmas lá dentro do peito, é hora de buscar o melhor remédio.
Sim, não cura por muito tempo, mas poucas coisas são tão poderosas para nos lembrar que ainda há esperança como a MÚSICA,
as canções que nos aquecem o peito.
Tá, algumas delas aumentam ainda mais o vazio, mas essas, de tão belas e tristes pelo menos nos lembram que ainda há arte e maravilha lá fora,
pelo menos no louco mais deprê que a gente que criou essa canção tão dolorosa.
Mas nada de deprê na caixa de som, como é bom escutar de repente na rádio [KISS FM, claro] baladaças que nos lembram, p...: ainda estamos vivos, e temos muita coisa boa, aqui dentro para oferecer.
Um acorde de guitarra ou baixo, um verso e estamos salvos de novo,
lembrando de alguma cena inesquecível
com ela [dane-se se ainda não deu certo, sejamos felizes pelo que vivemos]
ou com aquele brother, com aqueles amigos
naquela praia, festa ou naquele bar,
de noite, olhando as estrelas, o mar
celebrando o amor,
ou a amizade.
Porrada, a gente nunca está preparado, e incrível como a rádio vem e toca aquele som que não podia tocar,
vem mais lembranças, profundas, antigas, cenas maravilhosas que talvez não voltem mais,
MAS AUMENTA QUE ISSO AQUI É ROCK AND ROLL,
Depois de uma balada vem um petardo,
TÁ COM MEDO DO ESCURO?
Somos salvos então por uma poderosa canção que invoca isso mesmo,
O MEDO DO ESCURO,
É Iron Maiden com Fear of the Dark
incrível como os solos de guitarra e a bateria acelerada desse som jogam o medo do futuro e a dor do passado pra casa do...
e ainda tem aquele finalzinho mágico, suave, dedilhar suave da guitarra e o canto “when i´m walking a dark road, iam a man who walks alone”,
[Quando eu estou andando em uma estrada escura, eu sou um homem que caminha sozinho]
Sim, podemos ficar sozinhos,
mas ainda podemos pegar a nossa própria estrada, dos nossos sonhos.
Ninguém se perde de vez enquanto existir uma canção para nos salvar.
(12/05/2004)
O menino que gostava de Oasis
“Tá me tirando?!”. Era a frase típica dele, servia para brincadeiras descontraídas e também para quando ficava esquentado mesmo. Mas a verdade desse moleque enorme que gostava de fazer panca e cara de mau era fácil de sacar: era o coração grande e o carinho com os amigos. Só que “carinho” ele não diria nunca, era machão demais pra isso. “Inho” só dizia se fosse seu sobrenome, Godinho, e assim mesmo tinha que vir acompanhado do que sempre adorou: style. Estilo. Tá, o cara é super desajeitado, mas até que tem um certo estilo, mas claro, a anos luz do email que ele teve coragem de colocar como seu, David Beckham!
Pô, Beckham não dá, né, você está mais pra aqueles centroavantes trombadores, mas estabanados. Tá, mas fazendo seus gols.
E gols esse moleque fez muito para a turma dele. Porque hoje de manhã, logo na primeira aula, ninguém dormiu ou fez bagunça. Sua classe e seus amigos ficaram mudos quando li suas palavras d despedida. E claro, vaidosão, que algumas meninas choraram... E todos pareceram sentir o baque daquela carteira vazia.
É, você sabe que acabou é se tornando símbolo de outra palavra que adorava, “vacilar”. É, vacilou bastante, como você mesmo disse ter consciência. Melhor assim, porque só os grandes sabem quando pisam na bola. E só os bons corações, como o seu, aproveitam isso pra dar a volta por cima.
Mas não encana quando botar a cabeça no travesseiro. Tô achando é que os amigos e amigas que deixou aqui vão é ficar mais intensos. Porque o seu nome, para muitos de seus brothers e gatinhas não lembra vacilo ou mancada. Lembra é saudades.
Lembra é amizade. Pura.
Té mais, “maluco”, nunca esqueça do que construiu aqui dentro. Sei que conversamos pouco, e te cobrei por ter escrito e se esforçado tão pouco. Mas saiba que suas raras redações foram lidas com gosto.
Porque você despejava sinceridade e emoção naquelas folhas de caderno.
Esse é o cara que quero lembrar. Aquele que escreveu com alma sobre como é de verdade, naquele auto-retrato [proposta do livro de Português, viu Rafinha!!!] que eu li pra sua galera.
Por isso tudo, esqueça um pouco o estilo. Seja mais o “maluco” beleza, de bom coração e cheio de atenção com os amigos. Entre todas as rebeldias que você gosta de empunhar, escolha a revolução de lutar pela amizade, que tão bem descreveu nas redações.
E nunca, velho, nunca “don´t look back in anger”.
Olhe para trás apenas para as lágrimas sentidas e sorrisos que deixou.
Abraço do "vovô o escambau!",
“Stand by me” e boa sorte.
Anos Incríveis

“Crescer acontece de repente, como uma batida do coração. Num dia você é uma criança, no outro, esse garoto não existe mais. Mas as memórias da infância permanecerão com você na longa jornada” [Kevin Arnold lembrando os anos que marcaram demais sua vida]
Nunca antes a TV conseguira retratar tão bem - com beleza, paixão, poesia, força e verdade - os melhores anos de nossas vidas: a travessia dos 11 para os 16 anos. É essa a proeza do seriado Anos Incríveis [Wonder Years], que acompanhou por seis anos [em tempo real] a vida do garotinho e depois adolescente, Kevin Arnold, sua família, amigos, professores e todo o momento histórico da época [a virada dos anos 60 para os 70].
Nunca existirá outro seriado como esse, porque os valores cultuados naqueles anos dourados parecem hoje sonhos e ideais distantes, nesse mundo cada vez mais desumano e violento. Nesse mundo em que “o futuro das nações”, os adolescentes com poder [quem têm uma boa formação educacional, cultural e condições econômicas], preferiram aderir ao sistema. Preferiram o consumismo, a alienação e a apatia aos protestos e sonhos de um mundo melhor que defendiam os jovens dos anos 70.
Anos mágicos e conturbados, fartos em esperança, alegria ou dor; guerra e paz; assim foi o período entre 1968 e 1973, nos anos em que Kevin Arnold, transformou-se de uma criança que ainda não descobrira o encanto da primeira vez [primeiro beijo e namorada] em um jovem já entediado de um trabalho rotineiro, que deseja chutar o balde e cair na estrada.
Enquanto Kevin cresce, vamos assistindo às suas descobertas: o amor que nasce tão cedo, mas forte e puro por Winnie Cooper; a amizade leal, com jeito de eterna, com Paul; o difícil relacionamento com os irmãos mais velhos [o alienado Wayne e a revolucionária Karen] e sua complexa relação, farta em desejos de se libertar mas também explodindo de carinho e atenção, com os pais. E nem falei das pequenas grandes batalhas, glórias e derrotas - todas valiosas lições - vividas na escola; na festa em que quase destruiu sua casa, no romance de verão com a menina do lago, na saudade do fiel companheiro por tantos anos, o cachorrinho beagle Buster...
Além de retratar com sensibilidade os tesouros e problemas dos anos-ritos de passagem de Kevin Arnold [parecidos demais com as experiências de todos os que tiveram o privilégio de uma infância inesquecível], Anos Incríveis é ainda mais mágico por cada episódio ser narrado por um Kevin já adulto. Então ele faz reflexões sobre cada experiência que viveu quando garoto. Sim, há um certo saudosismo triste, pois percebe muitas vezes que alguns momentos e oportunidades não voltarão jamais. No entanto, o Kevin já crescido e pai de família mostra que seu coração será sempre uma grande colcha, tecida com cada pequena beleza, sonho tornado realidade e lição daqueles anos maravilhosos.
Sopro de esperança. O mundo está cada vez mais longe dos ideais de paz, amor e compreensão defendidos pelos jovens da época de Kevin. Quanta paixão, amor e afeto eles exibiam em tantos momentos marcantes, como nos protestos contra a Guerra do Vietnam, nos festivais de música da contracultura dos hippies, ou no tempo maior que se passavam junto da família e amigos [ainda não existia o videogame, a internet ou a overdose de cursos para ocupar a molecada]!
Mas cada vez que exibo no colégio um episódio desse seriado, e vejo a atenção, sorriso e até algumas lágrimas disfarçadas [por que os meninos e meninas de hoje precisam esconder as lágrimas, tão doces e puras?] de meus alunos, volto a acreditar que um dia esses anos voltarão de novo...
Porque “eu me lembro de um lugar… de uma cidade, de uma casa como tantas outras… um quarteirão, como tantos outros... uma rua, como tantas outras. E uma coisa permanece a mesma… depois de todos esses anos, eu ainda olho para trás... e vejo que foram anos incríveis...”
P.S. Dedicado aos meus eternos alunos e amigos, que um dia se emocionaram com esse seriado, e para a menina da praça.
(30/03/2004)
O velho do mar

Califórnia, EUA, dias de hoje. Um antigo campeão das ondas, Jim Wesley, quase um cinqüentão, poderia ter desistido da vida após perder a mulher e o filho em um acidente. A fidelidade aos seus ideais e às ondas não permite essa fuga e covardia. Porque Jim ainda sabe que a palavra fundamental é “compartilhar”.
É por isso que ele entra na vida de um garoto, órfão de pai, que quer aprender a surfar. É assim que ele vai voltar a viver: dividindo sorrisos e sessions com esse menino.
Óbvio imaginar o que acontecerá [o moleque ainda tem uma bela mãe e um irmão rebelde]? Sim, mas as palavras de Jim Wesley não são nada banais. São bem diferentes dos egos inflados, egoísmo e desrespeito que transbordam hoje dentro e fora do mar.
Jim se afastou das competições e da busca por ondas cada vez maiores porque achou que tinha coisas mais importantes para fazer: “Passei tanto tempo tentando provar algo, tentando ser aquele cara [de um pôster na parede, ele dropando uma morra monstruosa], que esqueci a razão pela qual eu surfava”.
Ele também passou uma borracha na interminável procura da onda perfeita: “As ondas que eu pegarei amanhã serão sempre as melhores e mais importantes.”
O que vale para Jim Wesley é surfar. Em qualquer lugar, em qualquer tipo de onda.
Não importa o tamanho da onda. Mais importante é o tamanho do coração do surfista.
Pensem nisso antes de reclamar do mar e de qualquer coisa.
“Não importa se o mar está calmo ou feroz, mas sim o modo como você vai sentir a brisa em sua alma” [Janaína Grasso, ex-aluna do colégio Horizontes-Uirapuru]
PS – Jim Wesley é na verdade o ator Mark Harmon. É um personagem do filme “No Calor do Verão” [passa no canal a cabo Cinemax e pode ser alugado em vídeo ou DVD]. Um filme despretensioso e simples. Mas o olhar e palavras de Jim valem mais que horas e horas desses vídeos de surf moderninhos.
É por isso que ele entra na vida de um garoto, órfão de pai, que quer aprender a surfar. É assim que ele vai voltar a viver: dividindo sorrisos e sessions com esse menino.
Óbvio imaginar o que acontecerá [o moleque ainda tem uma bela mãe e um irmão rebelde]? Sim, mas as palavras de Jim Wesley não são nada banais. São bem diferentes dos egos inflados, egoísmo e desrespeito que transbordam hoje dentro e fora do mar.
Jim se afastou das competições e da busca por ondas cada vez maiores porque achou que tinha coisas mais importantes para fazer: “Passei tanto tempo tentando provar algo, tentando ser aquele cara [de um pôster na parede, ele dropando uma morra monstruosa], que esqueci a razão pela qual eu surfava”.
Ele também passou uma borracha na interminável procura da onda perfeita: “As ondas que eu pegarei amanhã serão sempre as melhores e mais importantes.”
O que vale para Jim Wesley é surfar. Em qualquer lugar, em qualquer tipo de onda.
Não importa o tamanho da onda. Mais importante é o tamanho do coração do surfista.
Pensem nisso antes de reclamar do mar e de qualquer coisa.
“Não importa se o mar está calmo ou feroz, mas sim o modo como você vai sentir a brisa em sua alma” [Janaína Grasso, ex-aluna do colégio Horizontes-Uirapuru]
PS – Jim Wesley é na verdade o ator Mark Harmon. É um personagem do filme “No Calor do Verão” [passa no canal a cabo Cinemax e pode ser alugado em vídeo ou DVD]. Um filme despretensioso e simples. Mas o olhar e palavras de Jim valem mais que horas e horas desses vídeos de surf moderninhos.
O Namorado das Ondas

Sempre o maior campeão. Mantendo a simplicidade, humildade e alegria dos tempos de garoto. Kelly Slater não muda. Nunca fez pose, não usa máscaras. O mar não usa máscaras, não se esconde, está lá fora, bombando, vivendo. O mar, o reflexo dos olhos azuis e do caráter nobre do maior surfista de todos os tempos.
Seis vezes campeão mundial, Slater é maior que títulos ou recordes. Será lembrado não “apenas” por seu talento absurdo – ninguém conjugou tão bem velocidade, força, estilo, risco, inovação e performance em qualquer tipo de onda como ele – mas também por seu caráter elevado.
Raros dominaram tanto um esporte como o garoto crescido nas merrecas de Cocoa Beach, da sua Flórida natal. Mas diferente de um Michael Jordan no basquete ou um Pelé no futebol, homens que viraram marcas, Slater permaneceu sempre um surfista.
Um cara simples que, mesmo sendo um super herói das ondas, é capaz de admitir sua fragilidade, de um homem como tantos outros buscando sentido para a vida. Como falou há alguns anos na revista Trip:
“O surf não preenche a vida de ninguém” (sobre a vida de competidor)... “Eu não estaria bebendo até as sete da manhã se estivesse realmente feliz” (sobre uma noitada em Maresias, julho de 2000).
Um campeão humilde, que não se considera o maior da história, como afirmou em O Globo, em 1997, dizendo que não se podem comparar surfistas de épocas diferentes e ainda afirmando que não pode ser o maior, “se um Mark Occhilupo tem a melhor batida de backside que eu já vi”.
Certo, Slater, mas é óbvio que você é o mais completo da história, como demonstram seus títulos e performances que aproximaram demais o surf das obras de artes sublimes como a pintura, a dança e a música.
Um artista e também um guerreiro, como provou na melhor bateria de campeonato da história, a semifinal do Pipe Masters de 1995, em que enfrentou [na verdade, comungaram juntos] seu amigo e outro artista genial, Rob Machado. Ambos dominaram tubos incríveis nas sagradas e perigosas ondas grandes tubulares de Pipeline com uma classe, estilo e soberania que nenhum outro alcançou depois. Foram se alternando na liderança da bateria com uma sucessão de notas dez ou quase, em drops de abandono e encontros com saídas de tubos impossíveis. Slater venceu, mas teve a dignidade de, no meio da disputa, cumprimentar com um aperto de mão uma onda surreal do amigo.
“Observar o seu ato não nos inspira a surfar, porque nem em nossa imaginação podemos surfar como ele” (Jason Borte). Surreal Kelly Slater, aquele que surfa mais do que nossas fantasias. E que também não tem medo de tornar sonhos realidade, como fez com sua outra paixão, a música. O cantor Slater foi malhado por boa parte da crítica, mas quanta poesias e violões encantados existem no álbum “Songs from the Pipe”, que gravou junto de Machado e de Peter King. Há muito sentimento ali, em baladas cativantes como “Never” e “Not Your Slave”. Esta última tem um ritmo, harmonia, fluidez e impacto que parece reproduzir uma session do próprio Slater.
Sessions que serão sempre bonitas como uma história de amor, pois esse mito é um espelho perfeito para o conceito de surf de seu brother maior, Rob Machado: “surfar é como se apaixonar”.
Um dia, lá nos confins da infância, as ondas do mar se apaixonaram por um garoto chamado Kelly Slater...
Seis vezes campeão mundial, Slater é maior que títulos ou recordes. Será lembrado não “apenas” por seu talento absurdo – ninguém conjugou tão bem velocidade, força, estilo, risco, inovação e performance em qualquer tipo de onda como ele – mas também por seu caráter elevado.
Raros dominaram tanto um esporte como o garoto crescido nas merrecas de Cocoa Beach, da sua Flórida natal. Mas diferente de um Michael Jordan no basquete ou um Pelé no futebol, homens que viraram marcas, Slater permaneceu sempre um surfista.
Um cara simples que, mesmo sendo um super herói das ondas, é capaz de admitir sua fragilidade, de um homem como tantos outros buscando sentido para a vida. Como falou há alguns anos na revista Trip:
“O surf não preenche a vida de ninguém” (sobre a vida de competidor)... “Eu não estaria bebendo até as sete da manhã se estivesse realmente feliz” (sobre uma noitada em Maresias, julho de 2000).
Um campeão humilde, que não se considera o maior da história, como afirmou em O Globo, em 1997, dizendo que não se podem comparar surfistas de épocas diferentes e ainda afirmando que não pode ser o maior, “se um Mark Occhilupo tem a melhor batida de backside que eu já vi”.
Certo, Slater, mas é óbvio que você é o mais completo da história, como demonstram seus títulos e performances que aproximaram demais o surf das obras de artes sublimes como a pintura, a dança e a música.
Um artista e também um guerreiro, como provou na melhor bateria de campeonato da história, a semifinal do Pipe Masters de 1995, em que enfrentou [na verdade, comungaram juntos] seu amigo e outro artista genial, Rob Machado. Ambos dominaram tubos incríveis nas sagradas e perigosas ondas grandes tubulares de Pipeline com uma classe, estilo e soberania que nenhum outro alcançou depois. Foram se alternando na liderança da bateria com uma sucessão de notas dez ou quase, em drops de abandono e encontros com saídas de tubos impossíveis. Slater venceu, mas teve a dignidade de, no meio da disputa, cumprimentar com um aperto de mão uma onda surreal do amigo.
“Observar o seu ato não nos inspira a surfar, porque nem em nossa imaginação podemos surfar como ele” (Jason Borte). Surreal Kelly Slater, aquele que surfa mais do que nossas fantasias. E que também não tem medo de tornar sonhos realidade, como fez com sua outra paixão, a música. O cantor Slater foi malhado por boa parte da crítica, mas quanta poesias e violões encantados existem no álbum “Songs from the Pipe”, que gravou junto de Machado e de Peter King. Há muito sentimento ali, em baladas cativantes como “Never” e “Not Your Slave”. Esta última tem um ritmo, harmonia, fluidez e impacto que parece reproduzir uma session do próprio Slater.
Sessions que serão sempre bonitas como uma história de amor, pois esse mito é um espelho perfeito para o conceito de surf de seu brother maior, Rob Machado: “surfar é como se apaixonar”.
Um dia, lá nos confins da infância, as ondas do mar se apaixonaram por um garoto chamado Kelly Slater...
(27/03/2004)
Viagem sem fim

“A vida é muito curta pra gente ficar repetindo os caminhos” (Amyr Klink, falando direto da Antártida - rodeado de gelo e gelo, sozinho, com seu barco e seus sonhos de nunca parar de explorar o mundo - no magnífico documentário Mar sem fim, exibido pelo GNT).
Como podemos nos intitular viajantes quando nos deparamos com um explorador chamado Amyr Klink, o brasileiro que atravessou o Atlântico num barco a remo e depois o mundo, pela terrível rota mais sul possível, farta em tempestades, ondas de até 15 metros e um frio extremo, no círculo polar?
Se não podemos correr o mundo como Amyr, por faltar coragem (e dinheiro), nada nos impede de empreender outra viagem, tão maravilhosa e árdua: a travessia dos corações humanos.
Amyr vai longe, em jornadas incomparáveis, fartas em experiências fantásticas. Mas e os que ficam e tentam conhecer, profundamente, um lugarzinho ou as outras pessoas?
Amyr se entrega ao oceano infinito, aos mistérios mais desconhecidos da Terra. Outros, cada vez mais raros, entregam-se à descoberta do coração humano. Pena que muitos não entendam e não permitam serem navegados pelos corações azuis desses marinheiros da vida.
Talvez as montanhas brancas, de geleiras e icebergs, que Amyr descobriu sejam menos inóspitas que algumas pessoas que estimamos e com quem tentamos nos relacionar. Não dá para entender, por exemplo, a frieza dos que partem de nosso porto-amizade para nunca mais voltar.
Ou será que eles é que têm razão, em suas eternas viagens sem olhar para trás, tocando a vida e novos portos?
Sim, precisamos nos contentar um pouco em sermos apenas boas lembranças para esses viajantes que nunca regressarão. Pois sabemos que em algum momento, fomos nós o mar sem fim que inspirou esses corajosos exploradores que olham a vida e o mundo como a próxima viagem.
Mas quem sabe um dia não olhem uma velha fotografia
descubram uma carta antiga
ou escutem, em um lugar distante,
aquela velha canção,
chamada amizade ou amor verdadeiro.
Como podemos nos intitular viajantes quando nos deparamos com um explorador chamado Amyr Klink, o brasileiro que atravessou o Atlântico num barco a remo e depois o mundo, pela terrível rota mais sul possível, farta em tempestades, ondas de até 15 metros e um frio extremo, no círculo polar?
Se não podemos correr o mundo como Amyr, por faltar coragem (e dinheiro), nada nos impede de empreender outra viagem, tão maravilhosa e árdua: a travessia dos corações humanos.
Amyr vai longe, em jornadas incomparáveis, fartas em experiências fantásticas. Mas e os que ficam e tentam conhecer, profundamente, um lugarzinho ou as outras pessoas?
Amyr se entrega ao oceano infinito, aos mistérios mais desconhecidos da Terra. Outros, cada vez mais raros, entregam-se à descoberta do coração humano. Pena que muitos não entendam e não permitam serem navegados pelos corações azuis desses marinheiros da vida.
Talvez as montanhas brancas, de geleiras e icebergs, que Amyr descobriu sejam menos inóspitas que algumas pessoas que estimamos e com quem tentamos nos relacionar. Não dá para entender, por exemplo, a frieza dos que partem de nosso porto-amizade para nunca mais voltar.
Ou será que eles é que têm razão, em suas eternas viagens sem olhar para trás, tocando a vida e novos portos?
Sim, precisamos nos contentar um pouco em sermos apenas boas lembranças para esses viajantes que nunca regressarão. Pois sabemos que em algum momento, fomos nós o mar sem fim que inspirou esses corajosos exploradores que olham a vida e o mundo como a próxima viagem.
Mas quem sabe um dia não olhem uma velha fotografia
descubram uma carta antiga
ou escutem, em um lugar distante,
aquela velha canção,
chamada amizade ou amor verdadeiro.
(30/03/2004)
quarta-feira, dezembro 03, 2008
A menina que surfa com os pés

Segundona. Último dia na escola da praia. Na escola e praia que foram minha casa esse ano todo. Na escola que, triste demais, está fechando. Madruguei para surfar antes das aulas. Queria pegar a missa das seis lá dentro, na catedral azul. Netuno se escondeu, e minhas tão presentes companheiras do Itararé simplesmente não estavam lá. Não havia ondas. Na escola também não estava mais presente aquela turma com quem surfei as mais belas ondas da educação com amor. Mas sempre há algum surfista de alma, basta sabemos olhar e sentir, como percebi em minha outra turma. Veio então aquele presente surpreendente, de uma aluna difícil mas tão valiosa. Um bloquinho de notas artesanal feito por crianças humildes. Um pequeno caderno para minhas palavras futuras; feitas em folhas de vontade, embrulhadas em saudade. Valeu, Julia.
Palavras são menores que gestos e olhares. São menores que outro presente inesquecível. Um presente vivo, que seria construído com arte, beleza, alegria e parceria por outra menina. Ana Luiza sempre me chamava pra jogar bola com ela nos mágicos e longos intervalos da Escola Americana de Santos, 30 minutos, mas eu ficava tomando aquele café da manhã gostoso com a moçada da turma mais velha. Mas ontem, no último dia, joguei com ela.
Horas mais tarde, na estrada de volta para Sampa, as imagens e sensações das tabelinhas com a Ana permaneciam como o sal sagrado após uma session de surfe. Como uma onda perfeita que a gente não esquece.
Foram tabelas e mais tabelas. Foram passes com afeto. Foram gols e alegrias sinceras. Foram nossas últimas brincadeiras na escola que foi o lar dela por tantos anos. Na escola que ela aprendeu a amar. Talvez por isso a Ana conheça tão bem cada cantinho daquela quadra. Mas não é por isso que ela joga tão bem. A menina é um talento natural raro. Nasceu para jogar bola. Incrível como parece flutuar pela quadra numa aceleração de bailarina que é jogadora de futebol. Incrível sua objetividade, seu jogo vertical em direção ao gol. E sua humildade ao achar que não joga bem.
Acorda, minha querida aluna e parceria desse jogo tão belo, você é especial também com a bola nos pés. Por isso acredito tanto que seu sonho de jogar bola e estudar fora vai dar certo. Porque ontem eu e você jogamos como se estivéssemos surfando. As ondas nasceram, como mágica, de nossas jogadas, de nossa vontade. Da nossa vontade de partilhar a bola como se estivéssemos lá atrás esperando as ondas mais bonitas.
Obrigado por essa partida que ficará em minha memória talvez para sempre. Como poderia esquecer a minha última onda na EAS?
Vai fundo, artista, você surfa com a bola nos pés.
Um cachorro na esquina

Ontem fim de tarde. Esquina da Heitor Penteado com a Pereira Leite. Farol fechado na minha pista, para pegar a descida da Pereira. Na direita, zilhões de carros e buzões indo pra Lapa ou Cerro Corá. Foi quando o vi. Um cachorro felpudo (tipo sheepdog, mas metade do tamanho) com cara triste, muito triste, olhava caladão, parado-sentado em frente de uma portinha pequena e detonada ao lado de um muro sujo. Devia se tratar de um cão humilde, de dono que não tava nem aí pra dar um banho no meninão acinzentado. E, com aquele olhar triste, e com a fachada deteriorada daquele lugar (de onde ele parecia vir), desconfiei que o bicho não recebia muita atenção, carinho e cuidado. Comecei a viajar, vendo a calma e pose de estátua do bicho, sobre a estupidez e loucura daquele monte de carros e pessoas com pressa e mal humor dentro da maioria dos veículos.
O que o cão devia pensar da vida apressada, estressada e cinzenta dos paulistanos? Qual o sentido de estarmos sempre em movimento, mas sentados dentro de um estúpido carro ou ônibus, veículos ou sem graça (o carro é a solidão em 4 rodas e anda cada vez mais caro) ou desconfortáveis e ultra barulhentos (buzão)? Sorte de quem pode curtir o conforto e barulhinho gostoso do metrô, que ainda permite ver as pessoas, até dar uma secada na mulherada, mas isso, claro, longe do horário de pico e das proximidades das estações Paraíso ou Sé... e longe do isolamento dos mps3´s e iPods, esses castradores do contato e relacionamento humano, mas isso é assunto pra outro post...
Volto ao cão e seu olhar triste de desconsolo com si próprio e com essa neurótica humanidade da grande cidade. A visão que levaria pra minha casa seria de tristeza e pena, de nós e do bichinho, mas aí eles apareceram. A pé, claro. Ele, aquele típico sangue bom de bem com a vida, andando com uma mulher e fazendo-a sorrir. Ela, uma bela gata que sabe sorrir fácil e sincera. Pois ela passou do lado do bichinho, falou algo com ele e foi então que o cão mais triste do mundo deu o olhar mais bonito e doce do mundo. Ele virou o pescoço, ela seguia falando com ele enquanto caminhava e o olhar do bichinho era uma explosão de amor à primeira vista e carinho pidão.
O sinal abriu, tive que vazar. Mas tenho certeza que aquela bela moça, em todos os sentidos (até na blusa amarela alegre que usava), retornou um passo e fez um cafuné gostoso e inesquecível no bichinho. Depois ela teve que voltar ao seu trabalho e o cãozinho deve ter ficado parado ali na frente daquela portinha horas e horas esperando-a voltar.
Ela não volta e ele tem que voltar, se arrastando e com o velho olhar triste, pra dentro daquela portinha toda zoada e mal cuidada. Ou fica parado de novo olhando a estupidez e violência do transito e dos humanos (?) que não falam com ele nem dão uma paradinha pra lhe fazer um agrado.
Eta vida besta. Mas, graças a Deus, o mundo voltará a girar quando outra bela mulher ou criança pura parar naquela esquina para acarinhar o cachorro que parecia um santo abandonado esperando para que se provasse que a humanidade está perdida de vez ou ainda tem salvação.
O que o cão devia pensar da vida apressada, estressada e cinzenta dos paulistanos? Qual o sentido de estarmos sempre em movimento, mas sentados dentro de um estúpido carro ou ônibus, veículos ou sem graça (o carro é a solidão em 4 rodas e anda cada vez mais caro) ou desconfortáveis e ultra barulhentos (buzão)? Sorte de quem pode curtir o conforto e barulhinho gostoso do metrô, que ainda permite ver as pessoas, até dar uma secada na mulherada, mas isso, claro, longe do horário de pico e das proximidades das estações Paraíso ou Sé... e longe do isolamento dos mps3´s e iPods, esses castradores do contato e relacionamento humano, mas isso é assunto pra outro post...
Volto ao cão e seu olhar triste de desconsolo com si próprio e com essa neurótica humanidade da grande cidade. A visão que levaria pra minha casa seria de tristeza e pena, de nós e do bichinho, mas aí eles apareceram. A pé, claro. Ele, aquele típico sangue bom de bem com a vida, andando com uma mulher e fazendo-a sorrir. Ela, uma bela gata que sabe sorrir fácil e sincera. Pois ela passou do lado do bichinho, falou algo com ele e foi então que o cão mais triste do mundo deu o olhar mais bonito e doce do mundo. Ele virou o pescoço, ela seguia falando com ele enquanto caminhava e o olhar do bichinho era uma explosão de amor à primeira vista e carinho pidão.
O sinal abriu, tive que vazar. Mas tenho certeza que aquela bela moça, em todos os sentidos (até na blusa amarela alegre que usava), retornou um passo e fez um cafuné gostoso e inesquecível no bichinho. Depois ela teve que voltar ao seu trabalho e o cãozinho deve ter ficado parado ali na frente daquela portinha horas e horas esperando-a voltar.
Ela não volta e ele tem que voltar, se arrastando e com o velho olhar triste, pra dentro daquela portinha toda zoada e mal cuidada. Ou fica parado de novo olhando a estupidez e violência do transito e dos humanos (?) que não falam com ele nem dão uma paradinha pra lhe fazer um agrado.
Eta vida besta. Mas, graças a Deus, o mundo voltará a girar quando outra bela mulher ou criança pura parar naquela esquina para acarinhar o cachorro que parecia um santo abandonado esperando para que se provasse que a humanidade está perdida de vez ou ainda tem salvação.
domingo, maio 20, 2007
Ele voltou
Inesquecível. Muito mais que uma imitação. Alma. Emoção. Calor. Técnica. Arte. Espetáculo. Comoção do público. Magia. Só mesmo muito amor por uma banda para existir algo chamado Diós salve la reina, uma das melhores bandas covers do Queen do planeta. E eles estiveram aqui em Sampa ontem à noite, surpreendendo a todos que estiveram no Via Funchal. Logo na entrada, damos aquela risada gostosa ao vermos a incrível semelhança do cantor Pablo Padín com Freddie Mercury. Logo as risadas são substituídas pela emoção de descobrir que o argentino tem voz (e isso não é mentira!) parecida com a do maior vocalista de todos os tempos, Freddie. Sim, ele não consegue alcançar aquelas esticadas de voz monumentais do mito, nem tem tantos recursos de variação, mas é sim o espírito da garganta do líder do astro que escutamos. É sim algo muito parecido com o Queen que ouvimos, sensação reforçada ao acrescentarmos os outros três fantásticos músicos da banda, especialmente o guitarrista Francisco Calgaro, que toca uma réplica da guitarra Red Special, do gênio das cordas Brian May; e destaco também o batera dessa banda cover, o cabeludo meio Maradona louro que simplesmente estraçalhou sua batera feito um coração se declarando com a maior beleza e sinceridade do planeta.
Algo mágico demais aconteceu ontem à noite, por isso tantos sorrisos de satisfação espontâneos ao longo da noite toda, por isso tanta gente fazendo solos imaginários de guitarra, de moleques a coroas, de crianças às deusas morenas da platéia (me perdoem as louras, mas quando as morenas têm charme...). Por isso tanta gente cantando junto e batendo palmas.
O set list de ontem? A primeira a emocionar foi Somebody to Love, e haja culhão do argentino para tentar fazer essa versão de um original em que Freddie chegava a lugares jamais alcançados na história do rock, e ele se saiu muito bem. Depois teve I want to break free, Who wants to live forever (tema do filme Highlander), Radio Ga Ga, Save Me, Crazy little thing called love, a balada maravilhosa pouco tocada hoje, Jealously, I want it all e, claro, em número espetacular, Love of My Life, etc etc. A última canção? Uma honestíssima versão da ópera rock, Bohemian Rhapsody.
No bis eles voltaram atendendo aos gritos da galera que gritava We will rock you. Eles voltaram com essa pedrada e adicionaram We are the champions com uma pegada monumental! Agradeceram emocionados, partiram, mas a galera não arredava o pé. E aí veio o milagre que só quem tem coragem de colocar o coração pra fora, que só quem tem tesão pela vida consegue realizar. O brotherzinho ao meu lado pede, pô, só faltou Don´t Stop Me Now... Aí ele e eu começamos a gritar o nome dessa canção supersônica do Queen e alguns outros acompanham. E os caras voltam para o segundo bis e atacam de... Don´t Stop Me Now!!!
Puta merda, mas que puta show! E pensar que boa parte da molecada de hoje nem conhece Queen e fica se embriagando, desculpem o linguajar, de tanta merda que as rádios enfiam goela abaixo deles!
Mas voltando aos argentinos do Diós salve la reina, só queria agradecer por ter trazido “Ele” de volta nessa inesquecível noite em que uma banda cover foi a emissária mais fiel possível dessa que a foi a segunda melhor banda da história do rock (e às vezes não me questiono se não seriam a primeira, tomando o posto dos Beatles, caso Freddie não morresse cedo...), esse fantástico Queen, dono de uma melodia, voz, guitarra e variações rítmicas que nenhuma outra banda da história do rock jamais igualou.
E, pelo menos um moleque ontem, o irmãozinho, foi pra sua casa com a certeza que o rock de verdade e inesquecível só pode estar no passado. Que venham em agosto o Scorpions, ainda mais com a formação original! E que venham mais pessoas com a gente pro próximo super show!
PS - O vídeo, acreditem, é do Diós salve a la reina.
Inesquecível. Muito mais que uma imitação. Alma. Emoção. Calor. Técnica. Arte. Espetáculo. Comoção do público. Magia. Só mesmo muito amor por uma banda para existir algo chamado Diós salve la reina, uma das melhores bandas covers do Queen do planeta. E eles estiveram aqui em Sampa ontem à noite, surpreendendo a todos que estiveram no Via Funchal. Logo na entrada, damos aquela risada gostosa ao vermos a incrível semelhança do cantor Pablo Padín com Freddie Mercury. Logo as risadas são substituídas pela emoção de descobrir que o argentino tem voz (e isso não é mentira!) parecida com a do maior vocalista de todos os tempos, Freddie. Sim, ele não consegue alcançar aquelas esticadas de voz monumentais do mito, nem tem tantos recursos de variação, mas é sim o espírito da garganta do líder do astro que escutamos. É sim algo muito parecido com o Queen que ouvimos, sensação reforçada ao acrescentarmos os outros três fantásticos músicos da banda, especialmente o guitarrista Francisco Calgaro, que toca uma réplica da guitarra Red Special, do gênio das cordas Brian May; e destaco também o batera dessa banda cover, o cabeludo meio Maradona louro que simplesmente estraçalhou sua batera feito um coração se declarando com a maior beleza e sinceridade do planeta.
Algo mágico demais aconteceu ontem à noite, por isso tantos sorrisos de satisfação espontâneos ao longo da noite toda, por isso tanta gente fazendo solos imaginários de guitarra, de moleques a coroas, de crianças às deusas morenas da platéia (me perdoem as louras, mas quando as morenas têm charme...). Por isso tanta gente cantando junto e batendo palmas.
O set list de ontem? A primeira a emocionar foi Somebody to Love, e haja culhão do argentino para tentar fazer essa versão de um original em que Freddie chegava a lugares jamais alcançados na história do rock, e ele se saiu muito bem. Depois teve I want to break free, Who wants to live forever (tema do filme Highlander), Radio Ga Ga, Save Me, Crazy little thing called love, a balada maravilhosa pouco tocada hoje, Jealously, I want it all e, claro, em número espetacular, Love of My Life, etc etc. A última canção? Uma honestíssima versão da ópera rock, Bohemian Rhapsody.
No bis eles voltaram atendendo aos gritos da galera que gritava We will rock you. Eles voltaram com essa pedrada e adicionaram We are the champions com uma pegada monumental! Agradeceram emocionados, partiram, mas a galera não arredava o pé. E aí veio o milagre que só quem tem coragem de colocar o coração pra fora, que só quem tem tesão pela vida consegue realizar. O brotherzinho ao meu lado pede, pô, só faltou Don´t Stop Me Now... Aí ele e eu começamos a gritar o nome dessa canção supersônica do Queen e alguns outros acompanham. E os caras voltam para o segundo bis e atacam de... Don´t Stop Me Now!!!
Puta merda, mas que puta show! E pensar que boa parte da molecada de hoje nem conhece Queen e fica se embriagando, desculpem o linguajar, de tanta merda que as rádios enfiam goela abaixo deles!
Mas voltando aos argentinos do Diós salve la reina, só queria agradecer por ter trazido “Ele” de volta nessa inesquecível noite em que uma banda cover foi a emissária mais fiel possível dessa que a foi a segunda melhor banda da história do rock (e às vezes não me questiono se não seriam a primeira, tomando o posto dos Beatles, caso Freddie não morresse cedo...), esse fantástico Queen, dono de uma melodia, voz, guitarra e variações rítmicas que nenhuma outra banda da história do rock jamais igualou.
E, pelo menos um moleque ontem, o irmãozinho, foi pra sua casa com a certeza que o rock de verdade e inesquecível só pode estar no passado. Que venham em agosto o Scorpions, ainda mais com a formação original! E que venham mais pessoas com a gente pro próximo super show!
PS - O vídeo, acreditem, é do Diós salve a la reina.
Que voz e guitarra é essa?!
A voz é deliciosa, entre o agudo passarinho feminino e o grave rouco leão. O dedilhar da guitarra é maravilhoso como uma conversa cheia de atenção e prestar atenção no outro enquanto passeiam por algum lugar mágico. Essa é Leslie Feist, uma super artista do Canadá da qual não consigo encontrar um CD aqui no Brasil. Um pecado, pois desde Alanis não conhecia uma voz de cantora tão bela e rica, e ela é ainda melhor, pois tira melodias e riffs belíssimos e cheios de ritmo da sua guitarra. Uma bela mulher, que canta como uma fada e hipnotiza com uma guitarra que nos envolve e leva pra passear, o que mais podemos esperar? Essa canção, Secret Heart, seguramente entraria para uma lista das mais deliciosas e saborosas canções de amor da história.
A voz é deliciosa, entre o agudo passarinho feminino e o grave rouco leão. O dedilhar da guitarra é maravilhoso como uma conversa cheia de atenção e prestar atenção no outro enquanto passeiam por algum lugar mágico. Essa é Leslie Feist, uma super artista do Canadá da qual não consigo encontrar um CD aqui no Brasil. Um pecado, pois desde Alanis não conhecia uma voz de cantora tão bela e rica, e ela é ainda melhor, pois tira melodias e riffs belíssimos e cheios de ritmo da sua guitarra. Uma bela mulher, que canta como uma fada e hipnotiza com uma guitarra que nos envolve e leva pra passear, o que mais podemos esperar? Essa canção, Secret Heart, seguramente entraria para uma lista das mais deliciosas e saborosas canções de amor da história.
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